Se perguntarem..., eu passei por aqui só por curiosidade, quis saber o que de mais bonito havia no mundo e sem perceber encontrei Poesia. Encantei-me em versar, estudei suas curvas e sálivas; não sei se cheguei a ser poeta.
Mas uma coisa lhe digo, meu amigo, se perguntarem diga que fui feliz por cada letra que contornei... e se alguma vez me viram com lágrimas; essas... com poesia, curei.
By Camila Passatuto
Biografia da Autora
Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).
Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.
Contato: camila.passatuto@gmail.com
domingo, 15 de maio de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Em dois atos
Voa, passarinho.
Não se importe,
Já me acostumei a ser só ninho.
Viaja, lua.
O outro extremo te chama.
E fico miséria, sem tua prata queimando minhas escamas.
Corre, ar.
Só não vá muito longe,
Apesar de tudo... Não sei se preciso de ti para pairar...
.......................................................................
Movimento avesso
Dos elementos sem rima.
Caí, gramática.
Pisa, arrogância.
E por aí vão-se morrendo
Asfixiados, enrolados nos reposteiros
Consonantais
Sem nenhum valor literário
Lá... Postergando eternamente:
Poetas sozinhos
E miúdos carinhos.
By Camila Passatuto
sábado, 9 de abril de 2011
Jovem
Sou um bicho sozinho,
Sou da mata virgem.
Virgem de alguém.
Sou um Y
No meio de tanto X.
Sou um só.
Meu amor é sozinho.
Sente e não alcança,
Ama e não recebe.
Sou um pássaro.
Bato asas
Nas meninas brisas.
Solidão a minha
Que me prende
Aos versos sem redondilha.
......................................................
Bicho esquisito
Extinção ao certo.
Abre-se o bico
Morre-se de deserto.
(By Camila Passatuto)
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Sangue Tipo AB
Voltou a sangrar
Por si só.
Levantamos a voz
Pedimos ajuda
Mas alguém abaixou nosso volume.
Permanecemos os mesmos
Fracos...
E com mais medo,
Por si... só.
E volto a sangrar
Sem medo do medo.
Atormentam cá dentro,
Expulso com o que cheiro.
Repelente
Das dores inexplicáveis.
Sem ser
Ela me abraça, dor arcaica.
E os olhos chamam
Ambulância nega a socorrer
Mas quem cura isso?
Maldade esse silêncio permanecer.
Voltou a sangrar
O que não respira.
Voltei a cheirar
O pólen, conseqüente daquilo que florescia.
Voltou a ser dia
A noite que me adormecia.
Escava
e
Crava.
Pois,
Voltou a chorar
O ser que ontem sorria.
By Camila Passatuto
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Fere Fera
Movimenta os lábios, navalha-se
E no beijo apunhala pela frente.
Ao calar é carrasco do próprio cortar.
Sem machado,
Sem escapatória,
Então
Morto pelo próprio punhal,
O desejo...
( By Camila Passatuto e Flávia Braun)
E no beijo apunhala pela frente.
Ao calar é carrasco do próprio cortar.
Sem machado,
Sem escapatória,
Então
Morto pelo próprio punhal,
O desejo...
( By Camila Passatuto e Flávia Braun)
quinta-feira, 24 de março de 2011
Relato.
Em C me acomodo num canto pequeno da pequena cama de casal. O dia não foi bom, mas não foi de todo mal. Eu senti febre, eu senti o corpo cair e não pude intervir; eu já não sinto mais nada depois de muito tombo ao tentar subir a escada.
Hoje eu permaneci sem vida por alguns segundos, ninguém percebeu. Melhor assim, velório precipitado é muito ruim.
O corpo queimou, o braço adormeceu e o mundo que sempre parecia tão parado, girou apressado quebrando os espelhos do meu equilíbrio.
Hoje eu me senti só. Sem pessoas e sem um Deus que me falasse que hora, que tempo, que vida me pertencia diante daquele desespero de se tornar etéreo.
Eu não liguei para quem eu tinha que ligar, eu não abracei quem eu tinha que abraçar, eu não falei e não gritei o que tinha que libertar. Eu não tive tempo, hoje tudo estava escasso... Minhas coisas e eu começamos a querer nos travestir de nada, e numa nota de jornal, virar importante relato.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Save 2011
Entorpecido que não cala
Não fala e não nada.
Modernos,
Retrocederam-se os verbos.
Humanos e suas psiques,
Eros e sua Psiquê.
Um caso de amor...
Sempre à espera do errado.
Integraram o que comunica,
Lavaram o dinheiro,
Esqueceram...
Não importa a pobre rima.
E o homem atropela os motores
Piou um ser vivo. Silêncio.
Mas era só
Passarinho.
Entorpecido não vive
Não vê, não.
Não rime.
Deixe isso aos loucos.
Humanóides,
Cópia que copia
A razão
Falsa de uma livre e utópica... Salvação.
By Camila Passatuto
quarta-feira, 2 de março de 2011
Inapetência Nervosa
Fraco dos olhos,
A pele vai sobrando.
Carne, só no prato...
Não mastiga vida.
Fraco dos ossos,
O sorriso vai sumindo.
Tosse, escape das ânsias.
Não há mais estima.
A garoa da velha cidade
Guarda sua chuva
Na alma...
Egoísta que é não divide; dor.
Os carros dançam em linha reta...
Alguém para observar sua queda?
Fraco dos pedidos
Perdeu-se ao pedir ajuda...
E a vida vai...
Vai caminhando devagar
Para longe do corpo
Corpo meio assim... Sem jeito...
Meio assim
Sem dono...
By Camila Passatuto
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Sobre o que a alma soube quando sob tudo estava.
Sim, eu amo escrever. Sim, eu amo sentir medo e superar. Sim, eu sei que a vitória chega quando a paz reina na alma. Sim, o futuro começou lá no passado. Sim, eu não falo mais: não. Sim... eu acho que mais uma vez eu entendi um pouquinho sobre ser feliz.
by Camila Passatuto
sábado, 12 de fevereiro de 2011
distorção emblemática
Toda mente precisa de som dissonante
que faça pensar
que faça reagir um dom.
E o rei se associa a diamantes
associação em quem
associação além
Criticantes passivos, olhe o que sou...
olha onde estou
olha onde vou
e vou além a quem.
sou eu que faço isso girar
sou eu o escândalo a te agravar
sou eu que estou por aí
sou eu o dono dos 'psiu'
sou eu que dou o tom
que sou o som
sou eu, sou eu.
sou eu que faço poesia.
atiro na rima
material para suas críticas.
sou eu que bagunço o cabelo
não uso espelho. sou eu
as roupas, as falas...
sou eu que movimento as madrugadas.
Olha aí, sou eu o dono da calçada.
cerveja quente derramada
e na alma a vontade de espalhar o que salva.
sou eu que ando pela rua
que faço as cores
que sinto as dores de todos os jovens.
sou eu que os ollho... nos olhos
e vejo o brilho de um maior propósito.
sou eu a realidade de suas estatísticas, covardes.
Xamã das camas
peixe sem escamas
urbano, caipira
da Paraíba ou de Brasília.
Sou eu o bicho solto
sem rede, sem gaiola.
sou eu a juventude, meu velho,
que já não toca em vitrola.
Vem; explica um pouco
mais desses prazeres
um pouco
mais desse poder
Vem, descobre em nós
a realidade dessa época.
Porque eu sou etéreo,
solo de algum instrumento.
existo no momento
sonoro
quando passa sou memória,
no silêncio.
Porque eu sou o agora
o índice do que virá.
eu sou milênios escavados
Sou poeta eslavo
pequeno
livre
ex-cravo.
Por quê?
sou voz
bateria
guitarra
e baixo.
(by Camila Passatuto)
que faça pensar
que faça reagir um dom.
E o rei se associa a diamantes
associação em quem
associação além
Criticantes passivos, olhe o que sou...
olha onde estou
olha onde vou
e vou além a quem.
sou eu que faço isso girar
sou eu o escândalo a te agravar
sou eu que estou por aí
sou eu o dono dos 'psiu'
sou eu que dou o tom
que sou o som
sou eu, sou eu.
sou eu que faço poesia.
atiro na rima
material para suas críticas.
sou eu que bagunço o cabelo
não uso espelho. sou eu
as roupas, as falas...
sou eu que movimento as madrugadas.
Olha aí, sou eu o dono da calçada.
cerveja quente derramada
e na alma a vontade de espalhar o que salva.
sou eu que ando pela rua
que faço as cores
que sinto as dores de todos os jovens.
sou eu que os ollho... nos olhos
e vejo o brilho de um maior propósito.
sou eu a realidade de suas estatísticas, covardes.
Xamã das camas
peixe sem escamas
urbano, caipira
da Paraíba ou de Brasília.
Sou eu o bicho solto
sem rede, sem gaiola.
sou eu a juventude, meu velho,
que já não toca em vitrola.
Vem; explica um pouco
mais desses prazeres
um pouco
mais desse poder
Vem, descobre em nós
a realidade dessa época.
Porque eu sou etéreo,
solo de algum instrumento.
existo no momento
sonoro
quando passa sou memória,
no silêncio.
Porque eu sou o agora
o índice do que virá.
eu sou milênios escavados
Sou poeta eslavo
pequeno
livre
ex-cravo.
Por quê?
sou voz
bateria
guitarra
e baixo.
(by Camila Passatuto)
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Vida...
Chego ao monte
Sou rei
Vejo seus desertos
Daqui..
Quem segue
Meus versos
Não vê
A tristeza residir.
Chego ao mar
Sou Poseidon.
tridente na mão
Inferno-me de ti.
Quem se procura
em meus passos
Na estrada
Nada, pois nado.
Chego em mim
Sou velho
deito
findo e fim.
Quem me quer;
Esperança,
essa sim
rima, vive e não cansa.
Não cansa
como esse
poeta
que morre
vira matéria em livro didático
e no túmulo
escreve
como quem
repele
a força
poeta
que
o faz
coisa
eterna.
(by Camila Passatuto)
Sou rei
Vejo seus desertos
Daqui..
Quem segue
Meus versos
Não vê
A tristeza residir.
Chego ao mar
Sou Poseidon.
tridente na mão
Inferno-me de ti.
Quem se procura
em meus passos
Na estrada
Nada, pois nado.
Chego em mim
Sou velho
deito
findo e fim.
Quem me quer;
Esperança,
essa sim
rima, vive e não cansa.
Não cansa
como esse
poeta
que morre
vira matéria em livro didático
e no túmulo
escreve
como quem
repele
a força
poeta
que
o faz
coisa
eterna.
(by Camila Passatuto)
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Cidadão. Pe(r)dido.
devolva as voltas, os caminhos e giros.. devolva as revoltas, os moinhos, os gritos... devolva as escoltas, os olhares, as nossas manobras... devolva as notas, as guitarras, os ritmos... devolva sem forma concreta, sem massa, sem respingos... Resolva os choros, as máculas em mim, os sentimentos sozinhos...Volta!
(by Camila Passatuto)
(by Camila Passatuto)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sobre Morrer.
A morte não dói. O que dói é o que a antecede.
Meu amigo, morrer não faz mal. E não chore quando se lembrar dos dias chinelos que levamos.
Morrer é verbo breve. Dura apenas alguns segundos.
Não chore minha ida. Chore a vida que levei, isso sim. Chore meus falsos sorrisos que tinham o objetivo de salvação.
A morte é dama suprema, nos liberta e é caminho de grandes oportunidades.
Morrer não é escuro.
Olhe para mim; sou alvo e desperto, depois de tudo.
Não lamente a perda. Lastime minhas dores sobre essa terra, isso sim.
Meu amigo, ir embora é ação. Não me imagine inerte no caixão.
Hoje eu sou vai e vem, sou vento, sou bater de asas. Não sou mais um corpo cansado e moreno esperando socorro.
Hoje eu sou vai e vem, sou vento, sou bater de asas. Não sou mais um corpo cansado e moreno esperando socorro.
A morte é amiga. Chega de leve, nos oferece um sorriso, elogia nossa roupa e quando notamos... Ela já entrou sem pedir, sempre nos arrancando o riso, não é?
Meu amigo, não fale de tanta falta... Hoje estou bem mais recheado do que antes. Daqui eu posso tê-los aos montes, aos lagos, aos olhos, aos sonhos que sempre sonhei.
Morrer não é cheiro de crisântemos e madeira boa. Rosto molhado ou roupas negras.
Morrer é instante. Depois, só vida.
Meu amigo... Entenda que quando abre a janela e sente a brisa, lá estou para mais um bom dia. Quando chega tarde e perde as chaves, lá estou... Eu rindo de seus alardes.
Morrer não é se ausentar. É estar em toda parte, esparramado do jeito que dá.
Morrer não é fim de arco-íris, é o pote de ouro enriquecendo a alma de quem bem quis.
Meu amigo, não se pergunte o que será de nossas vidas. Eu cá e você aí...
Eu aí e você cá... Talvez seja assim.
Eu aí e você cá... Talvez seja assim.
Cante nossa poesia por aí, porque morrer não é parar.
Para ti deixei meus versos e cabe a você, meu anjo terrestre, os gritar...
By Camila Passatuto
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Clepsidra
O tic tac do relógio avisa,
Eu viso terminar algum artigo.
Tudo breve para olhos secos.
Gostava de umidade quando criança.
A folha branca pedindo tinta
E o tic tac do relógio avisa.
Estamos escrevendo
Perdemos o tempo dos verdadeiros...
E os segundos
Sempre em primeiro plano para os modernos.
E o ritmo da máquina de dedilhar
Lento, lento... Lento demais.
Alguém chega e cobra o final
Mas digam a eles: Escrevemos para começar.
E o tic tac da vida lá fora
Afoga, poeta...Afoga.
By Camila Passatuto
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Manque Quelque Chose
Hoje não existe a esperança aqui.
Foi a última a me dizer adeus, foi.
Necessidade de mais alguém, não.
Deixe ir o que for para me agradar.
A regra corre assim, em dias ruins.
Não é a saudade que assola, não é.
Pisaram muito forte aqui, não dói.
O problema é que desaprendi a sentir.
Hoje não existe aquilo que um dia sorri.
Apenas quatro garrafas verdes, vazias...
Foi a última que deixei no pior dia, sim.
Não há gosto nem cheiro aqui. Suspeitos.
E corre de melancolia um licor na menina.
Os versos ficam mais largos quando penetro;
Penetro sentimentos com ou sem uniforme.
Lembro que hoje esperança não mais em mim.
E é mais um poema caduco de felicidade.
Caduco de meu penar eunuco
Triste de algo que vai e me amola,
É poema para não se ler na sua volta...
By Camila Passatuto
sábado, 11 de dezembro de 2010
Das contas não havidas
Reparei nas pernas torneadas, no sorriso amplo, nos cabelos longos...
Ela reparou no olhar, em puro descaso com o pudor, observou minha face enrubescendo após mais um gole quente de uma bebida qualquer.
Ela reparou no olhar, em puro descaso com o pudor, observou minha face enrubescendo após mais um gole quente de uma bebida qualquer.
Eu não quis mais olhar, ela queria mais olhares.
Acompanhou-me com seus passos curtos até a porta do bar, laçou o cós da minha calça com os frágeis dedos.
Voltei meu corpo para aquele corpo pequeno, moreno, quente de algo que também me queimava.
Não havia som ambiente.
Apenas minha respiração... Sempre cansada.
Seu olhar brilhava, observando-me como quem venera algo grandioso.
Tudo ali era jogoso demais. Eu precisava ecoar externamente um ato que meu desejo lançava cá dentro e ela apenas precisava ficar na ponta dos pés para alcançar meus lábios...
Não havia som latente.
Só o passear de línguas, o cruzar de mãos, o magnetismo do meu com o dela.
Reparei nas pernas torneadas abraçando as minhas, no sorriso amplo censurando minhas mordidas, nos longos cabelos jogados sobre meu corpo.
Ela reparou meu tórax enrubescido por suas unhas... O relógio marcando dez horas.
Eu não quis saber quantos anos. Eu esqueceria o endereço; o nome eu guardaria para alguma poesia.
Ela abriu um uísque fuleiro. Eu enchi o copo para sanar o que do corpo esvaziou na noite passada.
E ali não havia nenhum suposto até mais.
Só restaria em mim um simples e breve conto, das contas não havidas, que passei com aquela fêmeamenina.
By Camila Passatuto
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Canto Virgem, Ewá.
Ewá, Ewá, Ewá,
Mostre aos olhos o que longe há
Para além da pedreira
Para além da virgem mata
Para onde o vento forte levar.
Quebra onda, Beira-mar
É mais para lá do além
Da lama da Nanã
Do dendê de Iansã.
Ewá, revele ao poeta
A mansidão de criar
A fertilidade de renascer
Mostre, mãe, o amor florescer.
Não vejo algo...
Nas águas claras,
Nas ervas amargas,
Rainha do oráculo.
Ewá, minha mãe,
Mostre o que os olhos
Não mais podem
Mesmo se alma morrer.
Ao fim de tudo ver,
Leve-me, minha mãe,
Ao rei das palhas,
Para descanso de tanta visão.
Ao novo tudo parecer,
Leve-me, Ewá,
Ao rei Oxumare
Para eu lá das cores, novamente tudo ver...
By Camila Passatuto
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Na caixinha de sapato.
Hoje acordei alguém
Não importa quem
Eu sei que olho abriu.
Saiu daqui, da alma,
Foi no grito que rugiu.
Libertei alguém
Talvez eu, você... Ninguém.
Uma fêmea no canto
Disse, sem medo,
Que no meu peito
Havia padrões fuleiros.
Hoje eu acordei
Não me preocupei
Liberdade é isso
Eu não resmunguei. (ei ei ei)
Estamos sós
É madrugada
Não há dinheiro
Nem os tais padrões mandingueiros.
Voa quitanda
Sabores poluídos
Lambe
Pode-se entulho.
Rompe que é
Não mais, é.
Largue-me
Solte-a.
Hoje reviro alguém
Que não (re) passou.
Juventude nova (nossa),
Liberdade aprende.
E finda poesia,
Interpreta como leve.
E hoje acordei mais urbano,
Mais fuleiro... mais alegre!
domingo, 7 de novembro de 2010
Conversa Sem Beira.
Com o passar dos anos, que não foram tantos, o universo moldou essa mente que aqui dedilha palavras que talvez não possam ser tão importantes quanto qualquer outra coisa.
Venho para murmurar que aprendi.
Aprendi comigo, com os outros, com o nada... Com o desaprender.
Tornei-me também. Mudei-me, mudaram-me e se mudaram de mim.
Com o passar de pesares, que não foram poucos, o universo chorou e sorriu comigo. Foi meu único e confiável, escudeiro e implacável amigo.
Ontem eu não sabia, hoje sei e disso mais dúvidas... Sei menos.
No passado a alma não era tão exilada e de hoje para o amanhã será mais alva.
Aprendi.
Os inimigos são os melhores para te crescer, para te vencer... As guerras nos tornam e contornam, cria e destrói trincheiras; no final o que era seu, mesmo em posse do imperialismo inimigo, sempre será seu... Se assim quiser.
Aprendi que somos todos bárbaros.
Sou feito de barbaridades; pequenos e médios desastres.
Aprendi que sorrir salva, lava e desmorona barreiras.
Foi com o passar de gente que eu descobri que todos passam para ir e para voltar. Vai e volta, tão depressa, tão devagar que quando o tempo vai ver... Goza. Desfruta da oportunidade de ser passageiro, oh, Tempo!
Hoje eu vejo pessoas se mesquinhando, já me mesquinhei um dia, hoje não mais. Prefiro aqui no meu canto, sem quase nada, contudo... Sem nada de penar depois.
Aprendi a não ter medo. Mesmo com muito receio, aprendi. Mesmo sofrendo, não sofri.
Aprendi que odiar é tão difícil. Gostar é tão amável. Aprendi que amar é sagrado.
Para o Amor um altar separado. Longe de tudo que por mim for profanado.
Com o passar dos anos, não tenho certeza se serão tantos, terei que aprender sem querer, caso for necessário. Terei que engolir saliva quente e escrever o que aqui na alma me repreende, ou não, ou talvez... Só sei que terei.
Talvez eu tenha que ensinar, mas que isso nunca seja necessário. Quero viver solto, preso, filho ou estrangeiro. Eu quero.
Caso eu tenha que ensinar, mesmo que seja um só conselho, aqui eu o deixo: Debaixo da cama que conforta seu mais belo sonho, há um sonho melhor, enfie sua cabeça no escuro e o viva, pobre mortal, entenda... Aprenda
By Camila Passatuto
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Ode à Ode
Diga-me
Quais são minhas verdades
Não conheço uma, diga.
Verdade exterior existe.
A que mora em mim,
Duvido.
Choro só
Acho que não
Deve ser mais dó.
Necessidade
Palavra grande
Qual verdade a sua?
Diga, menina linda,
Será minha mentira?
Pura, serena, cativa.
Algum trocado
Esmolo garotos
Nada: é sua verdade.
Fico em dúvida
Não me sei
Quem me sabe?
Hoje sem trabalho
Amanhã em retalho
Depois me despacho.
Qual a verdade
Do mundo?
É a economia.
A verdade
Do povo
Deve ser esquizofrenia
A mentira
Do poeta
É sua ladainha.
Da musa
As pernas...
Essas verdades são minhas.
Diga-me
A real tristeza
A falsa nobreza
Calo-te
Sem moedas
E sem verdades...
Não te sei
Não me sabe
Acho que sou mentira
E tu és, supostamente,
Minha verdade.
By Camila Passatuto
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