Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).

Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.

Contato: camila.passatuto@gmail.com


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Morte em Batalha


Estive muito perto e perto demais nunca mais
Talvez centímetros e escapes de sentimento,
Ninguém predispõe em minha emoção.
E lá furtei o que pude e pudera furtar.

Permaneci cara a cara com o oposto
Gosto ruim de falar tão rende
Tão frente.
Estive correto, apesar de coxo.

Das mortes recolhidas em campo,
Avoei de lembrar as ações.

E que santo por mim hoje?

Depois dos tiros ficamos um tanto pólvora.
Um ramo em meio a procissão...
Um pouco moço, um muito ancião.

By Camila Passatuto

sábado, 6 de outubro de 2012

Da loucura ordenada

Meus monstros transpõem a janela.
Por mais que fique, eu vou.

Nada me contém.
Jamais um entendimento
Das preces
Da loucura ordenada
Dos gritos
Do labirinto em que Deus me almejava.

Nada além.

Sua pele branca no reflexo
Irisava minha paz.
Era apenas uma bandeira,
Uma pátria a defender.

E nossos soldados
Caíam 
Sobre crianças que eram...
Hoje não mais.

Consunção a minha
Diante o profano
Do sagrado viver.

Teus monstros me controlavam
Meus ombros os carregavam
Na insana noite sem perdão
Das facas mal amoladas
E de utopia
Mal planejada.

By Camila Passatuto

domingo, 30 de setembro de 2012

Visita


Vamos embora,
Essa noite não me escurece tanto.

Todos sonolentos;
Não perceberam meu rosto frio a suplicar as razões.

Vamos embora.
Partir em vão de rima,
Ah! Como era bom o tempo de nevoa em nossos óculos coloridos.

E eles ignoram nossas paixões.

As pernas, hoje, só servem para andar...

Depois de colocar a alma na escrivaninha, preenchemos a janela de propostas
E no absurdo do pulo
Estará alguém do prédio vizinho a questionar nossa liberdade.

E eles não admitem nossa ilusão.

Queremos voar por outras armadilhas, mas nosso governo ordenou a segurança.
Que tédio!
A morte só quando quiserem.

Expulsaram as cervejas.
Jimmy Page ainda goza na vitrola, agora com fones.

Aluviamos que somos,
Eles insistem que não.

Então, a saia florida atravessa rua,
Nossos olhos aprisionam beleza

(sem pretensão).

O som da lataria em sua pele desenvolve o nojo que propomos.

Vamos embora,
Já não podemos mais sangue,
Mais paz, mais os anos 70.

E eles nunca conseguiram nos obter...
Vamos.

(By Camila Passatuto)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Vida da Sinhá


Durante todo o tempo ao balançar
Escutei um caminho, em mim, versar.
Tal qual felicidade era anciã de corpo...
Eu bem tocava meu impossível, de novo.

E percebi os clássicos envolverem o baú
Caixa morta que não balançara
Ao golpe do pé.

Golpeado dançava.

E os tempos verbais
Foi cadeira estática
O que o povo falava
E política, mãe-sola, abafava

Durante toda a pequena vida
Estive a rastejar.
Era vontade menina
Era o fim a tear.

By Camila Passatuto


domingo, 23 de setembro de 2012

O grande bordel da liberdade contemporânea.

Quem será capaz de nos definir em dias de fotografia com muito zoom? Estilo... qual o seu e o meu?
Hoje almoço a liberdade da pontuação, a libertinagem do corpo, a presença de Calíope e a ironia apaixonada, descrita em pele sobre vícios modernos de mente e almas que nos beijam a testa toda manhã.
Mas quem entende a mensagem? Interpretar é livre demais.

Não erro e não erras se mensagem seguir avessa em sua alma, o que importa não é o quanto o leitor modificou o que poeta disse, mas o quanto a alma desse ser foi aflorada pelo poder que a palavra bem quis exercer.

Liberdade. Sempre avante, assusta os enjaulados e força um sorriso nos libertinos cansados.
Amém.


By Camila Passatuto

Preto Velho


Tiraram do pobre velho
Sua sina de amar
Invadiram seu terreiro
E o que restou lançou ao mar.

Vivia em calma chegada
Cada dia uma ciranda
E a vida tocava macio
A ensinar novas lembranças

Hoje ele me pediu
Um pouco de riso
De garra e maleime.
O velho menino, chorando pediu...

Não soava nem gemido...
E que maldade essa
Tirar do caboclo
Atabaques, mulatas e cachimbo?

Dizem que foi bandido
Inveja de filho
Mas não há perdão
Levar tudo que aqui era bendito.

Nosso velho preto
Nosso preto velho
Chorou uma semana
Na outra já estava esperto

Mas que maldade
Que maldade, Sinhá.
Tiraram tudo do santo
Só restou a Fé nesse Congá.

By Camila Passatuto

2005

Arrume o chapéu,
Esconda a fraqueza.
É moderno assaltar
E colocar os pés sobre a mesa.

Condenam os meus...
Malandros,
Entre jovens bêbados e abstêmicos.
O grande pecado
É não sermos idênticos...

Madame, permita explicar
Não há tesão
O volume é apenas
Muita informação.

Sem um centavo para fumar
Somos a vergonha do país
É bonito aqueles que fodem sem rimas a pobre e falsa classe média alienada.

Estou a pisar no passado.
Não pense em fazer alarde,
Não lembre,
Deixe que os livros (de história) nos escondam a verdade.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Necrofilia


Pede em mim uma poesia forte
Pois estou a doar as melhores palavras;
Os torturantes versos.

Pede em mim o gozo da vida
Pois estou satisfeito de esplendor
E cais de ninharias do corpo.

Perde em mim sua paz
Labirinta em minha mente
Suas lastimas de mulher.

Pois estou pronto.
Homem.

Pois estou santo
Ao adentrar seu ventre frio,
Morto
Podre.

By Camila Passatuto

sábado, 8 de setembro de 2012

Relato Rápido do Condenado


Eu apertei forte a vontade de escapar.

Derreti as possibilidades de entender o júri que ria, consumia... Arrepiava minha pele com o terror mais suave que já pude saborear.
Não havia nada que poderia haver. Um jeito estranho de afastar a condenação.
A morte que colocaram em minhas mãos... eu nunca pude cometer. Jamais engoli os órgãos, retirei os ossos e beijei a pele solta do corpo infantil, pequeno e tímido de vida.

Eu quis chorar as lagrimas dos fortes, dizer que jamais.
Poderia o homem perdoar o inexistente? Os cães ladravam dentro dos ternos e eu injetava a falsa calma em cada um de meus poros. Eu gemia por dentro e a vontade exorbitante de vomitar não passava. Pensei que não iria aguentar nem mais uma vírgula, nem mais uma interrogação.

Eu estava nu diante aquelas pessoas. Todas com uma foice na mão, com o ódio a dominar o sentir. Eu estava sozinho, garoto pequeno e sem cobertor.

Consumado.

A morte me levou à morte.

Os passos que dava eram tão pesados, fartos do fado de crime. Eu caí. Debati. Rompi todas as dores em um grito que rasgou minha alma ao meio.
Apunhalaram meu respeito pela nuca e segui tonto. Tonto daquela justiça estranha, cega, surda e burra.

Senti as agulhas, a cadeira, os tiros e as mordidas. Os pregos de minha cruz eram grossos demais. Deixaram meu corpo  aos leões de Judá. Israel quis matar Al Capone. Hitler foi assaltado por Collor e o mundo rodava ao contrario.

Vi a dor daquela mãe partir. Partir junto a minha alma desesperada - e perdida a cada alteração de brisa. Eu vi os jornais alegrarem os cristãos com a ida daquele que nunca quis endoidecer em homicídio oculto aos olhos que ali não estavam em sangue.

E já estavam todos livres enquanto eu apertava forte a vontade desvairada de ficar.

By Camila Passatuto

Pedidos de Asfalto

Era infantil
Ínfimo
Perpétuo de escuridão.

Do desejo eu
Gramaticava o erro
Futuro que anulei.

Encrespara voz
Diante de tal
Radiante vereda.

Esculpi tela muda
Por medo e raiva
Razão fina que em mim
Mal acampava.

Era filho da estrada
Que me perdia.
Pequeno
Na grande espreita.

E a vida tremeu,
Assustada,
Cedia um pouco...
Exigia meu nada.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Recados


Não podemos cair no vício da humanidade insolente. Seguiremos alvos de vida, sem os odores das mentes fracas e mesquinhas. Não podemos nos render à fala carinhosa e cheia de espetáculos nojentos, breves e sem fundamentos.
Temos a obrigação de, livres, inebriarmos nosso futuro de sonhos e certezas puras. Iremos ler nossa história sem a mancha negra dos urubus feridos de mundo. 

By Camila Passatuto 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A procura de um povo


Deixa o querer assim...
Triste em sorriso,
Meigo de aguentar.

Bem, afagos,
Eles mentem.
Matam nossos filhos.

Deixa o poder assim...
Largado na penumbra
De mentes ansiosas.

Eu me calo
E você grita
Geme
Goza.

Pelas ruas
Um falatório sombrio.

Dizem que se foi
Insistem, procuram...
Por Deus: Sumiu!

Deixa o querer
Procurar (no livre)
O timbre de nossa alma...

... O pouco de paz
Nula, pequena.
Puta
Que nos acalma.

By Camila Passatuto

domingo, 5 de agosto de 2012

Ora e Dança...


Escuto entre paredes
Acordes que me faltam.

Esqueço as ruas
Frias e desconjuntas.

Observo mais um aprendiz
Pálido
Perplexo
E meu.

A vida nos subtrai, amigo.
Arte me esculpe
Pelas lentes grossas
De serenos e alvos.

Escuto a oração da sociedade
Perdida
Furiosa
Menina de pé machucado.

Dedilho o piano das ideias
E tudo martela em susto
Um porquê bem posto
De causas absurdas.

E sento na guia
Sem objetivos claros
Com a mente derretida
E o corpo bastardo de espírito.

Estudo entre prazeres
Alardes que me faltam
Danço pura (calma)
A nua poesia que me é capaz.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Alucinação 5


Cuidado, pequena,
A vida anda animada demais.
Os afazeres dos homens
É busca pelos teus ais.

Cuidado, menino,
As ruas espreguiçam
Os túneis rompem
É nulo o agito.

E leio nossas preces
No avesso do laço
Do embrulho mal feito
Do querer, em mim, abstrato.

E corro sem pressa
Ao léo dos adjuntos
Em ti mal formados
Em nós assolados.

E rimo
Como geme...
E rimo
Comumente...

Cuidado, minha mãe,
Seu filho voa alto
Nas margens da folha branca
Em desejo de liberdade.

Hoje sou eu
Que busco
Rompo
Agito
Assolo
Por fim, bem reflito.

Aos poucos
Em pouca voz
Falo aos céus
Suplico...

(Assim finalizo)

Quero poesia
Quero de todos muito afinco
Quero em mim a porra da paz
Sem chá ou mero absinto.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Coisa de Poeta, Nega!


Devo estar rígido das ideias...
Eunuco com ilusões demais.

Ah! Ora, minha preta,
Esqueça sua tigela.

Na janela fajuta, vem,
Vem ver a rima correr.

(Penso)
Devo amargar meus antigos
Meus alinhos e leitores.

Ah! Olhe comigo a centúria
Do passado. Veja o bonito.

(Rezo ao contrário)
Devo prender o ar.
Deixar as noviças
Açoitas de minha língua.

É a razão que o mundo procura.

Devo estar poeta louco
Sozinho no rebento de
Verso mole
Verso esporão
Verso senhorial-estúpido.

(Riso)
Ah! Ora, minha nega!
Nega, minha, que nunca...
Nunca lê linha minha

Essa me expulsa de teu corpo
Sem saber dos pecados
Que sou.

Devo estar menino-escravo
Livre o bastante de não querer
Dizer ao Conde de Lá Da Puta Que Pariu
Que verso meu
Só é mel
Em boca
De nega virgem
Nega boa.

Devo estar em Nice
Acompanhado de outros
No sanatório das ideologias.

Já não sei.

E Acabo conversa prosa
De poema dengo
Com a dúvida
Do que sou
E do que me faz (ser).

Enfim, poesia...

By Camila Passatuto

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sobre qualquer ironia


Sou de prazeres na vida.
De ser o mau ser
Amar em questões
Fazer distrair.

Assobios
Que de mim
Em mim
Te querem

Afazeres na vida.
Sou palhaço
Remo maresias
Faço distrair.

Longe daqui
Bate taverna
Palavras mansas.
Fácil distrair.

Meu sangue encanta
Molha praça
Quem quis e não quis...
Fácil destruir.

Tenho afazeres na vida
Não recebo em troca
Honra nem comida...
(É poesia feita sem escolta).

E os antigos
Que temem
Alamedas de vida
E longas prosas...

Ofereço o estender
Dos versos mesmos
Que te sempre
É tormenta.

E Por fim
O final me tem
Rezo palavras
Pecados adjuntos.

Puxe primeira rima
Irei soneto eterno
Por ti, divina
E não importa os riscos.

... sou só prazeres na vida.

 By Camila Passatuto

Divida


Desenrolou seus prazeres cedo demais, era uma narrativa confusa. Mas que ponteiro a que tempo? Ora! Era breve e tendencioso em seus sorrisos. Largo em brancura de pele, abatido pela febre dos homens. Meu jovem amigo sumiu em si, morreu por nada, sem almejar poesia e esqueceu-se de gravar suas preces.
Todo dia, quando a atmosfera da solidão fere nosso espaço, lembro-me dos dessabores que provava entre dissabores alternados. Não era de se acreditar em palavras ditas por donos de pastos. Ah! E todo dia vinha àquela liberdade que se fazia em criar.
Hoje... só flores sobre ti. O cheiro de morte sempre embrulha meu estomago, mareja meus olhos e enlouquece sua falta. E sei que desenrolou da vida um pergaminho que era meu, colocou no bolso de trás e nunca mais, sei lá o porquê... nunca mais me devolveu.

By Camila Passatuto

terça-feira, 12 de junho de 2012

Do que é mero e denso


Muros que me seguem,
Portanto, pulo e risos.

A preguiça tenta tomar conta
Ignoro as condições decassílabas
Penso em suas listras em mim.

Do outro lado do meu lado
Em uma vila qualquer
Deve queimar um cigarro
Implorando em malmequer.

(Crisântemos na janela)

Erros que te ferem,
Portanto, susto e grilos.

Eu tentei uma geração
Perturbei o sino da igreja
Recitei o mais alto verso
Que caiu por ti. Hoje,
Pro alto, arremesso...

Narro hora um talvez
De escritora pedinte,
Jovem alarme
E vida, talvez uísque...
Suspiro liberdade
E nos braços
Criança morta
Tatuada de passado.

Alinho meus textos
Em poesia sem rima
Moderna que não sou
Soou para eles
A revolta em paz
Que no futuro
Os matou.

E chegam os comprimidos
Que retardam minha mente
Mas a alma pula
Salta papel
Faz dos críticos
Meros dementes.

Da loucura.

Muros que me cercam,
Portanto, pulo e curto.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Das pausas urbanas I

Ás vezes sinto falta de tinta na parede. E sem entender os transeuntes e seus baldes cheios, mancho a cidade com o meu vermelho de dentro - e rupestre que sou - desenho meu animal da alma, pingos e rabiscos assim te tinto, sem piedade do cinza que te faz... e me sirvo em tela murada... é que às vezes sinto falta de tinta na vida.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Criança

Não entendo quase nada do que é, mas faminto que sou, das verdades que invento, compreendo os ventos... os que me arrastam sem o porquê de destinos e desvarios.

By Camila Passatuto