Biografia da Autora
Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).
Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Sobre o que a alma soube quando sob tudo estava.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
distorção emblemática
que faça pensar
que faça reagir um dom.
E o rei se associa a diamantes
associação em quem
associação além
Criticantes passivos, olhe o que sou...
olha onde estou
olha onde vou
e vou além a quem.
sou eu que faço isso girar
sou eu o escândalo a te agravar
sou eu que estou por aí
sou eu o dono dos 'psiu'
sou eu que dou o tom
que sou o som
sou eu, sou eu.
sou eu que faço poesia.
atiro na rima
material para suas críticas.
sou eu que bagunço o cabelo
não uso espelho. sou eu
as roupas, as falas...
sou eu que movimento as madrugadas.
Olha aí, sou eu o dono da calçada.
cerveja quente derramada
e na alma a vontade de espalhar o que salva.
sou eu que ando pela rua
que faço as cores
que sinto as dores de todos os jovens.
sou eu que os ollho... nos olhos
e vejo o brilho de um maior propósito.
sou eu a realidade de suas estatísticas, covardes.
Xamã das camas
peixe sem escamas
urbano, caipira
da Paraíba ou de Brasília.
Sou eu o bicho solto
sem rede, sem gaiola.
sou eu a juventude, meu velho,
que já não toca em vitrola.
Vem; explica um pouco
mais desses prazeres
um pouco
mais desse poder
Vem, descobre em nós
a realidade dessa época.
Porque eu sou etéreo,
solo de algum instrumento.
existo no momento
sonoro
quando passa sou memória,
no silêncio.
Porque eu sou o agora
o índice do que virá.
eu sou milênios escavados
Sou poeta eslavo
pequeno
livre
ex-cravo.
Por quê?
sou voz
bateria
guitarra
e baixo.
(by Camila Passatuto)
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Vida...
Sou rei
Vejo seus desertos
Daqui..
Quem segue
Meus versos
Não vê
A tristeza residir.
Chego ao mar
Sou Poseidon.
tridente na mão
Inferno-me de ti.
Quem se procura
em meus passos
Na estrada
Nada, pois nado.
Chego em mim
Sou velho
deito
findo e fim.
Quem me quer;
Esperança,
essa sim
rima, vive e não cansa.
Não cansa
como esse
poeta
que morre
vira matéria em livro didático
e no túmulo
escreve
como quem
repele
a força
poeta
que
o faz
coisa
eterna.
(by Camila Passatuto)
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Cidadão. Pe(r)dido.
(by Camila Passatuto)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sobre Morrer.
Hoje eu sou vai e vem, sou vento, sou bater de asas. Não sou mais um corpo cansado e moreno esperando socorro.
Eu aí e você cá... Talvez seja assim.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Clepsidra
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Manque Quelque Chose
sábado, 11 de dezembro de 2010
Das contas não havidas
Ela reparou no olhar, em puro descaso com o pudor, observou minha face enrubescendo após mais um gole quente de uma bebida qualquer.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Canto Virgem, Ewá.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Na caixinha de sapato.
domingo, 7 de novembro de 2010
Conversa Sem Beira.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Ode à Ode
domingo, 31 de outubro de 2010
Existência 2.2
sábado, 23 de outubro de 2010
Contém urânio*
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Solidão em Sete Atos
sábado, 2 de outubro de 2010
Prece Poética
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Na conta
E mais versos compostos de nossas travessuras, sim.
Dias e noites com mais linhas tênues dos corpos, da gente.
Eu deveria ter sido o jornal daquela manhã, eu deveria...
No sofá, tomou alguma decisão sem consultar, ali está.
Falou que eu poderia não ter tais destinos, outros abrigos.
Eu é que deveria não assumir e sumir; negou a renuncia.
Eu deveria ter gravado seus solos imaginários, hoje só...
As raivas sem motivos, eu deveria ter dado alguns...
Para os beijos esquisitos, deveria ter invento mais um.
O abraço que anula todo o resto; o meu gosto repleto...
Eu deveria ter colado nossos laços em pacotes maiores.
Eu deveria ter logado nossa senha e queimado os papéis.
Eu deveria ter cuidado melhor de seus sonhos, meus também.
Eu deveria ter bebido mais de ti, ter sido o pra sempre Romeu.
Eu deveria ter sido mais épico, mais romântico... mais Orfeu.
By Camila Passatuto
domingo, 12 de setembro de 2010
Ideia
Cheia de si, instalou-se em mim. Gritou como fêmea raivosa e exigiu em claro som algo que não pude negar. Ela recitou um pedido que segue abaixo:
Ora, minha menina,
O tempo atrasa
Quando não percebemos,
Quando não fazemos nada.
Corre para seu papel,
O principal.
E tome posse da pena
Do tinteiro...
Faça de mim, algo
Que não salve só sua alma,
Mas o mundo inteiro.
Após essas palavras, tornei-me o que sou.
Alma vaga e mente liberta.
Alguns até dizem:
Essa é poeta.
By Camila Passatuto
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Espere, poeta...
Dias assim, de dor intensa, costumam ser produtivos para almas que se deliciam no desabor da culminância de vida. Dias assim transcendem.
Para completar minha mórbida vontade de criar, o cinza do céu ficou mais baixo, pude visualizar todos os fantasmas redentores, mais conhecidos como anjos. Esses não entenderam a face rancorosa que eu, sem a arte a encenação, atuava serenamente.
Em algum momento vibrei fraquinho o som que explica: “eu sinto dor, meus anjos, eu sinto a dor que destrói sorrisos.”
Após apreciarem a melodia suave, entreolharam-se, doaram risadas e foram embora, deixando apenas mais dor em meu peito. Anjos são isso. Deveria ter compreendido que eles nos salvam apenas com esperanças, só que hoje eu decidi não esperar por nada.
Mover não seria a solução, remover muito menos... Passei o dia na inquietude que assombra qualquer enfermo.
Quis escrever poesia, mas logo lembrei que não podia... Isso só iria piorar a dor que se por hora era física depois dos versos seria dor de alquimia...
Não pude abusar da musa, estava precisando era de seus abusos em carinhos e cura em toques... Não quis mais escrever poesia, e isso não soou como regalia... Poeta quer verso que finda toda e qualquer dor, poeta quer viver verso para versar vivendo... Só que hoje fui mais além, neguei o que clamava aqui por dentro... Queria criar, mas não era verso que estava por nascer.
Percorri todos os cômodos da casa, cada um com suas lembranças em minhas paredes, eles se viram em mim, tatuados com meus sentimentos... Essa era a casa que me criou; esse o esconderijo que de tempos em tempos me injuriou.
Poderia criar um conto contando o que fui aqui, o que deixei de ser e o que eu quisesse contar, inventar mais sonhos e finalizar com esperança, só que lembrei que hoje eu não estava esperando mais nada... Resolvi deitar.
Meu cobertor, se ele pudesse dizer o quanto de amor por debaixo dele eu derramei... O quanto de felicidade eu trouxe para cá, nessa cabana que desde criança me abriga o sono. Viu-me crescer, sonhar, chorar, desejar e amar. Eu poderia escrever um livro com tudo o que ele viveu comigo, mas as lembranças machucam quando nelas está o passado de quem deveria ser presente e futuro.
Decidi descansar.
A dor sempre mais intensa com a calma do passar de cada segundo.
Respiração fraca, a glote quase fechada... Não reparei no que estava acontecendo, pois sonhava em relento, imaginava o meu amor aqui do lado, acariciando, confortando-me com um afago... Seus dedos virando meus cabelos e seus lábios na ponta de meu ouvido dizendo: “Cuidado, mas calma, estou aqui”. E meu sorriso nascendo esperançoso, cheio de vida, cheio do amor mais gostoso...
Respiração nula.
Glote totalmente fechada.
E não havia sorriso nem esperança, não havia musa ao lado de minha cama, porque hoje eu resolvi, por capricho de vida, ou de morte, não esperar por mais nada.
By Camila Passatuto
domingo, 5 de setembro de 2010
Desculpas de Poeta
Perdão ao leitor que leu e não gostou.
Não gostou de entender, compreende.
Não deleitou a possibilidade de criar.
Gritou: Ora! É tu, nobre, o autor...
Perdão ao mau entendedor de versos.
Que passou a profanar minh’alma,
Por não mais escapar das armadilhas.
Armadilhas obstinadas ao entender.
Perdão ao sonhador que se viu preso.
Preso em proposta de liberdade, livre.
Inquinado pelos sons do poema.
Sonhou ateu, sonhou plebeu...
Perdão às musas que não inspiraram.
Passaram cegas por meus olhos, assim.
Alvas demais, puras de vontade, pobres.
Sem cortes, sem versos. Ninfas egípcias.
Perdão aos sentimentos ocultos, sóbrios.
Que apenas em entrelinhas vivem, rainhas.
Comeram acentuadas dispersões do leitor,
Culpa do poeta que claro som não versa.
Perdão ao universo incorreto que consome.
Consome tudo que mistifico em almas...
Crio outros lugares, outros perdões,
Outros fins, como esse que se compõe.
By Camila Passatuto