Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).

Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.

Contato: camila.passatuto@gmail.com


sábado, 12 de junho de 2010

Pedido

Não
Ninguém está aqui para escrever o que parece estar escrito.

Não estou aqui
Se pareço presente é para talvez ser eterna n’algum tempo.

Não escrevo
Tudo o que se diz palavra é fundo sentimento.

Não pense errado
Não me digo em canções, não me afirmo em sonetos... Nem nada.

Não maltrate, nem beba veneno
Leia e perceba qual encanto nutre seus olhos, depois apareça, me conte.

Não ligue para os primeiros versos
Sempre a segunda linha que mira tua alma é fagueira, sorrateira... Envolve-te.

E Ninguém está aqui para escrever.
Escrita é uma coisa,
O que faço é outra.
Permito que seja efêmero o que digo.
Se te pertence,
Canta.
Leva contigo,
Mas cante para sempre.
Caso contrário
Mata o que inspiro.

By Camila Passatuto

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vale do Diabo

De meias palavras, de palavras inteiras, de silêncio repleto de dizeres. Assim segue o poeta, doente de sentimento, pelas ruas úmidas da capital paulista.
Onde surge poesia.
É cada passo adiante, um olhar focado por ali mais distante, não repara... É reparado, moldado e enfeitado de acasos.
Segue o poeta. Passarelas e teatros municipais ilustram a pintura cinzenta que oferece a quem vê, a quem lê... A quem sabe poesia, a quem vive por entre espíritos rodantes e moradores do vale do diabo.
Poeta Anhangabaú, triste de nascença. Sorri com olhar quebrado, tem medo do escuro, porem navega no breu das entrelinhas.
Sabe-se. Duvida-se. Pergunta-se. Mente-se.
De meias palavras. Inteiras mulheres. Repleto de espírito.
Move-se inconstante por simplicidade depressiva, alegria efusiva, amores singulares, amor de vida, amor de morte... Poeta Anhangabaú, senta nas escadarias da Praça Ramos de Azevedo, sem papel, sem escrita e faz da solidão e do mistério a mais sensata poesia. Para os transeuntes, para os negros felinos, para os leprosos e meninos.
Mais (r) adiante. A galeria.
De quantas melodias se compõe uma vida, sua dissonante vontade exige passos tímidos por entre jovens coloridos.
Rolante. Escadas. Guitarras.
Poeta distraído faz um verso sem querer entre as pernas da garota. Saia justa, texto amplo e sua mocidade não tradicional o expulsa do fatídico local.
É na rua. Poeta procura a musa. Tão distante. Inferno de Dante.
Rua úmida. Capital escura.
Poeta Anhangabaú, sozinho, doentio, vestido de palavras... Nu de razão.
Poeta Anhangabaú. Seu. De meias palavras, de palavra nenhuma, de verbo deslocado e do sempre vale do diabo.

By Camila Passatuto

domingo, 6 de junho de 2010

Poeminha Feio

Vou ser simples em meus versos,

Vou ser o que estou... Verso triste.

Um pedaço de saudade, verso livre.

Um imenso de amor, verso, verso...


Tanta coisa para falar,

Mas quer silêncio.

Sou de som,

Sou de falar quando estou triste.


E o verso fica descabido no poema

Fica feio

Fica como estou

Jogado e assustado.


Não tem rima, não.

É simplicidade de poema.

Não tem forma.

É conteúdo triste de poeta.


Ah! Eu devo gritar por você,

Pedir aos deuses algum licor.

Clamar o quê? Nada mais de dor?

Fica feio...


Vou caminhando em versos simples

Sem métrica

Sem nada de pensar

É só sentimento... É amar.


Fica feio,

Devo por arreio nisso tudo.

Mas talvez depois...

Quando isso em mim se for.


E se o verso fica descabido,

O que cabe a mim?

Digo que sofro?

Mas fica feio...


Chama poeta de chorador

Inventor de palavras

Dramático velho

Desajeitado sonhador.


E assim vou

Triste, desbravador e assumido

E assim fico

Feio, meio ao meio... Esperando abrigo.



By Camila Passatuto

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Musa

Tu és fraca demais para os meus sentimentos febris. Virgem demais para meus desejos avançados. Linda demais para minha dor ofegante, para esse peito roído, para essa vida poeta que levo em negros rios. São olhos, menina. São olhos de quem sangra, são esses que te olham, te vigiam, te condenam por despertar anseio, desejo, tudo isso que me faz esconderijo de liberdade, de sentimento seu. Vem e pega. Arranha o poeta, se tem medo, vai e come meu desespero.
Tu és forte demais para minhas palavras, onde te coloco, quebra um verso e liberta um sentimento. Por que faz isso? Por que és em minha vida o que demais amo, o que demais tenho fé, por que é em mim o que demais reluz, o que demais vive...?
E pelas ruas quem me vê sabe que tu és o que demais me move, o que demais foge... Entre meus passos... E tu és caminho demais que se encontra com minha estrada de terra... Tu és o que digo e o que calo. Tu és poesia e quando quero és apenas o que quero.

By Camila Passatuto

domingo, 30 de maio de 2010

Cor

Cor de pele é coisa estranha
E qual a cor da sua alma?
Cor do olho enfeitiça
Mas qual a cor da sua alegria?

Ver o que é
É quase mentira
A verdade, crua e quente...
A gente sente.

Seu dinheiro é azul,
Sua necessidade é negra
E quem vê o sorriso
Engana-se, é infeliz...

Não basta nada disso.
Evidências,
Ver o que é
É quase mentira.

Então, corro apressado
Quero seus olhos
Olhando o que sou
E sentindo o que não vê.

Cor de gente, nem sempre,
Nem sempre é bonita,
Mas a minha com a sua
É coisa mais divina.

O governo tem cor,
A cor da desilusão
Dos sonhos que tivemos...
Acabaram... Com gente sem um tostão.


Então, corro apressado
Quero seus olhos
E não ver as lágrimas
Quero sentir abraço.

A poesia chega ao fim,
Sem cor na roda das cores.
Branca e solene...
É poesia simples, é coisa da gente.

By Camila Passatuto

domingo, 23 de maio de 2010

Coisas Nobres (Samba)

Recuso qualquer coisa,
Vou lá fazer uma fé
No jogo de algum bicho
Ou no samba do seu Zé.

E se você aparecer
Logo arrumo um trocado
Te levo para um canto
E vamos beber um bocado.

Recuso qualquer coisa,
Só verso assimétrico que pode.
Só que hoje bateu desespero,
Mas vamos beber e nada de bode.

Caso caia da polícia aparecer,
Não se preocupe.
Sozinho eu te protejo,
E larga essa coisa de trupe.

Vou lá fazer uma fé
Se ganho, pode crer
Vai ter muita grana
Só pra mim e pra você...

By Camila Passatuto

sábado, 22 de maio de 2010

Fome, poeta.


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Pela calçada quebrada, são meus passos,
Na cabeça do matador, são meus rastros.
Os doentes que esperam não me leem, não.
E famintos que esperam não te condenam, são.

Pela mesma situação, eu escrevo e você lamenta.
Quais atos valem e rege qualquer rima, poema...?
Que a escrita seja liberdade, mas para quem?
Que seu calibre seja vida, mas para quê?

Venham, pobres, poetas,
Pensadores de desconhecidas razões.
Abram alas para esse povo
Que de grande só tem o coração.

Pela calçada quebrada, são meus passos,
Pelo folhear de páginas, olhos descalços
Que sentem na alma o poder de cada verso.
E famintos que me esperam não me condenam.

Venham, pobres poetas!
Venham, assassinos!
Venha quem tem fome de saber se tem arroz,
Poesia e prosa. Comam, sonham e digiram só depois...

By Camila Passatuto

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ser


Pulo da paz à guerra em um segundo, sou impassível, sou duelo de civis em nação de escravos, de coitados e poderosos reis.

Pulo do amor ao ódio em um segundo, sou imperfeito, sou sentimento pesado demais para quem tem medo de verdade da verdade.

Ah! Sou mais que o vento quando tu estás aqui, sou tempestade de alegria. Ah! Sou temporal violento em seus braços, sou assim... Chuva forte, lágrima suave...

Ninguém pode acalmar minha tristeza, ninguém pode calar minha alegria e nem abafar meu amor... Sou assim... Implacável.


By Camila Passatuto

domingo, 2 de maio de 2010

Obra Minha

Uma obra incompleta.
É o que estava jogada no sofá,
Olhos descontentes,
Simples e carente.

Viu-se manchada
Das cores de um dia
Em praça, em graça
Descontente, irritada.

O ar pesado incomodava
Corpo forte
Alma fraca
E o que pedi foi quase nada.

Venha. Seja
Obra que meus dedos
Inquietos
Dedilham.

Transformo em ti
Tudo em nada.
Medo
Agora é risada.

Viu-se manchada
Das cores de um dia
Em praça, sem graça
Suspirando apaixonada.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Comédia de Vida (Deus foi bom comigo)

Deus foi bom comigo,
Poderia me jogar em qualquer parte do mundo,
Mas por capricho me largou aqui...
Sonhador e arquiteto dos sentimentos.

Deus foi bom comigo,
Poderia me ceder o brilho da beleza na juventude,
Mas por safadeza me deixou assim
Mais belo a cada dia que envelheço.

Deus foi bom comigo,
Ele bem que poderia dar-me o poder de cura,
Mas por estratégia divina
Fez de meu olhar bálsamo e de minha voz poder.

Deus até que foi rígido comigo
Tirou minhas esperanças,
Mas colocou em cada esquina uma garrafa
E em cada garrafa uma esquina.

Deus foi bom comigo,
Deixou tanta gente para trás,
Mas comigo ele fez diferente...
Lançou-me à frente, mesmo eu sem saber como comandar tropas

Deus foi bom comigo,
Mas por capricho...
Quis ver alguém sofrer por amor.
Colocou-te do outro lado do inferno.
.....................................................................................
Tirou minhas esperanças
Colocou-te do outro lado do inferno
Mas por capricho me largou aqui...
Lançou-me à frente, mesmo eu sem saber como te encontrar.

Fez de meu olhar bálsamo, de minha voz poder
Então pude te achar por estratégia divina
E te dar o amor...
Amor que se torna mais belo a cada dia que envelheço.

By Camila Passatuto

domingo, 25 de abril de 2010

Desliga a Verdade


Meu filho, olhe a verdade pelo vão da porta.

Sua humanidade descobriu como ser falsa,

Agora grite enquanto tem tempo, amanhece.

Os papéis e a juventude não se combinam.


Repare nas mãos trêmulas do escritor,

Ele tenta se libertar artesanalmente

E as garotas fumam do lado de fora.

Agora corra enquanto é homem, chore.


Os prédios, as pessoas, os sons, o dia,

Sua humanidade esqueceu como respirar

E você correu atrás de falsa liberdade,

Repare no cinza da sua alma, ame.


Os papéis e os espertos se combinam.

Meu filho, suporte a dor e se liberte,

Pois os temas serão sempre os mesmos.

Agora desliga a verdade e vá dormir...



By Camila Passatuto

sábado, 17 de abril de 2010

Poema doente


Não consigo escrever

Existe um vazio em mim

Um susto, um estado de choque

Não consigo

Desculpe-me

As palavras não têm vontade de moldar

Na cadeira

Com o lápis e papel

Possuídos

Mãos que não conseguem parar de tremer


Não consigo escrever


Pensamentos morreram

O som não inspira

Ácido demais

Tudo isso

Dá queimação


Um estado de choque bateu em mim

Desculpe-me


Criança assustada

Chora

Abraça um trauma por toda vida


Poeta assustado

Pára

Beija um desespero a cada minuto

Na cadeira

Com o lápis e papel


E se você passar

Por perto de mim

Descalça e sem sentido

Saiba que não consigo


Beije-me os lábios

E se você quiser salvar

Coloque-se em meu colo

Tire meu susto


Não consigo escrever


Olhos não vão estreitos

E sim largos, (ou lagos)

De lágrimas

Sou poeta assustado


Sozinho

Sem bar

Sem mar

Sem tudo isso que dá queimação


Não consigo escrever


Peça insensata incutida

Nos moldes simples

Da minha fé

E não consigo, meu amor...


Eu simplesmente não consigo escrever.


By Camila Passatuto

quinta-feira, 15 de abril de 2010

douleur

Não existe ação, não existe mais nada agora. Por onde posso andar se não tem sua mão para guiar. Não existe vida em minha vida, é essa tristeza... Tristeza de ser assim como sou. Certa demais, leal ao extremo, sonhadora sem escrúpulos. Isso deve assustar, incomodar... O tom firme para até nas horas que mais dói, para além da dor que por dentro não só corrói... Mata. E os inimigos me atacam, amor. Foram tantas flechas injustas sobre meu corpo, e por onde vai você nessas horas, eu tenho medo... Eu tenho dor.

Vou me cegando de tanto trabalhar, alienando-me de mim, da minha dor... As horas não podem passar limpas, tenho que me ocupar, não mais pensar... Solução essa de não mais sofrer. E o quanto isso é difícil, rimas, só eu posso dizer.

O frio volta e não quero proteger meu corpo, deixa assim... Secando e abrindo fendas em mim. Não ligo não me sou importante se tenho que viver só para mim. Deixa assim, mesmo que eu não queira, vou me sumindo... Aos poucos e quando a fraqueza consumir minha carne eu vou... Vou voar livre de corpo, mas presa em tudo que me pertence...

Não existe ação, não existe mais nada agora. E os inimigos avançam, os amores recuam... E eu me encolho num canto qualquer, chorando baixinho, com a única coisa que me abriga...

a dor.


By Camila Passatuto

Bloqueando a seleção de texto em um site

Bloqueando a seleção de texto em um site


Bloqueando a seleção de texto em um site




quarta-feira, 31 de março de 2010

Sobre ela. Entre ela.

Comporta um só coração em seu peito, e ai de mim de fazê-lo sofrer, carinhoso vive por aí. Coração jovem e repatriado. E ai de mim de vê-lo sofrer, sofreria o que se sofre por quem ama. E comporta um só coração. Pele macia, lábios precisos que preciso rondando minha pele, minha boca, minhas costas, minha virilha.
Enquadrada nos pensamentos, meus sonhos, cenas antigas com ela brincando em meu corpo, eu caindo em sua doce inocência e vêm as mãos, os dedos, os suores que em tempos me corrige a boca. Nada soa. Tudo em mim sua, sua e sua.
Seu olhar convida para uma conversa, meus lábios tocando seu ouvido e o arrepiar infantil de todo seu corpo, acontece simples, agarra-se em mim, puxa minha blusa, geme um ato qualquer para me dizer o quanto quer.
Sentimento mais cru, mais selvagem e carinhoso. Deito meus carinhos sobre seu corpo, manejo minha fé entre seus sonhos, tiro de ti forças para minha vida, te dou o que tenho, te dou o que queres e lanço em batalha qualquer de seus caprichos, trago a vitória e te amo, amo sem mais esperar e te amo para sempre.
Abraça-me, assim com jeito de quem quer ser eu e desejando eu ser ela, embala, esconde, abre-te para mim e em mim se afunda. Doce menina, de coração amado, vem e não se vá nunca para outras terras, para outros poderes... Deixe assim, assim mesmo.
Sua voz molda o que quero ouvir com a delicadeza de uma dama em salto, com o que é puro na criança em tempos de festa, e ai de mim de não me apaixonar a cada instante, coração pede, resmunga: quero, quero, quero mais dela em mim, quero amá-la como sempre fiz, só que a cada segundo mais forte, mais firme, mais puro, mais perfeito, mais preciso e mais e mais.
Comporta um só coração em seu peito, mas faz, em mim, explodir mais de mil amores por ela, mais de mil flores por ela, mais de mim por ela... mais de mim só dela.

By Camila Passatuto

domingo, 7 de março de 2010

Amor

Onde está o amor em seus versos?

O amor não é para versos.
Ele é puro demais para colocá-lo aqui.

Amor não fica em papel,
Nem em paredes.

O meu amor está lá
No coração daquela menina.

O meu amor não é rabiscado em caderno,
Mas desenhado no corpo da minha pequena.

Meu amor não quer leitores,
Só os olhares encantados daquela que amo.

O meu amor não é para versos.
O meu amor é para sempre.


By Camila Passatuto

Obs.: Para o meu amor.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

La Paix II

As peles estão caindo e os meninos choram tanto.
Tem papel valioso no linho de seus pés, tem sim.
Tem comida de sobra nos olhos de quem tem fome.
A dor não é culpa minha, não é sua, de quem é?

Os calos estão sangrando e você sorri com a faixa,
Existe uma dúvida no frio lamentar de cada homem.
Existe uma desapropriação de sentimentos, alterna.
Os discursos vão ficando vazios, morrendo, morrendo...

E minha boca vai ser calada com grampos de ouro,
Seu sonho desfeito com sinceridade de outro povo.
Seu poder sangrando e você sorri, morrendo, morrendo...
E meu sangue vai correr mais puro, mais liberto, puro...

As peles estão caindo e os meninos choram tanto, Veja.
Tem comida de sobra nos olhos de quem tem fome, Veja.
Existe uma dúvida. Frio lamentar de cada homem, Veja.
E no fim nosso sangue vai correr mais puro e mais liberto (...)

E no final não irá existir quem você altera,
Apenas a verdade do que é.
E no final a dor vai ser culpa minha...
A sua dor, Veja...

By Camila Passatuto

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pra lá

Não faz sol e se aqui é sofrer, poeta gosta.
Goza das lágrimas e as palavras nascem...
Morre um pouquinho a cada segundo, mim.
Descalça os causos e olha as mentiras, sim.

Chorar é criança que nasce sem saber que é noite.
E dou a luz a cada descoberta, a cada frio, é noite.
Não acreditei quando no sonho me mostrou, noite.
Morre um pouquinho a cada segundo, morra, noite.

Desgosto de sangue na pele, então ela cai e chora.
Menina que cresceu e mulher que escreveu, chora.
Não faz sol e o sofrer intensificou um querer de dor,
Recebo com a força de quem quer vingança e choro.

Um poeta não escreve nada além do que sofre, do que ama ou odeia, do que tem medo ou desejo, do que é utopia ou amargo licor...queria fazer algo que fosse para lá de tudo isso, que não necessitasse do consumir da minha carne, mas para isso eu precisaria estar para lá da vida.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Blá blá blá (?)


E de incertezas é feito cada passo de futuro. E isso me cai tão bem. Esse medo de não entender o que pode vir, ou até mesmo o que pode ir embora. A inquietação de alma é tão constante. Quando tudo se desprende e uma fina camada de angústia começa a rondar meu universo complicado. Hoje faz frio aqui dentro, hoje já fez muito calor.
Um sim e quanta esperança, mas dois minutos, depois, é um medo que dá tanto medo de sentir, de escrever, descrever. A segunda quadratura de saturno pode me levar à loucura plena do ser. Vamos ganhar uma gastrite, vamos ler mais um livro. E  sempre é mais um...as novidades não se fazem, tudo tão previsível. Lá fora os jovens lutando e se perdendo, os adolescentes sonhando e se enganando, os velhos sendo e revivendo... Sempre os mesmos idiomas de reclamações, sempre a mesma fuga desses que querem se fugir, se fugir.
E todos tão parecidos, uma alienação grupal, isso me espanta. Diferentes apenas na forma de se mostrarem fúteis, mas as futilidades são sempre as mesmas. Ninguém se torna autêntico diante do prazer de agradar. E de incertezas é feito cada passo de futuro.
E de futuro os incertos se consomem antes da hora, e vão para o banheiro mais cedo!
Então continuo aqui no meu canto cativo, entrelando entrelinhas, inventando palavras e não colocando vírgulas no que penso. É o que me faz feliz! Vou descobrindo como achar, vou escutando Legião e escrevendo, vou deixando os meus medos, o meu pânico do mundo, minha fobia moderna... Irritando-me, muitas vezes, com os textos,exigindo algo que ainda não sei se tenho a oferecer, colocando no papel coisas que nem sei se são tão importantes serem expostas. Mas o que se guarda apodrece; então vou ficar escrevendo, vivendo, bebendo, tecendo um pouco dessa humanidade.
Porque agora eu sei: É de incertezas que é feito cada passo de futuro.

By Camila Passatuto

sábado, 28 de novembro de 2009

Precípuo (Amour Moderno Amour)

Vendedores ambulantes oferecem soluções,
Tem jornal, tem a alma de alguém circulando,
Tem música e tem dinheiro que não é seu, não.
Alguém joga uma pedra e de quebra acerta...

Tem sangue esperto escorrendo pela testa,
Pessoas curiosas com vozes de mosquitos,
Vendedores ambulantes oferecem soluções.
Alguém coloca uma meia suja e estanca, dói.

Os carros não param de passar, o sangue cai.
Meninos com pés negros conseguem moedas.
Tem alguém mexendo no meu bolso, é tarde.
E quem pode salvar, tem música e tem ar...

A cidade corre corre sem se importar comigo
E se você passar, e se você lembrar que agora
Ninguém tem tempo, seu minuto, minha hora.
E quem salva?
Tem sangue meu que escorre e a minha menina que para me salvar corre.

Corre e chega, olha e chora, beija e me ajeita.
Olha o céu como tudo está vermelho, eu vejo.
E seu olhar faz tudo parar, não tem carro, não.
Os mosquitos não foram embora, tem calma, tem alma...

E seu olhar fez tudo passar, vida minha agora vai acabar.
Alguém jogou uma pedra de incerteza e de sorte, é morte.
Menina minha chora sem querer continuar, me olha, me olha,
Coloca minha testa no lugar, seus seios se molham do meu sangrar.

Ah, e como escorre esse gozo de vida
Sua voz vai e vem, chamando-me
Mimando-me
Salvando-me


Corre e chega, olha e chora, beija e me ajeita.
É cidade, minha menina, perigosa demais...
E vou caindo de mansinho em seu colo, atirada no chão.
E vou me deixando morrer em seus braços e vou indo... Indo...

Quando escuto o seu clamar de milagre
Ah! Como eu queria ficar
Mas e hora de ir e deixar
Minha vida vai se indo


Vendedores ambulantes oferecem soluções
Meu corpo desfalece em seus braços
Um trovão de natureza anuncia a tal tristeza
Vou-me indo e te deixando, alma minha vai chorando

Teu abraço vem mais que apertado contra meu corpo
Corpo inexato
E não tem mais sangue
Apenas o crime infame


Tem jornal, tem a alma de alguém circulando,
Tem música e tem dinheiro que não é seu, não.
E tudo volta pro lugar, nada mais a se preocupar
Vozes de mosquitos voltam a falar, outro assunto...outro lugar.

Eu e você ficamos ali
Jogadas em um canto da cidade
Eu já sem a alma e você sendo apenas lágrimas.
E quem salva?


By Camila Passatuto

sábado, 21 de novembro de 2009

Poesia Matinal

Acordei com sua lembrança roçando minha pele, seu peso sobre os meus seios e seus lábios acariciando minha boca, e isso foi me despertando da mortificada noite.
De tão real, eu deixei escapar seu nome com o soar da minha voz matinal, pensei que estivesse realmente ao meu lado despertando minha sonolência de mim. Te chamei mais uma vez e sorri, sabia que estava velando por mim, não sabia que era delírio, só entendia a sua presença certa aqui em nós.
Te senti mais um pouco, recordei aquele cheiro, aquela textura e o nosso silêncio.
Seu corpo ainda vinha contra o meu quando abri os olhos e nada vi, mas tudo sentia.
E sentei na cama, delírio maior foi fechar os olhos e poder escutar sua voz que recitava algum texto que nunca pude ler. E nessa hora que começo a ter medo de mim. Medo das necessidades, mas quem não necessita?
E delírio maior foi tentar dormir novamente, e delírio maior foi o queimar de corpo, a procura por um pedaço de você...
E só de olhar uma fotografia, e sentei na cama, e me perguntei se a vontade de chorar era algo infantil ou apenas uma fortaleza arcaica de mulher.
De tão real, eu deixei escapar seu nome e minhas lágrimas.
E não consegui mais nada, levantei e como quem sempre ama, comecei a te procurar pela casa, porque para mim eu acordei com sua lembrança roçando minha pele e você deveria estar em alguma parte da casa, esperando eu te encontrar.


São duas árvores
Mas olhe
Por mais fundo
Eu vejo
Emaranha
E existe

Uma só
Só uma
Uma só raiz.

Água
Falta
Mata
Uma
Mata
Logo
As duas.












Marginal amor
Sempre correto
Nunca mais foi
Eu permaneço
Como sempre
E queima
Você entende?
É infantil
É tão maduro
É o que sinto
Para você
Simples
Fácil
Leve
Leve-me
Para você
Sou infantil
Sou tão maduro
Como sempre
Para você.

By Camila Passatuto