Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).

Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.

Contato: camila.passatuto@gmail.com


domingo, 1 de agosto de 2010

Pula

Amigo, por onde anda agora?
Falaram que não mais, não...
Não parte da poesia da vida
Amigo, por onde cai tua alma?

E dos versos matinais, urbanos,
Fora de leis conscientes...
Foi o primeiro poeta que conheci.
E de nossa infância... O que foi que esqueci?

Dos litros que se fumou, delírios.
Das gírias que ninguém prevê.
Dos rumos estranhos,
Eu me salvei... E você?

Falaram que se fez anjo,
Pulou da ponte mais alta.
Sentiu o que poetizamos,
Distintamente... se fez alma.

Hoje a rua perdeu seu dono.
Ora marginal ora intelectual.
A polícia te temia.
O vagabundo te enaltecia.

É, meu amigo, se foi...
D'onde foi que tomou coragem?
Para uns é marginal
Para outros; capa de jornal.

Alguma outra droga fácil
Envolveu teu corpo, eu sei.
Não mais covarde. Pula!
Parte em paz, sem vida futura.

(Em memória de Guilherme França)

By Camila Passatuto

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Alforria

Pelas ruas em festa, seu temor.
Quanta liberdade ainda nos resta?
São fases, meu amigo, sem cartazes,
Sem dizeres do suposto fim.

Correm crianças calçadas...
No portão, conversa descalça.
Não mais importante pensar.
Agora se é livre para sonhar.

Nos colégios o que se ouve?
O que houve com a vitalidade?
São jovens, por pouco, covardes;
Filhos dos filhos da tal liberdade.

Verso se perde em entulho,
Cospem em pensamentos...
Querem nada que sonha,
Liberdade pariu peçonha.

Pela rua em festa, o poeta.
Pessimismo de lado, exige.
Mais um gole a favor.
Mais um filho com temor.

E quem se prendeu ao obetivo...(?)
Corre por aí um sorriso.
Liberdade em alto estilo
Só por hoje não faz sentido.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Não. (Poema nove meses)

Não saí de ti, não descobri a brisa,
Nem bebi da fonte de seus seios.
Não senti teus arreios, que pena.
Não fui alarme de sonhos teus.

Não implorei sua atenção nos domingos.
Nem te ofereci a felicidade do que fui,
Não desobedeci tuas regras,
Não rimei teus palavrões.

Não te coloquei o primeiro fio branco,
Que em ti foi alarde.
Não vomitei em teus pés...
Nem chorei para que comprasse chocolate.

Não me viu cair a primeira vez
Nem à segunda
Nem no infinito sábado de aleluia.
Não sonhou que eu fazia fortuna.

Não corrigiu meu português...
Nem nada
Que todas fazem...
Todas iguais. Iguais a você.

Não te grito sonoramente.
Não te assino formalmente.
Mas quando abraça, me sossega
E de meus lábios a palavra 'Mãe' quase escorrega...

By Camila Passatuto

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Menina

Olha, menina minha,
De suas lágrimas
Fez-se o lindo lago
Que te banhas feliz.

Olha, minha menina,
Curei as cicatrizes...
A pele está macia,
Agora acaricia.

Olha, menina linda,
Abre teu sorriso,
É nisso que eu
Sempre me inspiro.

Olha, menina minha,
Me inventa
Me ausenta.
Policia minhas malícias.

E caso o acaso quebrar
Os sonhos dos versos...
Lembra, minha menina,
Tudo na vida reinicia...

By Camila Passatuto

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Prosa Morta

O corpo todo tremia, estremecia.
Gemia em fêmea dor, menina.
O corte profundo de alma, resolve.
Aquela agonia respeitável, amém.

Sobre meus ombros, seus açoites,
Sem minhas rasas rimas, a noite.
Seu sangue ralo, minha loucura densa.
Geme fêmea. Repete versos, elegância.

Horda inversa, devora meu silêncio.
Treme reajuste descalço. Eu tremo.
Virgem, o quanto custa?... Sangra.
Seu sangue ralo, de alma o corte, resolve.

O corpo todo tremia, estremecia,
Mal eu sabia em noite de esquiva
Que o corpo que, ali, em mim caia
Era prosa de mulher, prazer sem poesia...

By Camila Passatuto

terça-feira, 22 de junho de 2010

Jaz (Corpo Poético)

Ferida exposta.
O que jaz,
O que traz,
O que o corpo ainda suporta.

Adentrando fria
Cada centímetro
De dor, rancor,
De palavra na derme, escrita.

Verso neófito.
Verme,
Verte em nós
Arte livre em necrópole.

O que jaz,
Poeta,
É o que traz... Em ti...
Ferida, assim, imposta...

By Camila Passatuto

domingo, 13 de junho de 2010

Haicai Noturno

Sou madrugada,
mas estou noite.
Loucamente estrelada...
Que a lua me açoite.

By Camila Passatuto e Evandro Gomes

sábado, 12 de junho de 2010

Pedido

Não
Ninguém está aqui para escrever o que parece estar escrito.

Não estou aqui
Se pareço presente é para talvez ser eterna n’algum tempo.

Não escrevo
Tudo o que se diz palavra é fundo sentimento.

Não pense errado
Não me digo em canções, não me afirmo em sonetos... Nem nada.

Não maltrate, nem beba veneno
Leia e perceba qual encanto nutre seus olhos, depois apareça, me conte.

Não ligue para os primeiros versos
Sempre a segunda linha que mira tua alma é fagueira, sorrateira... Envolve-te.

E Ninguém está aqui para escrever.
Escrita é uma coisa,
O que faço é outra.
Permito que seja efêmero o que digo.
Se te pertence,
Canta.
Leva contigo,
Mas cante para sempre.
Caso contrário
Mata o que inspiro.

By Camila Passatuto

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vale do Diabo

De meias palavras, de palavras inteiras, de silêncio repleto de dizeres. Assim segue o poeta, doente de sentimento, pelas ruas úmidas da capital paulista.
Onde surge poesia.
É cada passo adiante, um olhar focado por ali mais distante, não repara... É reparado, moldado e enfeitado de acasos.
Segue o poeta. Passarelas e teatros municipais ilustram a pintura cinzenta que oferece a quem vê, a quem lê... A quem sabe poesia, a quem vive por entre espíritos rodantes e moradores do vale do diabo.
Poeta Anhangabaú, triste de nascença. Sorri com olhar quebrado, tem medo do escuro, porem navega no breu das entrelinhas.
Sabe-se. Duvida-se. Pergunta-se. Mente-se.
De meias palavras. Inteiras mulheres. Repleto de espírito.
Move-se inconstante por simplicidade depressiva, alegria efusiva, amores singulares, amor de vida, amor de morte... Poeta Anhangabaú, senta nas escadarias da Praça Ramos de Azevedo, sem papel, sem escrita e faz da solidão e do mistério a mais sensata poesia. Para os transeuntes, para os negros felinos, para os leprosos e meninos.
Mais (r) adiante. A galeria.
De quantas melodias se compõe uma vida, sua dissonante vontade exige passos tímidos por entre jovens coloridos.
Rolante. Escadas. Guitarras.
Poeta distraído faz um verso sem querer entre as pernas da garota. Saia justa, texto amplo e sua mocidade não tradicional o expulsa do fatídico local.
É na rua. Poeta procura a musa. Tão distante. Inferno de Dante.
Rua úmida. Capital escura.
Poeta Anhangabaú, sozinho, doentio, vestido de palavras... Nu de razão.
Poeta Anhangabaú. Seu. De meias palavras, de palavra nenhuma, de verbo deslocado e do sempre vale do diabo.

By Camila Passatuto

domingo, 6 de junho de 2010

Poeminha Feio

Vou ser simples em meus versos,

Vou ser o que estou... Verso triste.

Um pedaço de saudade, verso livre.

Um imenso de amor, verso, verso...


Tanta coisa para falar,

Mas quer silêncio.

Sou de som,

Sou de falar quando estou triste.


E o verso fica descabido no poema

Fica feio

Fica como estou

Jogado e assustado.


Não tem rima, não.

É simplicidade de poema.

Não tem forma.

É conteúdo triste de poeta.


Ah! Eu devo gritar por você,

Pedir aos deuses algum licor.

Clamar o quê? Nada mais de dor?

Fica feio...


Vou caminhando em versos simples

Sem métrica

Sem nada de pensar

É só sentimento... É amar.


Fica feio,

Devo por arreio nisso tudo.

Mas talvez depois...

Quando isso em mim se for.


E se o verso fica descabido,

O que cabe a mim?

Digo que sofro?

Mas fica feio...


Chama poeta de chorador

Inventor de palavras

Dramático velho

Desajeitado sonhador.


E assim vou

Triste, desbravador e assumido

E assim fico

Feio, meio ao meio... Esperando abrigo.



By Camila Passatuto

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Musa

Tu és fraca demais para os meus sentimentos febris. Virgem demais para meus desejos avançados. Linda demais para minha dor ofegante, para esse peito roído, para essa vida poeta que levo em negros rios. São olhos, menina. São olhos de quem sangra, são esses que te olham, te vigiam, te condenam por despertar anseio, desejo, tudo isso que me faz esconderijo de liberdade, de sentimento seu. Vem e pega. Arranha o poeta, se tem medo, vai e come meu desespero.
Tu és forte demais para minhas palavras, onde te coloco, quebra um verso e liberta um sentimento. Por que faz isso? Por que és em minha vida o que demais amo, o que demais tenho fé, por que é em mim o que demais reluz, o que demais vive...?
E pelas ruas quem me vê sabe que tu és o que demais me move, o que demais foge... Entre meus passos... E tu és caminho demais que se encontra com minha estrada de terra... Tu és o que digo e o que calo. Tu és poesia e quando quero és apenas o que quero.

By Camila Passatuto

domingo, 30 de maio de 2010

Cor

Cor de pele é coisa estranha
E qual a cor da sua alma?
Cor do olho enfeitiça
Mas qual a cor da sua alegria?

Ver o que é
É quase mentira
A verdade, crua e quente...
A gente sente.

Seu dinheiro é azul,
Sua necessidade é negra
E quem vê o sorriso
Engana-se, é infeliz...

Não basta nada disso.
Evidências,
Ver o que é
É quase mentira.

Então, corro apressado
Quero seus olhos
Olhando o que sou
E sentindo o que não vê.

Cor de gente, nem sempre,
Nem sempre é bonita,
Mas a minha com a sua
É coisa mais divina.

O governo tem cor,
A cor da desilusão
Dos sonhos que tivemos...
Acabaram... Com gente sem um tostão.


Então, corro apressado
Quero seus olhos
E não ver as lágrimas
Quero sentir abraço.

A poesia chega ao fim,
Sem cor na roda das cores.
Branca e solene...
É poesia simples, é coisa da gente.

By Camila Passatuto

domingo, 23 de maio de 2010

Coisas Nobres (Samba)

Recuso qualquer coisa,
Vou lá fazer uma fé
No jogo de algum bicho
Ou no samba do seu Zé.

E se você aparecer
Logo arrumo um trocado
Te levo para um canto
E vamos beber um bocado.

Recuso qualquer coisa,
Só verso assimétrico que pode.
Só que hoje bateu desespero,
Mas vamos beber e nada de bode.

Caso caia da polícia aparecer,
Não se preocupe.
Sozinho eu te protejo,
E larga essa coisa de trupe.

Vou lá fazer uma fé
Se ganho, pode crer
Vai ter muita grana
Só pra mim e pra você...

By Camila Passatuto

sábado, 22 de maio de 2010

Fome, poeta.


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Pela calçada quebrada, são meus passos,
Na cabeça do matador, são meus rastros.
Os doentes que esperam não me leem, não.
E famintos que esperam não te condenam, são.

Pela mesma situação, eu escrevo e você lamenta.
Quais atos valem e rege qualquer rima, poema...?
Que a escrita seja liberdade, mas para quem?
Que seu calibre seja vida, mas para quê?

Venham, pobres, poetas,
Pensadores de desconhecidas razões.
Abram alas para esse povo
Que de grande só tem o coração.

Pela calçada quebrada, são meus passos,
Pelo folhear de páginas, olhos descalços
Que sentem na alma o poder de cada verso.
E famintos que me esperam não me condenam.

Venham, pobres poetas!
Venham, assassinos!
Venha quem tem fome de saber se tem arroz,
Poesia e prosa. Comam, sonham e digiram só depois...

By Camila Passatuto

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ser


Pulo da paz à guerra em um segundo, sou impassível, sou duelo de civis em nação de escravos, de coitados e poderosos reis.

Pulo do amor ao ódio em um segundo, sou imperfeito, sou sentimento pesado demais para quem tem medo de verdade da verdade.

Ah! Sou mais que o vento quando tu estás aqui, sou tempestade de alegria. Ah! Sou temporal violento em seus braços, sou assim... Chuva forte, lágrima suave...

Ninguém pode acalmar minha tristeza, ninguém pode calar minha alegria e nem abafar meu amor... Sou assim... Implacável.


By Camila Passatuto

domingo, 2 de maio de 2010

Obra Minha

Uma obra incompleta.
É o que estava jogada no sofá,
Olhos descontentes,
Simples e carente.

Viu-se manchada
Das cores de um dia
Em praça, em graça
Descontente, irritada.

O ar pesado incomodava
Corpo forte
Alma fraca
E o que pedi foi quase nada.

Venha. Seja
Obra que meus dedos
Inquietos
Dedilham.

Transformo em ti
Tudo em nada.
Medo
Agora é risada.

Viu-se manchada
Das cores de um dia
Em praça, sem graça
Suspirando apaixonada.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Comédia de Vida (Deus foi bom comigo)

Deus foi bom comigo,
Poderia me jogar em qualquer parte do mundo,
Mas por capricho me largou aqui...
Sonhador e arquiteto dos sentimentos.

Deus foi bom comigo,
Poderia me ceder o brilho da beleza na juventude,
Mas por safadeza me deixou assim
Mais belo a cada dia que envelheço.

Deus foi bom comigo,
Ele bem que poderia dar-me o poder de cura,
Mas por estratégia divina
Fez de meu olhar bálsamo e de minha voz poder.

Deus até que foi rígido comigo
Tirou minhas esperanças,
Mas colocou em cada esquina uma garrafa
E em cada garrafa uma esquina.

Deus foi bom comigo,
Deixou tanta gente para trás,
Mas comigo ele fez diferente...
Lançou-me à frente, mesmo eu sem saber como comandar tropas

Deus foi bom comigo,
Mas por capricho...
Quis ver alguém sofrer por amor.
Colocou-te do outro lado do inferno.
.....................................................................................
Tirou minhas esperanças
Colocou-te do outro lado do inferno
Mas por capricho me largou aqui...
Lançou-me à frente, mesmo eu sem saber como te encontrar.

Fez de meu olhar bálsamo, de minha voz poder
Então pude te achar por estratégia divina
E te dar o amor...
Amor que se torna mais belo a cada dia que envelheço.

By Camila Passatuto

domingo, 25 de abril de 2010

Desliga a Verdade


Meu filho, olhe a verdade pelo vão da porta.

Sua humanidade descobriu como ser falsa,

Agora grite enquanto tem tempo, amanhece.

Os papéis e a juventude não se combinam.


Repare nas mãos trêmulas do escritor,

Ele tenta se libertar artesanalmente

E as garotas fumam do lado de fora.

Agora corra enquanto é homem, chore.


Os prédios, as pessoas, os sons, o dia,

Sua humanidade esqueceu como respirar

E você correu atrás de falsa liberdade,

Repare no cinza da sua alma, ame.


Os papéis e os espertos se combinam.

Meu filho, suporte a dor e se liberte,

Pois os temas serão sempre os mesmos.

Agora desliga a verdade e vá dormir...



By Camila Passatuto

sábado, 17 de abril de 2010

Poema doente


Não consigo escrever

Existe um vazio em mim

Um susto, um estado de choque

Não consigo

Desculpe-me

As palavras não têm vontade de moldar

Na cadeira

Com o lápis e papel

Possuídos

Mãos que não conseguem parar de tremer


Não consigo escrever


Pensamentos morreram

O som não inspira

Ácido demais

Tudo isso

Dá queimação


Um estado de choque bateu em mim

Desculpe-me


Criança assustada

Chora

Abraça um trauma por toda vida


Poeta assustado

Pára

Beija um desespero a cada minuto

Na cadeira

Com o lápis e papel


E se você passar

Por perto de mim

Descalça e sem sentido

Saiba que não consigo


Beije-me os lábios

E se você quiser salvar

Coloque-se em meu colo

Tire meu susto


Não consigo escrever


Olhos não vão estreitos

E sim largos, (ou lagos)

De lágrimas

Sou poeta assustado


Sozinho

Sem bar

Sem mar

Sem tudo isso que dá queimação


Não consigo escrever


Peça insensata incutida

Nos moldes simples

Da minha fé

E não consigo, meu amor...


Eu simplesmente não consigo escrever.


By Camila Passatuto

quinta-feira, 15 de abril de 2010

douleur

Não existe ação, não existe mais nada agora. Por onde posso andar se não tem sua mão para guiar. Não existe vida em minha vida, é essa tristeza... Tristeza de ser assim como sou. Certa demais, leal ao extremo, sonhadora sem escrúpulos. Isso deve assustar, incomodar... O tom firme para até nas horas que mais dói, para além da dor que por dentro não só corrói... Mata. E os inimigos me atacam, amor. Foram tantas flechas injustas sobre meu corpo, e por onde vai você nessas horas, eu tenho medo... Eu tenho dor.

Vou me cegando de tanto trabalhar, alienando-me de mim, da minha dor... As horas não podem passar limpas, tenho que me ocupar, não mais pensar... Solução essa de não mais sofrer. E o quanto isso é difícil, rimas, só eu posso dizer.

O frio volta e não quero proteger meu corpo, deixa assim... Secando e abrindo fendas em mim. Não ligo não me sou importante se tenho que viver só para mim. Deixa assim, mesmo que eu não queira, vou me sumindo... Aos poucos e quando a fraqueza consumir minha carne eu vou... Vou voar livre de corpo, mas presa em tudo que me pertence...

Não existe ação, não existe mais nada agora. E os inimigos avançam, os amores recuam... E eu me encolho num canto qualquer, chorando baixinho, com a única coisa que me abriga...

a dor.


By Camila Passatuto

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