sábado, 21 de novembro de 2009

Poesia Matinal

Acordei com sua lembrança roçando minha pele, seu peso sobre os meus seios e seus lábios acariciando minha boca, e isso foi me despertando da mortificada noite.
De tão real, eu deixei escapar seu nome com o soar da minha voz matinal, pensei que estivesse realmente ao meu lado despertando minha sonolência de mim. Te chamei mais uma vez e sorri, sabia que estava velando por mim, não sabia que era delírio, só entendia a sua presença certa aqui em nós.
Te senti mais um pouco, recordei aquele cheiro, aquela textura e o nosso silêncio.
Seu corpo ainda vinha contra o meu quando abri os olhos e nada vi, mas tudo sentia.
E sentei na cama, delírio maior foi fechar os olhos e poder escutar sua voz que recitava algum texto que nunca pude ler. E nessa hora que começo a ter medo de mim. Medo das necessidades, mas quem não necessita?
E delírio maior foi tentar dormir novamente, e delírio maior foi o queimar de corpo, a procura por um pedaço de você...
E só de olhar uma fotografia, e sentei na cama, e me perguntei se a vontade de chorar era algo infantil ou apenas uma fortaleza arcaica de mulher.
De tão real, eu deixei escapar seu nome e minhas lágrimas.
E não consegui mais nada, levantei e como quem sempre ama, comecei a te procurar pela casa, porque para mim eu acordei com sua lembrança roçando minha pele e você deveria estar em alguma parte da casa, esperando eu te encontrar.


São duas árvores
Mas olhe
Por mais fundo
Eu vejo
Emaranha
E existe

Uma só
Só uma
Uma só raiz.

Água
Falta
Mata
Uma
Mata
Logo
As duas.












Marginal amor
Sempre correto
Nunca mais foi
Eu permaneço
Como sempre
E queima
Você entende?
É infantil
É tão maduro
É o que sinto
Para você
Simples
Fácil
Leve
Leve-me
Para você
Sou infantil
Sou tão maduro
Como sempre
Para você.

By Camila Passatuto

sábado, 7 de novembro de 2009

La Paix


Parem de atirar, eu não suporto
Tanto barulho para pouco sangue
Parem de atirar, é que eu não gosto
Tanto orgulho aqui para pouco acaso

Parem de tentar, eu sei que é não
Tanto sonho para uma linda agonia
Parem de fugir, eu quero mais perto
Tanto de vazio para um corpo cheio

Parem de ser assim, é que preciso ser eu
Tanto rumor de felicidade para uma tristeza
Parem de tirar, eu preciso de muito e agora
Tanto se pede para alguém que nada escuta.

Parem de me matar, é que dói
Tanto chorei ontem à noite...
Parem de mentir, é que fere
E tanto morri por hoje.

By Camila Passatuto

sábado, 31 de outubro de 2009

Mot

Eu não quero escrever, não quero me doer, não quero e não quero. É estranho, mas passa, arrasta, me leva e então procuro algo para fixar o meu sorriso que salva. Mas eu não quero rir agora, eu não quero achar graça das coisas, não quero repetir as mesmas mesmices, não quero procurar em mim mais uma palavra. Tudo foi dito, relido, feito, mal feito, eu fiz...
Já me falei e não me entendi...Agora, refalo, reinvento as palavras para encontrar alguma que me anime...Sempre existe uma que me levanta...Então sento e espero por ela...Espero.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ser

Mãe; quero viver escrevendo coisas bonitas, coisas lindas quando meu coração florescer por causa da menina e coisas tristes quando alguma escuridão me pegar no colo.
Mãe; quero fazer da palavra o que vou comer, quero assumir paixões, provocar o poder, inventar pátios de colégios e crianças rosadas. Desejo percorrer cada vez mais fundo nessa minha mente estranha e inacabada, achar monstros pré-históricos, deuses modernos e solidões comunitárias. Vou dedilhar e todos escutarão minha desajeitada melodia, um tec tec, o soneto que conto e conto seus versos, poesia e matemática, vou humanizar tudo isso, vou ser escritora de almas, compositora desapropriada, certa no que nos convém.
Mãe, ser jovem é ser isso, não se assuste, eu quero e tenho muita fome de tragar alguma coisa que vai lembrar Poe e me fazer gritar Huxley. E os olhos manchados dos que estão por aí vão ser inspirações que entrarão por esses poros úmidos e fecundarão em intelecto perigoso, em soma em soma, em suma...vou fazer sonhos, transformar o mundo, mãe. Da desilusão vou fazer poema, do choro do homem sozinho vou fazer respirações pararem, da criança morta no tapete vai renascer emoções e ensinarei o amor. Mãe, vou mudar o mundo, vou ser o que sempre sonhei. Vou escrever a história que os homens querem viver, vou ser isso que se lê, vou ser a pequena e eterna: palavra.

By Camila Passatuto
Bloqueando a seleção de texto em um site


sábado, 24 de outubro de 2009

Verdadeu

O dia mais abafado; gosto de tudo que não tenha a beleza realmente explícita, sem o sol e imaginando qualquer aparecer de necropsia para relatar um autoconhecimento. Gosto do que é bruto e sincero, se não houver sorrisos, melhor ainda, melhor se um risco marcar sua face e minha mão ser dia abafado de carinho.
Gosto de não dar conselhos, conselhos sempre são falsos, risos sempre acomodados em interesses. Gosto de cuspir sinceridade, fazer chorar e nascer realmente em felicidade. Ah! Como é bom ser nonsense, viver aqui como sempre, aqui em corpo, em mente... Só posso entrar, as chaves se perderam, entre pela janela como vândala e escorregue na simples palavra não dita. Gosto de tudo que não tenha o brilho inicial como maior destaque, me atiça alguma dor que me faz poeta, uma história que cative minha imaginação, um sofrer que vou curar com amor.
E tudo se abafa, quando companhia é palavra escrita. E tudo vai se repedindo, filme mal feito, reprise sonsa, mas vamos reinventando um novo roteiro para as mesmas cenas, e um novo fim para a mesma seqüência. Gosto de ser essencial, quem não pode oferecer que me mate antes de jogar quem escrever ao lixo, insuportável.
Gosto de não ser, morrer um pouquinho e esquecer-se de lembrar, imaginar. É, gosto de apenas não gostar dessas coisas bem feitas. Gosto de ser assim, verdadeiramente Eu.

By Camila Passatuto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Observações 1


Saudade dá frio. É estranho, o mundo lá fora suando e eu no casulo quente sentindo minha pele congelando, as mãos quase não se mexem, o peito amarga e contrai uma sensação de pós-choro. Talvez porque a alma esteja chorando, talvez porque a noite passada as palavras correram sem nenhuma direção e a solução seria você vir me aquecer novamente. Sem lembrar e sem esquecer.
Saudade dá sono. Os olhos pesam e queimam de vontade, os pensamentos voando em várias soluções, os sonhos que sua imagem sempre prevalece. Dormir para ver o mais perto de ti em mim, eu sonho e trago a realidade dele, saudade é sono.
Saudade dá vontade. Minhas notícias querem correr até você, proporcionar um orgulho maior e te fazer sorrir, suas palavras devem estar à procura de meus ouvidos e sua escrita anseia por meus olhos...e eles sentem, eles aguardam...

By Camila Passatuto

domingo, 18 de outubro de 2009

Desajeito

Acordo por obrigação, o meu dever não me atrai, o que tenho que fazer e aonde tenho que ir, tudo é tão vago, tão sem sentido.
As pessoas sempre tão as mesmas, sempre tão pessoas. Não existem mais anjos pelas ruas e eu quero ir embora daqui. Sentir-se deslocado no seu próprio ninho, pobre passarinho...Mas chegou a hora de querer dar a cara a tapas e florescer em outro jardim, talvez no seu jardim.
Não escutar o que a voz irritante tem a reclamar e a me desanimar. Não escutar o que tem a me humilhar e a me deprimir.
O peso disso tudo me esmaga, o cansaço do mesmo quarto, do mesmo correr de horas dos últimos 18 anos nesse mesmo incomodo lugar que me possui por desajeito de destino.
Isso não é mais meu, eu não sou mais disso...agradeço pelo ar que sempre tive aqui, mas hoje ele é escasso, o pouco que resta me conforta aos soluços.
Tudo me leva em lágrimas, não é tristeza...é desajeito de viver. Quando se descobre que não é mais isso, que seu tempo não corre mais aqui, sua alma pede outro reino, outro estreito de penar para voar.
A salvação vem de você, toda esperança que ganhei no cair de um olhar eu levo aqui comigo. E não importa o quanto de desespero queira nascer em mim, só preciso correr até você e renasço com a obrigação de ser feliz.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não!


Não! Não quero ser mero personagem irreal e sem propósito. Ah! Tenho tanto o que gritar, mas, não tenho necessidade de fazê-lo: o grito. Grito, voz que nos esparrama, como confetes de um passado carnavalesco, voz que nos tira energia, explode e aos poucos se cala. Tenho tanto o que gritar, mas tenho tanto o que fazer eterno que seria pecado dar a luz em grito.
Não! Não me peçam para fazer isso, é tão cruel da parte de vocês, estão obrigando o que nasceu de fogo se aquietar em ar manso e úmido, umidade que me faz sem ar, mansidão que deixa tudo tão longe de mim. Tão longe, baby! Quero o ritmo que encontrei por ali e o clima que criei com meu corpo sob corpo dela, eu quero.
Não! Não venham querer abrandar qualquer vestígio de lágrimas, deixe que rolem, deixe que sejam minhas por querer e sem censura, me deixe ser triste na medida do possível e feliz sem margens de erros, mas deixem, me larguem aqui e vão sumir em seus caminhos que nem mesmo existem, vou ficar aqui esperando a cota de tempo acabar, vou ficar esperando o tempo de ser feliz e ir ressuscitando a cada manhã o falso carinho por aquilo que não me cativa. Ah!
Tão longe é tão difícil e só de pensar, e só de querer, e só de viver me vem a vontade de estar mais perto. Não! Ainda sou mero personagem irreal e sem propósito, ainda estão obrigando e ainda fico esperando a cota de tempo acabar. Ser personagem no papel com os olhos úmidos, complica e estraga; ser prisioneiro em liberdade, aliena e fere; ser quem espera no porto por dias que estarão completos, escreve e se faz personagem. Sim!

By Camila Passatuto

sábado, 19 de setembro de 2009

Tanto

O corpo não mais suportava o tanto de alma que ali estava, precisava se emanar, se dissipar de liberdade. Uma liberdade de comprometimento e soltura. Ali a angústia dominava o engatinhar depressivo de seus pensamentos, andava sem os pés e pensava sem a consciência, o que guiava era apenas um querer estranho, misterioso e certo de ações.
O corpo não suportava tanto mar, olhares que de acolhedor só tinham o piscar e o fechar de indiferença. Passos, braços e correu para longe. Deixou e se foi, foi e se deixou um pouco, era preciso encontrar a barreira que do chão não visualizava, quis subir o mais alto possível, queria escalar até perder o que restava de ar e vida.
Os movimentos eram mais que estáticos, apenas o coletivo que o acompanhava é que o fazia parecer móvel, o olhar não cessava e a respiração escassa era o que de mais romântico estava presente, era o que fazia a tristeza algo mais que belo, mais que grego, mas um tanto parisiense.
Subiu, olhou...encontrou muros por todos os cantos daquele mundo em que se incutia mais e mais, observou buracos entre os seres, buracos de desconhecimento, de medo e injustiças. Conseguiu encontrar ouro sobre as cabeças de algumas pessoas que corriam perdidas para direções diferentes, talvez sejam esses os verdadeiros chefes, os verdadeiros mestres, mas estão perdidos, incompreendidos e perseguidos por leis que os julgam como loucos modernos, descontentes prazerosos e construtivistas complexos...seriam esses os verdadeiros donos da tão procurada razão? Não sabia responder, o corpo estava prestes a cair da imensidão, não suportava mais tanto ar...e o que suportaria? Abriu o peito e por um instante precisou comer-se de literatura, foi poeta pela última vez. Se jolgou, caindo e percebendo o tanto de oportunidades, o tanto de liberdade que sempre teve e que de tantos ques se perdeu entre entrelinhas, poemas antigos e manuscritos eternos.
Não restava mais nada, além do que contemplar o cair de corpo, o amar de segundos e a certeza de tanto.




By Camila Passatuto

domingo, 13 de setembro de 2009

Correspondência Poética


Caro Amigo,
Percebi que minhas palavras perderam o foco e se deixaram guiar pela bagunça. A arte me esgotou e agora o que tenho a oferecer são apenas fragmentos salgados e pontes de ponta cabeça.
Hoje me coloquei em frente ao espelho, notei as paralelas nascendo em minha fonte, em instantes o rosto estava molhado, a maquiagem saia, junto com ela toda a inspiração. Ainda com a face úmida, corri para a sala e me estirei no tapete feito um gato gordo e velho que só espera por mais um afago do tolo dono.
Percebi que não se pode ser poeta todos os dias, não se pode ser ator em todas as cenas, não se pode pintar o céu com a tinta azul...
Ao levantar reparei no telefone, talvez uma ligação acabaria com o tédio e nasceria ali a decepção para criar uma obra prima. Um passo adiante e a porta estaria aberta, não ousaria sair, pois ao sentir o sol da manhã a morbidez necessária sumiria.
Caro amigo, o ridículo da palavra me assusta, hoje o silêncio completa o papel, a lapiseira se tornou instrumento obsoleto para o que sinto, sinto...sinto que já foi dito tudo, as metáforas me tão ânsia, o estilismo virou modismo, ismo em esmo...
Amigo, espero que ainda sobre paciência em sua alma para aturar minha decadência poética...
O nulo me consome,
Repetições feitas.
Minha fuga ali,
...correspondência .
By Camila Passatuto
05/03/08