Biografia da Autora
Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).
Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Política, Senhor!
Que pena.
Aos passos rasos e confiantes, se colocou diante de todos.
Não havia discurso, não havia mais nada depois de tanta luta; apenas aquela vontade tamanha que poucos iriam entender.
Então, falou firme: Eu amo esse país.
E bastou.
Desconfortou quem não podia, encheu de pavor quem nunca temia.
Suspirou.
Nada queria e de nada adiantaria convencê-lo...
- Amigo, Política é zelo, fama, grana... No bolso de quem engana, na vontade de quem profana.
E de nada adiantaria...
Aquilo que parecia um resto de homem com a mente sã, ou um resto de mente em um homem são...
Não era uma nem outra situação.
E todos pararam. E ele continuou.
Por coisa qualquer para seu país, por aquilo que chamo, firmemente de: Amor.
By Camila Passatuto
terça-feira, 17 de agosto de 2010
É Vida
Por menos que eu pense, é sempre mais.
Por mais que você fuja, é sempre menos;
Menos espaço entre as tais almas, mortais.
Por mim e por nós, nada embaça, alivia...
Meninos que almejam um troco, esquina.
Velhos que se bebem
Tudo plenamente certo, no errado, é vida.
Respiro essa angústia somente por mim...
É vida que não cala o meu horror a tudo,
Por você e seus dejeitos de ancorar, sim.
Em mim se fez cicatriz, fui porto, fui sim.
Por mim e por nós, quem dispara emoção?
Senhores de cartolas bem postas na cabeça,
Senhoras em vestidos cúmplices de nobreza.
Suspiro a maldição que vem em brisa, ria.
E tudo plenamente certo, no errado de
nossas vidas.
By Camila Passatuto
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sobre
E pensar no ritmo, tão falado, tão temido
Não sei se falo o que penso ou invento algo logaritimando, rimando, inventando...
O que a certeza me consome, ou nutri, é o querer, o implorar de desejos, o não caber-se em si, é o ato, é o que demais volátil há... Não materializo palavras, nem quero...
Pelo passo que caminha cada vida de meu dia, de minh’alma, um tanto achada, outro tanto esquecida, por isso e por mais nada, havendo posse de meios... Ah, musa, eu escrevo.
Verbalizo e nomeio, no canto de qualquer papel, qualquer vontade, qualquer fina saudade.
Que salve, que mate, que realce em nós, humanos, o mais simples desfalque que faz um mar em centímetros rolar na face lânguida de um perdido leitor, antes mesmo, escritor.
Se já basta é porque nunca foi escassa a tal poesia que todo dia o poeta, doente de palavra, caça.
Não basta sentar e digitar... Porque o que o universo pede é coisa grande, pede é coisa da alma de gente simples, que chora e resmunga, como qualquer outra, só que por motivos casuais nasceu com um karma a mais na vida, que é se refazer em poesia.
By Camila Passatuto
domingo, 8 de agosto de 2010
Ladino de rua
Andei pelas ruas
Já descrevendo,
Já escondendo,
Ouvi histórias.
Velhos sorrindo.
Novos, não mais,
Sabe-se lá como,
Reagindo.
Um enredo falso
Cantarolei aqui.
O sol quente
E Cartola, sorri.
Andei mais ali
Entrei em igreja
Sai feliz de bar
Senti certeza.
E de vida vazia
Não morrerei.
Ando triste,
Mas ando, sou rei.
Roça, mar, deserto,
Cidade...
Com ou sem amor
Por perto.
Andarei longe
Sem futuro
Sem medo,
No escuro...
Procurando
Sem achar
Palavra,
Verbo. Amar.
Andarei com você
No pensamento,
No livreto...
Ah! Livramento.
Pelas ruas, ando,
Conheço o sofrer...
Felicidade aqui
Por poder, isso, escrever...
By Camila Passatuto
domingo, 1 de agosto de 2010
Pula
Falaram que não mais, não...
Não parte da poesia da vida
Amigo, por onde cai tua alma?
E dos versos matinais, urbanos,
Fora de leis conscientes...
Foi o primeiro poeta que conheci.
E de nossa infância... O que foi que esqueci?
Dos litros que se fumou, delírios.
Das gírias que ninguém prevê.
Dos rumos estranhos,
Eu me salvei... E você?
Falaram que se fez anjo,
Pulou da ponte mais alta.
Sentiu o que poetizamos,
Distintamente... se fez alma.
Hoje a rua perdeu seu dono.
Ora marginal ora intelectual.
A polícia te temia.
O vagabundo te enaltecia.
É, meu amigo, se foi...
D'onde foi que tomou coragem?
Para uns é marginal
Para outros; capa de jornal.
Alguma outra droga fácil
Envolveu teu corpo, eu sei.
Não mais covarde. Pula!
Parte em paz, sem vida futura.
(Em memória de Guilherme França)
By Camila Passatuto
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Alforria
Quanta liberdade ainda nos resta?
São fases, meu amigo, sem cartazes,
Sem dizeres do suposto fim.
Correm crianças calçadas...
No portão, conversa descalça.
Não mais importante pensar.
Agora se é livre para sonhar.
Nos colégios o que se ouve?
O que houve com a vitalidade?
São jovens, por pouco, covardes;
Filhos dos filhos da tal liberdade.
Verso se perde em entulho,
Cospem em pensamentos...
Querem nada que sonha,
Liberdade pariu peçonha.
Pela rua em festa, o poeta.
Pessimismo de lado, exige.
Mais um gole a favor.
Mais um filho com temor.
E quem se prendeu ao obetivo...(?)
Corre por aí um sorriso.
Liberdade em alto estilo
Só por hoje não faz sentido.
By Camila Passatuto
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Não. (Poema nove meses)
Nem bebi da fonte de seus seios.
Não senti teus arreios, que pena.
Não fui alarme de sonhos teus.
Não implorei sua atenção nos domingos.
Nem te ofereci a felicidade do que fui,
Não desobedeci tuas regras,
Não rimei teus palavrões.
Não te coloquei o primeiro fio branco,
Que em ti foi alarde.
Não vomitei em teus pés...
Nem chorei para que comprasse chocolate.
Não me viu cair a primeira vez
Nem à segunda
Nem no infinito sábado de aleluia.
Não sonhou que eu fazia fortuna.
Não corrigiu meu português...
Nem nada
Que todas fazem...
Todas iguais. Iguais a você.
Não te grito sonoramente.
Não te assino formalmente.
Mas quando abraça, me sossega
E de meus lábios a palavra 'Mãe' quase escorrega...
By Camila Passatuto
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Menina
De suas lágrimas
Fez-se o lindo lago
Que te banhas feliz.
Olha, minha menina,
Curei as cicatrizes...
A pele está macia,
Agora acaricia.
Olha, menina linda,
Abre teu sorriso,
É nisso que eu
Sempre me inspiro.
Olha, menina minha,
Me inventa
Me ausenta.
Policia minhas malícias.
E caso o acaso quebrar
Os sonhos dos versos...
Lembra, minha menina,
Tudo na vida reinicia...
By Camila Passatuto
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Prosa Morta
Gemia em fêmea dor, menina.
O corte profundo de alma, resolve.
Aquela agonia respeitável, amém.
Sobre meus ombros, seus açoites,
Sem minhas rasas rimas, a noite.
Seu sangue ralo, minha loucura densa.
Geme fêmea. Repete versos, elegância.
Horda inversa, devora meu silêncio.
Treme reajuste descalço. Eu tremo.
Virgem, o quanto custa?... Sangra.
Seu sangue ralo, de alma o corte, resolve.
O corpo todo tremia, estremecia,
Mal eu sabia em noite de esquiva
Que o corpo que, ali, em mim caia
Era prosa de mulher, prazer sem poesia...
By Camila Passatuto
terça-feira, 22 de junho de 2010
Jaz (Corpo Poético)
O que jaz,
O que traz,
O que o corpo ainda suporta.
Adentrando fria
Cada centímetro
De dor, rancor,
De palavra na derme, escrita.
Verso neófito.
Verme,
Verte em nós
Arte livre em necrópole.
O que jaz,
Poeta,
É o que traz... Em ti...
Ferida, assim, imposta...
By Camila Passatuto
domingo, 13 de junho de 2010
Haicai Noturno
mas estou noite.
Loucamente estrelada...
Que a lua me açoite.
By Camila Passatuto e Evandro Gomes
sábado, 12 de junho de 2010
Pedido
Ninguém está aqui para escrever o que parece estar escrito.
Não estou aqui
Se pareço presente é para talvez ser eterna n’algum tempo.
Não escrevo
Tudo o que se diz palavra é fundo sentimento.
Não pense errado
Não me digo em canções, não me afirmo em sonetos... Nem nada.
Não maltrate, nem beba veneno
Leia e perceba qual encanto nutre seus olhos, depois apareça, me conte.
Não ligue para os primeiros versos
Sempre a segunda linha que mira tua alma é fagueira, sorrateira... Envolve-te.
E Ninguém está aqui para escrever.
Escrita é uma coisa,
O que faço é outra.
Permito que seja efêmero o que digo.
Se te pertence,
Canta.
Leva contigo,
Mas cante para sempre.
Caso contrário
Mata o que inspiro.
By Camila Passatuto
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Vale do Diabo
Onde surge poesia.
É cada passo adiante, um olhar focado por ali mais distante, não repara... É reparado, moldado e enfeitado de acasos.
Segue o poeta. Passarelas e teatros municipais ilustram a pintura cinzenta que oferece a quem vê, a quem lê... A quem sabe poesia, a quem vive por entre espíritos rodantes e moradores do vale do diabo.
Poeta Anhangabaú, triste de nascença. Sorri com olhar quebrado, tem medo do escuro, porem navega no breu das entrelinhas.
Sabe-se. Duvida-se. Pergunta-se. Mente-se.
De meias palavras. Inteiras mulheres. Repleto de espírito.
Move-se inconstante por simplicidade depressiva, alegria efusiva, amores singulares, amor de vida, amor de morte... Poeta Anhangabaú, senta nas escadarias da Praça Ramos de Azevedo, sem papel, sem escrita e faz da solidão e do mistério a mais sensata poesia. Para os transeuntes, para os negros felinos, para os leprosos e meninos.
Mais (r) adiante. A galeria.
De quantas melodias se compõe uma vida, sua dissonante vontade exige passos tímidos por entre jovens coloridos.
Rolante. Escadas. Guitarras.
Poeta distraído faz um verso sem querer entre as pernas da garota. Saia justa, texto amplo e sua mocidade não tradicional o expulsa do fatídico local.
É na rua. Poeta procura a musa. Tão distante. Inferno de Dante.
Rua úmida. Capital escura.
Poeta Anhangabaú, sozinho, doentio, vestido de palavras... Nu de razão.
Poeta Anhangabaú. Seu. De meias palavras, de palavra nenhuma, de verbo deslocado e do sempre vale do diabo.
By Camila Passatuto
domingo, 6 de junho de 2010
Poeminha Feio
Vou ser simples em meus versos,
Vou ser o que estou... Verso triste.
Um pedaço de saudade, verso livre.
Um imenso de amor, verso, verso...
Tanta coisa para falar,
Mas quer silêncio.
Sou de som,
Sou de falar quando estou triste.
E o verso fica descabido no poema
Fica feio
Fica como estou
Jogado e assustado.
Não tem rima, não.
É simplicidade de poema.
Não tem forma.
É conteúdo triste de poeta.
Ah! Eu devo gritar por você,
Pedir aos deuses algum licor.
Clamar o quê? Nada mais de dor?
Fica feio...
Vou caminhando em versos simples
Sem métrica
Sem nada de pensar
É só sentimento... É amar.
Fica feio,
Devo por arreio nisso tudo.
Mas talvez depois...
Quando isso em mim se for.
E se o verso fica descabido,
O que cabe a mim?
Digo que sofro?
Mas fica feio...
Chama poeta de chorador
Inventor de palavras
Dramático velho
Desajeitado sonhador.
E assim vou
Triste, desbravador e assumido
E assim fico
Feio, meio ao meio... Esperando abrigo.
By Camila Passatuto
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Musa
Tu és forte demais para minhas palavras, onde te coloco, quebra um verso e liberta um sentimento. Por que faz isso? Por que és em minha vida o que demais amo, o que demais tenho fé, por que é em mim o que demais reluz, o que demais vive...?
E pelas ruas quem me vê sabe que tu és o que demais me move, o que demais foge... Entre meus passos... E tu és caminho demais que se encontra com minha estrada de terra... Tu és o que digo e o que calo. Tu és poesia e quando quero és apenas o que quero.
By Camila Passatuto
domingo, 30 de maio de 2010
Cor
E qual a cor da sua alma?
Cor do olho enfeitiça
Mas qual a cor da sua alegria?
Ver o que é
É quase mentira
A verdade, crua e quente...
A gente sente.
Seu dinheiro é azul,
Sua necessidade é negra
E quem vê o sorriso
Engana-se, é infeliz...
Não basta nada disso.
Evidências,
Ver o que é
É quase mentira.
Então, corro apressado
Quero seus olhos
Olhando o que sou
E sentindo o que não vê.
Cor de gente, nem sempre,
Nem sempre é bonita,
Mas a minha com a sua
É coisa mais divina.
O governo tem cor,
A cor da desilusão
Dos sonhos que tivemos...
Acabaram... Com gente sem um tostão.
Então, corro apressado
Quero seus olhos
E não ver as lágrimas
Quero sentir abraço.
A poesia chega ao fim,
Sem cor na roda das cores.
Branca e solene...
É poesia simples, é coisa da gente.
By Camila Passatuto
domingo, 23 de maio de 2010
Coisas Nobres (Samba)
Vou lá fazer uma fé
No jogo de algum bicho
Ou no samba do seu Zé.
E se você aparecer
Logo arrumo um trocado
Te levo para um canto
E vamos beber um bocado.
Recuso qualquer coisa,
Só verso assimétrico que pode.
Só que hoje bateu desespero,
Mas vamos beber e nada de bode.
Caso caia da polícia aparecer,
Não se preocupe.
Sozinho eu te protejo,
E larga essa coisa de trupe.
Vou lá fazer uma fé
Se ganho, pode crer
Vai ter muita grana
Só pra mim e pra você...
By Camila Passatuto
sábado, 22 de maio de 2010
Fome, poeta.
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Ser
Pulo da paz à guerra em um segundo, sou impassível, sou duelo de civis em nação de escravos, de coitados e poderosos reis.
Pulo do amor ao ódio em um segundo, sou imperfeito, sou sentimento pesado demais para quem tem medo de verdade da verdade.
Ah! Sou mais que o vento quando tu estás aqui, sou tempestade de alegria. Ah! Sou temporal violento em seus braços, sou assim... Chuva forte, lágrima suave...
Ninguém pode acalmar minha tristeza, ninguém pode calar minha alegria e nem abafar meu amor... Sou assim... Implacável.
By Camila Passatuto
domingo, 2 de maio de 2010
Obra Minha
É o que estava jogada no sofá,
Olhos descontentes,
Simples e carente.
Viu-se manchada
Das cores de um dia
Em praça, em graça
Descontente, irritada.
O ar pesado incomodava
Corpo forte
Alma fraca
E o que pedi foi quase nada.
Venha. Seja
Obra que meus dedos
Inquietos
Dedilham.
Transformo em ti
Tudo em nada.
Medo
Agora é risada.
Viu-se manchada
Das cores de um dia
Em praça, sem graça
Suspirando apaixonada.
By Camila Passatuto