Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).

Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.

Contato: camila.passatuto@gmail.com


sábado, 7 de novembro de 2009

La Paix


Parem de atirar, eu não suporto
Tanto barulho para pouco sangue
Parem de atirar, é que eu não gosto
Tanto orgulho aqui para pouco acaso

Parem de tentar, eu sei que é não
Tanto sonho para uma linda agonia
Parem de fugir, eu quero mais perto
Tanto de vazio para um corpo cheio

Parem de ser assim, é que preciso ser eu
Tanto rumor de felicidade para uma tristeza
Parem de tirar, eu preciso de muito e agora
Tanto se pede para alguém que nada escuta.

Parem de me matar, é que dói
Tanto chorei ontem à noite...
Parem de mentir, é que fere
E tanto morri por hoje.

By Camila Passatuto

sábado, 31 de outubro de 2009

Mot

Eu não quero escrever, não quero me doer, não quero e não quero. É estranho, mas passa, arrasta, me leva e então procuro algo para fixar o meu sorriso que salva. Mas eu não quero rir agora, eu não quero achar graça das coisas, não quero repetir as mesmas mesmices, não quero procurar em mim mais uma palavra. Tudo foi dito, relido, feito, mal feito, eu fiz...
Já me falei e não me entendi...Agora, refalo, reinvento as palavras para encontrar alguma que me anime...Sempre existe uma que me levanta...Então sento e espero por ela...Espero.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ser

Mãe; quero viver escrevendo coisas bonitas, coisas lindas quando meu coração florescer por causa da menina e coisas tristes quando alguma escuridão me pegar no colo.
Mãe; quero fazer da palavra o que vou comer, quero assumir paixões, provocar o poder, inventar pátios de colégios e crianças rosadas. Desejo percorrer cada vez mais fundo nessa minha mente estranha e inacabada, achar monstros pré-históricos, deuses modernos e solidões comunitárias. Vou dedilhar e todos escutarão minha desajeitada melodia, um tec tec, o soneto que conto e conto seus versos, poesia e matemática, vou humanizar tudo isso, vou ser escritora de almas, compositora desapropriada, certa no que nos convém.
Mãe, ser jovem é ser isso, não se assuste, eu quero e tenho muita fome de tragar alguma coisa que vai lembrar Poe e me fazer gritar Huxley. E os olhos manchados dos que estão por aí vão ser inspirações que entrarão por esses poros úmidos e fecundarão em intelecto perigoso, em soma em soma, em suma...vou fazer sonhos, transformar o mundo, mãe. Da desilusão vou fazer poema, do choro do homem sozinho vou fazer respirações pararem, da criança morta no tapete vai renascer emoções e ensinarei o amor. Mãe, vou mudar o mundo, vou ser o que sempre sonhei. Vou escrever a história que os homens querem viver, vou ser isso que se lê, vou ser a pequena e eterna: palavra.

By Camila Passatuto
Bloqueando a seleção de texto em um site


sábado, 24 de outubro de 2009

Verdadeu

O dia mais abafado; gosto de tudo que não tenha a beleza realmente explícita, sem o sol e imaginando qualquer aparecer de necropsia para relatar um autoconhecimento. Gosto do que é bruto e sincero, se não houver sorrisos, melhor ainda, melhor se um risco marcar sua face e minha mão ser dia abafado de carinho.
Gosto de não dar conselhos, conselhos sempre são falsos, risos sempre acomodados em interesses. Gosto de cuspir sinceridade, fazer chorar e nascer realmente em felicidade. Ah! Como é bom ser nonsense, viver aqui como sempre, aqui em corpo, em mente... Só posso entrar, as chaves se perderam, entre pela janela como vândala e escorregue na simples palavra não dita. Gosto de tudo que não tenha o brilho inicial como maior destaque, me atiça alguma dor que me faz poeta, uma história que cative minha imaginação, um sofrer que vou curar com amor.
E tudo se abafa, quando companhia é palavra escrita. E tudo vai se repedindo, filme mal feito, reprise sonsa, mas vamos reinventando um novo roteiro para as mesmas cenas, e um novo fim para a mesma seqüência. Gosto de ser essencial, quem não pode oferecer que me mate antes de jogar quem escrever ao lixo, insuportável.
Gosto de não ser, morrer um pouquinho e esquecer-se de lembrar, imaginar. É, gosto de apenas não gostar dessas coisas bem feitas. Gosto de ser assim, verdadeiramente Eu.

By Camila Passatuto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Observações 1


Saudade dá frio. É estranho, o mundo lá fora suando e eu no casulo quente sentindo minha pele congelando, as mãos quase não se mexem, o peito amarga e contrai uma sensação de pós-choro. Talvez porque a alma esteja chorando, talvez porque a noite passada as palavras correram sem nenhuma direção e a solução seria você vir me aquecer novamente. Sem lembrar e sem esquecer.
Saudade dá sono. Os olhos pesam e queimam de vontade, os pensamentos voando em várias soluções, os sonhos que sua imagem sempre prevalece. Dormir para ver o mais perto de ti em mim, eu sonho e trago a realidade dele, saudade é sono.
Saudade dá vontade. Minhas notícias querem correr até você, proporcionar um orgulho maior e te fazer sorrir, suas palavras devem estar à procura de meus ouvidos e sua escrita anseia por meus olhos...e eles sentem, eles aguardam...

By Camila Passatuto

domingo, 18 de outubro de 2009

Desajeito

Acordo por obrigação, o meu dever não me atrai, o que tenho que fazer e aonde tenho que ir, tudo é tão vago, tão sem sentido.
As pessoas sempre tão as mesmas, sempre tão pessoas. Não existem mais anjos pelas ruas e eu quero ir embora daqui. Sentir-se deslocado no seu próprio ninho, pobre passarinho...Mas chegou a hora de querer dar a cara a tapas e florescer em outro jardim, talvez no seu jardim.
Não escutar o que a voz irritante tem a reclamar e a me desanimar. Não escutar o que tem a me humilhar e a me deprimir.
O peso disso tudo me esmaga, o cansaço do mesmo quarto, do mesmo correr de horas dos últimos 18 anos nesse mesmo incomodo lugar que me possui por desajeito de destino.
Isso não é mais meu, eu não sou mais disso...agradeço pelo ar que sempre tive aqui, mas hoje ele é escasso, o pouco que resta me conforta aos soluços.
Tudo me leva em lágrimas, não é tristeza...é desajeito de viver. Quando se descobre que não é mais isso, que seu tempo não corre mais aqui, sua alma pede outro reino, outro estreito de penar para voar.
A salvação vem de você, toda esperança que ganhei no cair de um olhar eu levo aqui comigo. E não importa o quanto de desespero queira nascer em mim, só preciso correr até você e renasço com a obrigação de ser feliz.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não!


Não! Não quero ser mero personagem irreal e sem propósito. Ah! Tenho tanto o que gritar, mas, não tenho necessidade de fazê-lo: o grito. Grito, voz que nos esparrama, como confetes de um passado carnavalesco, voz que nos tira energia, explode e aos poucos se cala. Tenho tanto o que gritar, mas tenho tanto o que fazer eterno que seria pecado dar a luz em grito.
Não! Não me peçam para fazer isso, é tão cruel da parte de vocês, estão obrigando o que nasceu de fogo se aquietar em ar manso e úmido, umidade que me faz sem ar, mansidão que deixa tudo tão longe de mim. Tão longe, baby! Quero o ritmo que encontrei por ali e o clima que criei com meu corpo sob corpo dela, eu quero.
Não! Não venham querer abrandar qualquer vestígio de lágrimas, deixe que rolem, deixe que sejam minhas por querer e sem censura, me deixe ser triste na medida do possível e feliz sem margens de erros, mas deixem, me larguem aqui e vão sumir em seus caminhos que nem mesmo existem, vou ficar aqui esperando a cota de tempo acabar, vou ficar esperando o tempo de ser feliz e ir ressuscitando a cada manhã o falso carinho por aquilo que não me cativa. Ah!
Tão longe é tão difícil e só de pensar, e só de querer, e só de viver me vem a vontade de estar mais perto. Não! Ainda sou mero personagem irreal e sem propósito, ainda estão obrigando e ainda fico esperando a cota de tempo acabar. Ser personagem no papel com os olhos úmidos, complica e estraga; ser prisioneiro em liberdade, aliena e fere; ser quem espera no porto por dias que estarão completos, escreve e se faz personagem. Sim!

By Camila Passatuto

sábado, 19 de setembro de 2009

Tanto

O corpo não mais suportava o tanto de alma que ali estava, precisava se emanar, se dissipar de liberdade. Uma liberdade de comprometimento e soltura. Ali a angústia dominava o engatinhar depressivo de seus pensamentos, andava sem os pés e pensava sem a consciência, o que guiava era apenas um querer estranho, misterioso e certo de ações.
O corpo não suportava tanto mar, olhares que de acolhedor só tinham o piscar e o fechar de indiferença. Passos, braços e correu para longe. Deixou e se foi, foi e se deixou um pouco, era preciso encontrar a barreira que do chão não visualizava, quis subir o mais alto possível, queria escalar até perder o que restava de ar e vida.
Os movimentos eram mais que estáticos, apenas o coletivo que o acompanhava é que o fazia parecer móvel, o olhar não cessava e a respiração escassa era o que de mais romântico estava presente, era o que fazia a tristeza algo mais que belo, mais que grego, mas um tanto parisiense.
Subiu, olhou...encontrou muros por todos os cantos daquele mundo em que se incutia mais e mais, observou buracos entre os seres, buracos de desconhecimento, de medo e injustiças. Conseguiu encontrar ouro sobre as cabeças de algumas pessoas que corriam perdidas para direções diferentes, talvez sejam esses os verdadeiros chefes, os verdadeiros mestres, mas estão perdidos, incompreendidos e perseguidos por leis que os julgam como loucos modernos, descontentes prazerosos e construtivistas complexos...seriam esses os verdadeiros donos da tão procurada razão? Não sabia responder, o corpo estava prestes a cair da imensidão, não suportava mais tanto ar...e o que suportaria? Abriu o peito e por um instante precisou comer-se de literatura, foi poeta pela última vez. Se jolgou, caindo e percebendo o tanto de oportunidades, o tanto de liberdade que sempre teve e que de tantos ques se perdeu entre entrelinhas, poemas antigos e manuscritos eternos.
Não restava mais nada, além do que contemplar o cair de corpo, o amar de segundos e a certeza de tanto.




By Camila Passatuto

domingo, 13 de setembro de 2009

Correspondência Poética


Caro Amigo,
Percebi que minhas palavras perderam o foco e se deixaram guiar pela bagunça. A arte me esgotou e agora o que tenho a oferecer são apenas fragmentos salgados e pontes de ponta cabeça.
Hoje me coloquei em frente ao espelho, notei as paralelas nascendo em minha fonte, em instantes o rosto estava molhado, a maquiagem saia, junto com ela toda a inspiração. Ainda com a face úmida, corri para a sala e me estirei no tapete feito um gato gordo e velho que só espera por mais um afago do tolo dono.
Percebi que não se pode ser poeta todos os dias, não se pode ser ator em todas as cenas, não se pode pintar o céu com a tinta azul...
Ao levantar reparei no telefone, talvez uma ligação acabaria com o tédio e nasceria ali a decepção para criar uma obra prima. Um passo adiante e a porta estaria aberta, não ousaria sair, pois ao sentir o sol da manhã a morbidez necessária sumiria.
Caro amigo, o ridículo da palavra me assusta, hoje o silêncio completa o papel, a lapiseira se tornou instrumento obsoleto para o que sinto, sinto...sinto que já foi dito tudo, as metáforas me tão ânsia, o estilismo virou modismo, ismo em esmo...
Amigo, espero que ainda sobre paciência em sua alma para aturar minha decadência poética...
O nulo me consome,
Repetições feitas.
Minha fuga ali,
...correspondência .
By Camila Passatuto
05/03/08

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Conto de criança n°1


A tarde toda brincando, o sol vai se escondendo e perdendo a sua força, mas parece que nós crianças vamos ganhando uma energia que vai e se multiplica com o passar das horas. Sempre a esse horário tem gente voltando da escola. Ah! Escola. Eu acho engraçado o pessoal mais velho da escola, eles são diferentes da gente. Nós não andamos em bando, apenas brincamos com todo mundo, fazemos amigos com facilidade, um pega-pega e uma brincadeira de esconder e pronto, amanhã nossa turma muda ou entra mais gente, é um eterno renovar.
Nesse brincar as pessoas acham que não, mas, fico reparando as pessoas que passam pela rua. Olham a gente, acham engraçado, uns velhacos reclamam do barulho, os bêbados até querem entrar na brincadeira, mas temos medo e fugimos para o outro lado da rua.
Nesse meu reparar de pessoas um dia me surpreendi, se surpreender é que nem se engasgar com calda de pêssego, a gente se assusta, mas é gostoso. Mas voltando ao meu surpreender... Minha surpresa foi uma moça que mora aqui por perto, nunca havia visto uma pessoa tão diferente, diferente do modo bom. Ela anda com os pensamentos altos, tão altos que eu penso que posso ouvir. Corro para o seu lado e pergunto seu nome, com um olhar que mistura desprezo e carinho, ela responde: Monick. Monick poderia ser minha nova amiga, poderia brincar com a gente, ser mais uma no meu renovar de turma. Mas a Monick já é grande, grande como um dia eu vou ser, ela é misteriosa e tem o olhar mais misterioso que eu já vi. Ela nunca conversa muito quando eu a vejo passando por aqui, talvez seja tímida, tímida como eu sou quando mamãe me manda dar beijo nas visitas. Será que sou que nem visita pra Monick? Bom, a Monick é grande, mas pra mim só é grande de tamanho, ela é criança feliz, eu sei. Mas criança não usa brinco na boca e nem tem desenhos pelo corpo... A Monick tem tudo isso, todo mundo fala que é moderno, eu só acho muito bonito o modo como aquele piercing, como é chamado o tal brinco, brilha e faz com que eu não entenda como alguém consegue comer com aquilo, vovó sempre diz que gente do mal que usa isso, mas a minha amiga Monick não é do mal, ela só usa brinco na boca e eu acho muito bonito.
A minha amiga Monick, eu acho que ela é minha amiga eu gosto muito dela e amigos sempre se gostam... Não sei se ela gosta de mim, mas toda vez que estou na rua e a vejo chegando da escola eu corro pro lado dela, dou um grande abraço e falo para meu amigos: gente essa é a Monick. Ela fica vermelha de vergonha e parece não entender minha reação... Ah! Mas eu só quero que ela entre para a minha turma, para o meu eterno renovar de turma.

By Camila Passatuto

sábado, 29 de agosto de 2009

Nascer

Não acontece como deveria acontecer, o pensamento é quase inexistente, o querer está dentro de seu corpo, mas alguém alienou os sentimentos de revolta. O olhar no espelho mostra apenas pele e vontade, olhos sem nenhum vestígio de dignidade. Ao sentar para o café, a fome se alimenta de não estar, de um mal ficar permanente. A felicidade brinca demais com sua solidão, não é feliz longe de platéias, platéias que exijam sua agonizante felicidade.
Tudo começa a voltar a ser só metade, a ser um inacabado pensamento, um desfeito final... Sua abstinência machuca mais do que qualquer vício, coloca em ruína a concepção de qualquer projeto melodramatizado.
Não acontece, seu corpo sobrevoa, suas perguntas esqueceram do contexto, o seu contexto fugiu por alguma brecha da cabana. Procura telefones, investiga sobreviventes de sua amnésia momentânea; o que acha é apenas trapos de destinos possíveis em sonhos que desdobram por ali.
Ao clamar um nome, seu corpo cansado descansa de esperança, alguma salvação pode entrar pela porta, um anjo destemido e sem pudor. Ao permanecer diante de realidade, se assusta, imagina, replica... O anjo chega sem perguntas, o liberta de sua moralizante dor. Ao reclamar um nome, sua alma descansa cansada de angústia, nenhuma atormentação pode o tirar dali, um anjo destemido zela por ele.

By Camila Passatuto

sábado, 22 de agosto de 2009

Julho Breve*

Sob um sol envergonhado, uma brisa tão menina e o som ambiente mais que nulo, estavam lá. Eu nem percebia que em mim algo fazia parte, ela também não se esquivava da distância evocada naquele momento. Nossos corpos ali estavam, sob um sol envergonhado, uma brisa tão menina e o som ambiente mais que nulo, estavam lá.
Minha presença, junto com a dela, desfalecia em pleno inverno tropical. Eu voava, ela talvez estivesse imersa em sonhos ou sofrimentos, mas eu voava na imersão da garota e não importava qual fosse, eu sei que estava ali, em lugares que nunca percorri, mas ela me guiava com a respiração e me protegia com o simples não querer de acontecimentos.

By Camila Passatuto


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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fobia Minha

Não quero me afogar. Sentir. Conter-me de água, não quero me desesperar quando começar a afundar. Sentir e ressentir esse medo, quero sair seca do excitante mar de desarmonia que formou ali por adiante de meus pés. Pés úmidos, as lágrimas caíram, me molhei de mim, me afoguei de eu.

O desespero ainda toma conta, como um pai atencioso toma conta de sua ninfa desprotegida. A água chega e me transcende de mim, me excita com a fobia de densidade, com essa física de números racionais e com a vida submersa que me deseja.

Tenho medo e procuro no espaço atemporal uma escrita que não confunda, mas que não se explique, que não me desaponte, mas é tarde...a água bate no peito, e tudo me aperta, a água invade o nariz e meus pulmões e tudo escurece. Não mais grito, não mais evoluo, não mais, nada...

E acordo. É sonho ruim. É tempo bom para aprender a nadar.


By Camila Passatuto

domingo, 9 de agosto de 2009

Escrita de saudade


Estou aqui, meus olhos percorrem o quarto, uma inútil tentativa.
Sua alma dança, etereamente, entre o brincar dos meus dedos e o chorar de um desespero que te clama.
Seu riso voa por esse ar, ar que sem você fica tão parado, estonteia e mortifica.
Estou mais em mim ou estou tão em você que me perco no ninho que sempre me criei, pois não tenho a latitude nem a longitude de seu corpo, corpo que me guia, corpo que procuro.
Estou aí, mais aí do que aqui, nunca aqui e sempre aí, em cada respirar, em cada detalhe de existir que você insiste em conduzir. Permaneço sendo constante, constantemente sendo sua por amor do amor, por tudo e por nada. Continuo crescendo e o que sinto continua a crescer, por motivos e sem motivos, por força do destino e por fraqueza de brisa que ainda não chegou.
Estou aqui, mas sem questão de estar, se faz sentido ou se deixa de fazer...sem o seu toque eu não consigo, sem o seu cheiro e o seu jeito...não tem jeito...estou aqui, mas sabe...mais aí do que aqui.

By Camila Passatuto

domingo, 26 de abril de 2009

Escrita 1802


Seu sorriso é o que me faz realmente feliz. Não importa se vivo rindo pelas ruas, se sua alma não consegue encontrar paz, minha alegria não se completa, talvez nem exista, se em você ela não se consagra.
Então, se algum dia sentir falta de algo, eu peço...tire de mim e se satisfaça por inteira.
Seu sorriso é o que me faz realmente feliz.
Hoje te ofereço toda a luz que emana, todo bom sentimento que minha alma possui; possui graças à você.
Hoje se sentir frio, leve todo o meu calor, mas sorria.
Se sentir medo, leve toda minha coragem, mas sorria.
Se houver lágrimas, leve todos os meus gestos carinhosos, mas sorria.
Se quiser gritar, pegue toda minha revolta, mas grite, mas mude, mas...sorria.
Se desejar cantar, leve meus discos e cante e dance sem vírgulas sem medo sem portas.
Se quiser amar, me leve em seus braços, caminhe comigo, me ensine, deixe tudo acontecer.
Mas sorria comigo.
Seu sorriso é o que me faz realmente feliz.
Então, receba todo o meu amor, se é piegas...se é muito fora de moda expor assim nossos sentimentos, não importa. Conselhos, conselhos, conselhos, conselho.
Todos somos meramente individualizados em corpos, mas leve minha alma, misture com a sua, nos faça e refaça, construa, brinque, sonhe e misture novamente; mas, meu amor, sempre sorria.
By Camila Passatuto

sexta-feira, 13 de março de 2009

Feito para ler.

Rádio ligado, o som do computador tocando outra canção, a tv me passando fúteis informações, a perna não para de balançar, os lábios mordidos, as unhas todas ruídas...
Parar de escrever e fazer o que tem que ser feito, pensamentos alternados e um esquecimento do recente minuto, dez coisas para administrar e um sentimento de descaso com o mundo. Um minuto depois...A revolução é a solução, mailing de influentes jornalistas, então só enviar a proposta já aceita, mas decorre em segundos a decepção de ser uma fatia de nada no livro dos desprazeres mundanos.
O que planejei para hoje? Deixar a memória e ler um livro...Cinco páginas e a concentração é inexistente. Escrever, mas esqueço a função da morfologia, não entendo os códigos e sou incapaz de formular uma frase.
Mais um minuto e desisto da respiração, interessante seria vegetar em área plana e analisar o que parece que nunca ouvi falar, porém sei na ponta da língua o que antigos sábios escreveram. Os espíritos sobrevoam, alguns se mostram grandes demais e o susto passa entre os vãos tímidos do éter.
Levanto e na sala me acomodo no sofá, mudo os canais...grito: Parem, existe algo errado...Mas deixe-me descobrir o que é.
Um copo d’água, passos para a cozinha, o líquido desce suave, retorno para sala e o controle some, estava entre os dedos, mas fantasmas existem, caro leitor.
No quarto a euforia toma conta, mas depois ela passa e me joga na mesmice sensação de embriagues autodidata. O ofício condena, então vago entre palavras tentando entender o que posso fazer para salvar a alma inquieta que o meu corpo abriga.
Abro os olhos, fecho as janelas...repenso em outra escrita, escrevo e a calmaria toma conta.
E agora o que resta é amar.

By Camila Passatuto

sábado, 8 de novembro de 2008

Mais uma de Saudade (Parte II)

Alguns passos e estaríamos do outro lado da ponte, a chuva, sem timidez, era cúmplice de tudo aquilo. Você atrasava os minutos, eu fugia em pensamentos e incutia em nós alguma esperança. A saudade iria nos engolir se por acaso eu traísse nosso momento, com você só a fuga, nada fugaz.
Ainda sentia seus lábios se arrastando sobre os meus, minhas mãos dominando seus movimentos. O mundo girava em anti-horário e não pude notar, seu olhar consumia toda minha atenção.
Algum sentimento divino retirava meus pés do chão quando ouvia seus dizeres de amor, o coração batia em ritmo acelerado e a alegria tomava conta do momento.
Mais alguns passos e estaríamos do outro lado da ponte, a chuva deixava mais romântica a minha dor, ao pensar que poderia soltar sua mão e assim desconhecer o calor, os passos não se cumpriam...
Levando-me ao ponto mais alto de sua montanha mais íngreme, você atrasava o mundo, sem se importar com ninguém, me colocou diante de sua beleza e me cedeu teu amor de forma tão divina que os deuses do Olimpo deixavam jorrar seu gozo por entre as nuvens.
O mundo naquele momento recebia dos céus o nosso amor, eu apenas me agarrava a você como uma criança aflita e carente de tudo que o universo me roubou.
Adormeci, sonhei, procurei em sonhos Dante, ele me levaria a você, pois já sabia o caminho...mas ele ignorava o meu medo e fugia para dentro de sua própria ilusão. Acordei e ao meu lado desfalecia a minha garota, sorri e alguns passos me separavam da porta, e alguns metros me separavam da carência, e alguns quilometros me aproximavam de mais uma...mais uma escrita...mais uma de saudade.





By Camila Passatuto




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domingo, 21 de setembro de 2008

Mais uma de Saudade (Parte I)

Guiando o carro, com um medo infantil, olhava sem parar para os retrovisores, as gotas de chuva e o cinza daquela meia tarde me faziam tremer...Sóbria demais para tal façanha, mas ali estava, sozinha em uma pequena estrada, a compra no porta-mala, o troco no porta-luva e meu coração no seu porta-corações.
No rádio tocava Djavan “ .. te adoro em tudo, tudo, tudo...”, aumentei timidamente o volume e senti as gotas de chuva percutirem em harmonia com a canção. As luzes dos postes começavam a enfeitar minha despojada cena solitária que ia se desenrolando com uma certa cumplicidade, entre os elementos oferecidos ali e minha intensa saudade.
Se pudesse fecharia os olhos para imaginar seu rosto, mas isso não era necessário porque ela se materializava ali no banco do passageiro, em um subido espasmo quase desviei a direção do carro, mas me contive...não poderia imaginar, ela estava ao meu lado, minha mente a trouxera para mim, e o que fazer?
Mantive a calma, a chuva insistia em cair alegremente, zombando da minha situação.Perguntava-me a todo instante se aquilo não seria um fantasma que viera me buscar, pois sou dessas que provavelmente aos 27 não existirá mais no mundo, mas fantasma nenhum teria uma presença tão angelical como aquela...
Inclinei rosto para o lado e lá estava a minha garota a sorrir, com timidez nos lábios, sua pele branca desmentia qualquer repúdio de não-virgindade, os olhos magicamente me chamavam para mais perto e no tom mais apropriado ela me disse: “Amor, porque o susto? Não gostou de me ver?”. Ao ouvir aquelas palavras que soavam em um sotaque tentador e em uma delicadeza medieval, não pude conter um breve sorrir de alma e ela, como se conhecesse o ponto mais intimo de minha alma, sorriu com os olhos cheios de carinho.
Eu não mais guiava carro algum, não sentia a iluminação da cidade, não ouvia a chuva e desconhecia a existência de Djavan, Caetano e qualquer outro mané.
A única coisa que me passava pela cabeça era encostar o carro e poder entender tudo aquilo com um abraço. O coração acelerado, a respiração, que antes era inexistente, agora era intensa.
Estacionei o carro em uma rua qualquer, pude sentir seus olhos percorrerem o meu corpo e depois se fixarem em meus lábios. Eu queria só saber o que passava por sua mente, queria saber como poderia estar ali ao meu lado, tão possível, tão visível, tão linda e real.
Olhei em seus olhos e respondi à sua esquecida pergunta: “O meu susto é infantil e te ver é o que meus olhos mais desejam fazer quando sua imagem persiste em fugir”. Sem eu perceber ela se encostou em minha roupas, acariciou meu pescoço, percorreu seus dedos pelos meus lábios e rosto, sem pedir permissão desfez a distância entre nós com um delicado toque de bocas, que aos poucos se transformou em um beijo cheio de vontade, cheio de carinho e saudade. Pude sentir a textura indecifrável de sua língua deslizando, dançando sensualmente dentro da minha boca, a menina que me namorava, a menina que ali estava de sigla M.D. me mostrou um desejo antes desconhecido por minha pele. Assustei-me com o turbilhão de sentimentos e rompi com a farra das línguas, ela se agarrava em minhas pernas, pude sentir seus seios nos meus e a respiração da minha garota fazia suar meu rosto. Como se nossa ilha fosse aquele carro , como se minha saudade fosse a fonte das realizações, como se eu ainda não houvesse tido mais ninguém em minha vida, eu estava ali feito um filhote e aquela mulher seria a que me ensinaria a voar, a dar os primeiros passos, a ter o seu corpo pela primeira vez. Ela me conduzia com o olhar e num instante preciso disse: “ me ama?”, respondi sinceramente: “mais que tudo nessa vida, mais que minha própria vida, te amo e minha alma suplica e diz que preciso de você o quanto antes”, ela ainda se agarrava em minhas pernas, suas mãos estavam firmes, sua boca ainda estava a uma incrível distância inexistente que permitia nossa conversa, meu rosto ainda suava com sua respiração.
Olhou-me e mais uma vez e para alegria de meus ouvidos começou a falar: “Tenho que ir, ainda não é hora, mas saiba que estou sempre a te amar, te amo e isso é a única certeza que tenho, a saudade é grande, mas não maior que o meu amor por você, estou aqui para te mostrar que nunca te deixarei, te amo e você é quem eu quero para sempre ao meu lado”. Sem pensar no que falar, respondi: “ Se soubesse o quanto te amo, não partiria agora, ficaria comigo, fugiríamos...eu te amo, a cada segundo que passo sem você é uma descompassada tristeza, preciso de você a todo momento, se respiro é por um único motivo, porque te amo...você é minha vida e...sem você tudo é apenas um dia cinza e chuvoso” deixando cair uma lágrima, continuei: “Agradeço por estar em minha vida”.
Ela me olhava com tanta ternura que roubou de mim mais um sorriso de alma, ela se mostrava como uma divindade, talvez seria alguma deusa que fugia do Olimpo e viera me amar por piedade. Fechei os olhos e senti seu perfume, que não era perfume de frascos, mas sim perfume de espírito.
Ao abrir os olhos, quase cai por me desequilibrar...ela não estava mais ali...
Ela esteve ali?
Olhei desesperadamente pela rua, liguei o carro e a procurei, mas não existia sinal da minha garota por parte alguma. Desviei o olhar para um ponto qualquer do céu que ainda muito nublado conseguia me ceder uma pequena estrela, olhei a com a curiosidade de uma criança e deixei escapar umas palavras: “ é, olha o que ela me faz, mas sabe...é isso que me faz ter certeza que é ela a mulher da minha vida...e a cada dia, a cada minuto que a saudade aperta mais e mais, o meu amor fica mais forte...eu a amo e obrigada, Deus, por isso".

(continua...)

By Camila Passatuto

domingo, 14 de setembro de 2008

Je t'aime

Eu sempre vivia escrevendo pelas paredes da cidade, nos bancos da praça, nas folhas amassadas, em um avental velho, no caderno esquecido, em uma sulfite intocável...Os temas, sempre os mesmos, descontentes, desavisados, puros e ao mesmo tempo se limitavam às minhas crises de angústia.
Hoje não escrevo...Os temas não existem em meu dia-a-dia, e se existem eu os ignoro como se esses fossem uma vespa chata que perturba o sono do pobre mendigo sonolento...
Hoje minhas palavras têm direção, evocam um nome, despertam uma princesa, alimentam um sorriso, declaram uma saudade, glorificam um instante...
E se eu fosse parafrasear meus sentimentos, colocaria a menina de meus sonhos diante do papel. E se eu fosse rimar...e se eu fosse repetir...e se eu fosse explicar, colocaria o seu suor sobre as folhas e ali estaria a arte que iria me satisfazer por inteira.
Eu sempre vivia escrevendo pelas paredes da cidade, hoje eu vivo ensaiando frases para te encantar...roubando momentos do Senhor Tempo para poder estar um instante eterno ao seu lado...hoje eu vivo cantarolando seu nome, desenhando em mim suas promessas, edificando no espaço nossos planos, apagando minhas velhas escritas, escrevendo nosso novo caminho.
Talvez eu seja uma pseudoalgumacoisa, talvez eu não seja nada...mas quando posso ouvir sua voz, entender seus medos, despertar em você um tímido desejo é nesses momentos que me torno alguém no mundo.
E eu sempre vivia escrevendo pelas paredes da cidade, eu era sozinha, eu sentia frio e hoje você me acompanha pelos trilhos, insere em mim um calor que a principio eu desconhecia...hoje eu sei, eu conheço, eu entendo...isso tudo é apenas um verbete de quatro letras, para os infelizes, mas para mim isso é tudo...isso é o que nos move...isso é o nosso eterno amor.Te amo.



By Camila Passatuto

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Escrevendo ao Mestre

No meio da bagunça estava lá o que restou de você, um dvd com alguns shows...Sem pensar no que ia me acontecer comecei a assistir, ao escutar Drain You, foi inevitável, comecei ensaiar um choro bobo e sem motivos, quantas vezes me apaixonei e como trilha sonora ela embalou minhas loucuras. Nunca escutei suas músicas para lembrar de ninguém mas para recordar o que eu sempre esquecia: que não são só as outras pessoas, por mais que elas estejam aos milhares, minhas emoções ainda tentem a ser o mais importante para mim, na teoria eu sempre me sai bem, mas no dia-a-dia apenas as suas músicas me colocavam em sintonia comigo mesma...

Minha infância eu cantarolava com alguns primos mais velhos, na minha pré-adolescência já se tornava essencial me fazer um anti-projeto de grunge girl, no apogeu da adolescência eu queria ser você, mas queria ser tanta coisa, queria ser um tudo mas bem pequeno e encolhido.
Mas o tempo passou...Algumas pessoas me usaram, eu usei umas pessoas, eu usei algumas drogas, algumas drogas me usaram e eu ganhei uma lasca de experiência...

Eu envelheci espiritualmente e deixei de achar graça nas coisas engraçadas...
O mundo me quis de cara limpa, dizem aqui que é assim que se vive realmente, então me afastei de algumas artes, de alguns conceitos e fui viver limpa de idéias e construir minhas próprias ideologias e segui-las como um cão cego.Novamente me usaram e usaram o meu potencial de ser uma garota dramática, apagaram o meu brilho por instantes que me pareceram tão eternos, eu precisei me machucar para voltar a minha antiga realidade, mas não se vive o antigo...Afastei-me do seu som por pura falta de tempo, esqueci as portas e as legiões...

Há pouco tempo destruí todos os seus cd’s, não lembro de ter feito isso, mas aos cacos estavam todas as canções...
Hoje eu quis escutar Polly então coloquei o dvd para rodar... Eu sei que nunca vou poder ouvir isso sem derramar uma lágrima...
Hoje eu não sigo nada... Nem sei do que gosto... Meu gosto sempre foi muito escasso... Sempre só gostei de Nirvana.










By Camila Passatuto