Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 21 de novembro de 2009

Poesia Matinal

Acordei com sua lembrança roçando minha pele, seu peso sobre os meus seios e seus lábios acariciando minha boca, e isso foi me despertando da mortificada noite.
De tão real, eu deixei escapar seu nome com o soar da minha voz matinal, pensei que estivesse realmente ao meu lado despertando minha sonolência de mim. Te chamei mais uma vez e sorri, sabia que estava velando por mim, não sabia que era delírio, só entendia a sua presença certa aqui em nós.
Te senti mais um pouco, recordei aquele cheiro, aquela textura e o nosso silêncio.
Seu corpo ainda vinha contra o meu quando abri os olhos e nada vi, mas tudo sentia.
E sentei na cama, delírio maior foi fechar os olhos e poder escutar sua voz que recitava algum texto que nunca pude ler. E nessa hora que começo a ter medo de mim. Medo das necessidades, mas quem não necessita?
E delírio maior foi tentar dormir novamente, e delírio maior foi o queimar de corpo, a procura por um pedaço de você...
E só de olhar uma fotografia, e sentei na cama, e me perguntei se a vontade de chorar era algo infantil ou apenas uma fortaleza arcaica de mulher.
De tão real, eu deixei escapar seu nome e minhas lágrimas.
E não consegui mais nada, levantei e como quem sempre ama, comecei a te procurar pela casa, porque para mim eu acordei com sua lembrança roçando minha pele e você deveria estar em alguma parte da casa, esperando eu te encontrar.


São duas árvores
Mas olhe
Por mais fundo
Eu vejo
Emaranha
E existe

Uma só
Só uma
Uma só raiz.

Água
Falta
Mata
Uma
Mata
Logo
As duas.












Marginal amor
Sempre correto
Nunca mais foi
Eu permaneço
Como sempre
E queima
Você entende?
É infantil
É tão maduro
É o que sinto
Para você
Simples
Fácil
Leve
Leve-me
Para você
Sou infantil
Sou tão maduro
Como sempre
Para você.

By Camila Passatuto

6 comentários:

Pedro M. disse...

Poxa, "hot text", rsrs.... Ótima leitgura para um início de noite de um sábado, kkkkkk
Mas sério mesmo, muito bacana e bem escrita, PARABÉNS!

Arlan Souza disse...

Diferente CAmila. Gostei
"QUEM NÃO NECESITA"
É, quem não necessita, seja de alguém, seja de uma palavra...seja lá doque for.
Quem não necessita.

Jessy disse...

Muito bom!
Parabéns!

Andressa disse...

Adorei o poema! Seu blog tah lindoo :D

Bjs!



http://sonhandoacodadinha.blogspot.com/

O Jornal Tresler e a Espiral do Silêncio disse...

De tão real eu deixei escapar seu nome... bom.

Os 2 poemas finais me fizeram pensar se as palavras são quadros ou algo mais.

Abraços e bom domingo !

Sheila Mantovani disse...

Nossa, é vc mesmo que escreve isso?!! Muito lindo, bem profundo, nem sei descrever :)
Lindo blog, bem interessante, intrigante na verdade.