Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não!


Não! Não quero ser mero personagem irreal e sem propósito. Ah! Tenho tanto o que gritar, mas, não tenho necessidade de fazê-lo: o grito. Grito, voz que nos esparrama, como confetes de um passado carnavalesco, voz que nos tira energia, explode e aos poucos se cala. Tenho tanto o que gritar, mas tenho tanto o que fazer eterno que seria pecado dar a luz em grito.
Não! Não me peçam para fazer isso, é tão cruel da parte de vocês, estão obrigando o que nasceu de fogo se aquietar em ar manso e úmido, umidade que me faz sem ar, mansidão que deixa tudo tão longe de mim. Tão longe, baby! Quero o ritmo que encontrei por ali e o clima que criei com meu corpo sob corpo dela, eu quero.
Não! Não venham querer abrandar qualquer vestígio de lágrimas, deixe que rolem, deixe que sejam minhas por querer e sem censura, me deixe ser triste na medida do possível e feliz sem margens de erros, mas deixem, me larguem aqui e vão sumir em seus caminhos que nem mesmo existem, vou ficar aqui esperando a cota de tempo acabar, vou ficar esperando o tempo de ser feliz e ir ressuscitando a cada manhã o falso carinho por aquilo que não me cativa. Ah!
Tão longe é tão difícil e só de pensar, e só de querer, e só de viver me vem a vontade de estar mais perto. Não! Ainda sou mero personagem irreal e sem propósito, ainda estão obrigando e ainda fico esperando a cota de tempo acabar. Ser personagem no papel com os olhos úmidos, complica e estraga; ser prisioneiro em liberdade, aliena e fere; ser quem espera no porto por dias que estarão completos, escreve e se faz personagem. Sim!

By Camila Passatuto

Um comentário:

Danilo Moreira disse...

Pois eh... eu tb certas vezes sinto vontade de gritar e por para fora tudo que me aflige, mas ela logo é abafada pois há maneira mais brandas e eficazes de fazer isso, como escrever por exemplo rs.

Otimo post!!

Bjao!!!