Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Feito para ler.

Rádio ligado, o som do computador tocando outra canção, a tv me passando fúteis informações, a perna não para de balançar, os lábios mordidos, as unhas todas ruídas...
Parar de escrever e fazer o que tem que ser feito, pensamentos alternados e um esquecimento do recente minuto, dez coisas para administrar e um sentimento de descaso com o mundo. Um minuto depois...A revolução é a solução, mailing de influentes jornalistas, então só enviar a proposta já aceita, mas decorre em segundos a decepção de ser uma fatia de nada no livro dos desprazeres mundanos.
O que planejei para hoje? Deixar a memória e ler um livro...Cinco páginas e a concentração é inexistente. Escrever, mas esqueço a função da morfologia, não entendo os códigos e sou incapaz de formular uma frase.
Mais um minuto e desisto da respiração, interessante seria vegetar em área plana e analisar o que parece que nunca ouvi falar, porém sei na ponta da língua o que antigos sábios escreveram. Os espíritos sobrevoam, alguns se mostram grandes demais e o susto passa entre os vãos tímidos do éter.
Levanto e na sala me acomodo no sofá, mudo os canais...grito: Parem, existe algo errado...Mas deixe-me descobrir o que é.
Um copo d’água, passos para a cozinha, o líquido desce suave, retorno para sala e o controle some, estava entre os dedos, mas fantasmas existem, caro leitor.
No quarto a euforia toma conta, mas depois ela passa e me joga na mesmice sensação de embriagues autodidata. O ofício condena, então vago entre palavras tentando entender o que posso fazer para salvar a alma inquieta que o meu corpo abriga.
Abro os olhos, fecho as janelas...repenso em outra escrita, escrevo e a calmaria toma conta.
E agora o que resta é amar.

By Camila Passatuto

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