Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora dos livros "Nequice: Lapso na Função Supressora" (Editora Penalux, 2018) e "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017).

Editora do projeto editorial O Último Leitor Morreu (conheça o projeto e as publicações). Escreve desde os 11 anos e começou a atuar nos meios digitais, com blogs de poesias e participações em diversas revistas e projetos literários, em 2007.

Contato: camila.passatuto@gmail.com


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Esguelha Rebeldia.

Não faço mais poesia
Dedico-me ao corpo nu sob o sol
Às cores mornas em tua via

Logo mais um mundo ruim
A enfrentar meus seios
Teus arreios

(Não segue e percebo)

Faça rasa força
E olhe
O épico cheiro

Só me sei assim.
Encontro o caminho
Do que escreve e deita.

-

Acordo em plena guerra.
Eles te queimam;
Adiante não me posso.

Bordo mais poesia
Desde que calei um rei
Com o poder do verso

(Calmaria)

Dedico-me ao corpo nu
Que a tudo revelia
Por assim ser

Relato nossa aurora
- Eles gritam, não aceitam -
Que rabisco em cinza
Todas as todas meninas.

Somos. Nós.
Em orgia que tudo habita

No poema que nasceu
Para ter como ventre
Esguelha Rebeldia.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Espera de Maio

A caixa de correio está vazia
Considero teu lembrar,
Teu traço fraco,
Teu cheiro cocaína.

Pesquisei as velhas revistas
Nada traz mera resposta

Esvaziei meu estômago.
Estraguei boa parte da vida,
Mas você - ainda latente –
dos poucos danos, me esquiva.

Nenhum postal de Barbacena,
De São Luiz, Barra Bonita

Passou sem sirene, é polícia.
Afastei os dentes da janela
Escaldei a parede com suor

E é só espera
Lá por longe,
Cá dentro
Nem sou mais poeta.

Instalo-me na ânsia
De tua volta, revolta,
Minha Poesia Cadela.

By Camila Passatuto

domingo, 3 de maio de 2015

Testamento

Todas as sensações foram expostas

Guerreamos os absurdos
Até não sobrar
Até não dobrar mais um amor.

Todo o lixo
Que de tua boca se abençoa
Por rebeldia se faz ouro.
Some. Não revoa em teus ares.

(Pecado)

A corja mata todo bom senso
Tira de órbita uma ideologia.

E teus gritos não são ouvidos,
Pois não ouviste
As suplicas dos tantos condenados.

Teu vinho me azeda os lábios
E poeta frouxo que sou
Mato a cada linha
Um burguês.

(Condenado)

Teu trem passa mais cedo
Longe dos que penam
Às horas esclarecidas

E se me cega a linha
A alma avoa,
Despedaça
E sobre terra

Semeia.

(Pausa)

A corja me rodeia
Observa o silêncio

Questiona um verso
Prende um asno
Em análise.
  
E se ao fim desejar saber....

Fomos um prostíbulo
Onde todas as
Sensações foram
Expostas

(Verso livre)


By Camila Passatuto


Eu Adejo

Acena sem sentido
Dedos que dançam
No altar da despedida.

Eles levaram o pudor
A reza fraca
O filho que por muito
Doara a vida.

O cortejo é breve
Não há vala
Que caiba
Meu choro selvagem.

Acena sem ritmo
O corpo desajeitado
Em lotes de madeira
Pregadas em maus filetes.

Há tarde, Violeta!

Pois não foi tiro de canhão
Que levou nosso menino

(Pura cisma)

 - Foi olhar de descaso da polícia.

No acorde itinerário
Tende a tilintar o fim

- Je suis serein, chère.

Documentam,
rabiscam; e por análise:

"Cava mais fundo
a tristeza que sem pudor
brota em ti."

By Camila Passatuto 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Segundos

Tudo são veias em salto
Que recobrem o corpo
Ácido Alinho

Tudo são vidros esticados
Rasgados no golpe
Estilhaços de gente.

Essas são fases verdades
Acidentes em mim
Rouquidão urbana

Versos Semáforos.

Nada recolhe a forma.
Tombou a escada
Abusou o poder

Nada é caos que te molda.
Colosso em passos
Engendrou nossa festa

(Soca o espelho
Estrangula
Fecha o teu ser
Abre o que é).

Nossas histórias.
Urbanas veredas
Cá calço no ventre
Solidão ocidente

(Mera)

Rasteja por dentro,
Sorve.

Morte aparente
Não respeita
Não respira

Cala ao calar o poema.
Cala ao calar o poema?

Grita.

No final, meu amigo,

Tudo são seixos em salto
Glote rasgada
Óbito em cor
Marginal parada.


 By Camila Passatuto

sábado, 27 de dezembro de 2014

Dito Cru

Você se dá ao romper e acalma o éter que pulsa. Elas entram pelas portas de aço, realizam a punção poética e a cólica de ser contínua.
O copo com cerveja e os carros, todos secam uma hora, eu sequei e a platéia era multidão que ia e não via, e não sentia, e não secava comigo.
Eu, seca, burlei a hipocrisia.
Não há o aquietar. Os anos passam e o que Vida foi de ti?

Ela lambe com fervor a idolatria que compôs teu ser ao meu labor literário, abaixa as calças e ergue o sutiã. Eu só queria as almas latejantes ao ler os poemas surtados de mim, do sangue que sempre escorri, da guerra que travei com minhas bordas, do ódio ao óbvio do mundo, da liberdade que tudo larga e acolhe...

Levem tuas almas ao monte menos escarpado.
Não mais rubor
Nas poucas bocas

Vou e com a arma que tirou do mundo mais um, mais um de mim eu deixo por alívio.
E sigam. Pois vocês deveriam romper o querer, e assim estrangular teu líder.
Ao contrário... Insultos humanos.

Em suas fábricas, linha de montagem...
Os mestres moldados pelos pequenos, grande se faz, apequena os criadores e degola o pensar progressivo. (agressivo. apunhalou minha língua).

Noite e verão na cidade asfalto.
Não mais rubor; e ela lambe com fervor a idolatria que compôs teu ventre ao meu amor libertário.


Libertem-se. À.

By Camila PAssatuto

domingo, 21 de dezembro de 2014

Duelos

Estonteou-se
De si o tanto que era
(Escorreu)
E pela guia
Mapeou toda a cidade.

Perdeu-se
No trinco de alma
Que o esvaziava
(Latia)
E não mais homem.

Dos poucos
Que caminhavam
Os passos da criação
Importou a humanidade
Em sua obra.

Fraco
De muito
Doar

Morreu linha
No balanço
Rouco

Daquele
Que o jazia
No tiro poesia.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Caminhar/Discurso da Alma

Subo o mais rápido que posso
E a escadaria não sabe terminar.

Acabo-me...
É teu meio.

E cá, dentro,
Lembro de tempos
Sementes

Trago um alívio
Contínuo

Meu passado,
Tão bem, era
O melhor de mim.

Corro e não há corrimão

Um caos de leve
Acontece

Minhas meninas,
Subam comigo.

Rápido!
Pois a respiração falha
Os passos não dizem progresso

As ruas cada vez
Mais sujas

Sujam-me o rosto
A alma
O mau agouro.

No topo.
E agora,
Minha ida?

Desce
Desce rápido

Que no fim
Há o planar
Dos degraus

O dançar
Do teu nobre
Cinza.

By Camila Passatuto

sábado, 2 de agosto de 2014

Sobre Poemas

Nada contemporâneo
Há um arcaico olhar em mim
Que não sabe ficar de fora
Adentra qualquer alma que passa

Não há nada de moderno
Ainda amolo o poema
No fêmur
E descolo a métrica na mandíbula

E se a morte vem
Matuto que sou
Ofereço um café
Para a transa durante juventude

Nada de Andy Warhol
Tem Basquiat na minha testa

Nada de nada
E você vem
Prova e reprova

É que sou sujo e amargo
Velho em inédito

Nada contemporâneo
Há um poema, leitor,
Brotando no teu peito.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Reunião

Tua baixa tristeza não escora o olhar.

Ninguém pode agora.

Dias que invejam a noite
Fecham os poros e rezam
A reza não liberta.

/Os dedos não sabem.
O toque e a palma,
Não satisfaz
Tampouco alegra./

Tua baixa tristeza não escora mais.
E tomba, cai, estabaca
O sujo que sempre é

Chora por lágrimas.
Arrasta a injúria da vida
Animal-pasto

/Fechamos as cortinas/

(Grita)

"Muito de tudo
Até o último minuto
Não ser minuto escasso."

By Camila Passatuto

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bilhete terno.

A dobra no papel diz tanto
Que ao percorrer tua superfície
Caiu de não avoar.

O poeta morre.
Ora,
Qual linha o enforcou?

Não pense, poeta, vai
Corre e pronto.

Se tombo...
Melhor.

A dobra no papel,
Que lindo é,
Diz que há um depois

Guardou no bolso
Antes de pular

E se pulou

Revoada em ti
O poema propôs.

By Camila Passatuto

Gaza - Anotações

Em uma terra
De olhos nos pés
Crianças
Não correm

Estão frias
Intactas

Em uma guerra
De pouca ossatura
Meninas
Não adoçam

Estão pálidas
Estagnadas

Foto
Papel
TV

Os meninos
Não bola
Não pipa

(Passa um pássaro
Você mal assobia...

Bum!

É Israel
Que sem pena
Está a desarvorar
A já torta Palestina.):

By Camila Passatuto

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Inimigo

Imerso ao cheiro forte da cidade
Na espera do meu galope,

Desesperado.

Eu sei das luzes
depois das seis...

As meninas viram árvores,
As bebidas, em porcentagem,
Melhores.

Queria tua alma
Entre
As rodas da carroça

E você, malfadado,
Do outro lado da bainha,
Na espera
Do lance puro

Que esfola a dignidade
Da pouca poesia
Que me jorra
Da boca

Boca
De poeta
Basculante.

By Camila Passatuto

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Salvação

Deixa a letra cair
Que o verso,
De um sustento,
Grita a vida.

E quem sabe
De tanta labuta
Um dia
Nada mais
Tudo será poesia.

E deixa, General,
Minha utopia
Correr pela cidade,
Na boca
Daquele que insana
Nossa dor.

!E quem sabe
O céu escorrega
E o suor do pobre
Vira estrela de troca!

(Toca um verso
E deixa de lado
O desespero,
Que faço da língua
Nossa boa morada.)

-Apesar
Dos pensares

Em desvios

Deixo cá
Entre os loucos
A solução
Desse mundo sem estio.-

By Camila Passatuto

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Do sangue que escorre. Filhos dos Filhos.

Há uma lágrima a cair,
Porém
A conjuntura
Eleva a liberdade.

Meu corpo sofre
Os tapas e murros
Do medo oficial.

A pele grita,
Corpo fica,
Mas a ideia
Percorre o país...

(Sombrio.
Um fantasma levou
Minha perna)

(Escutem.
Abram as janelas
Que nosso canto
Irá morar).

.

Minhas crianças
Irão
Lutar o festim

Para qualquer
Cadeado que abale.

Nosso nó
Na ponta o estômago
No âmago
Do estopim

Gritos
E tiros.


Há mortos escondidos
Debaixo do gabinete.

Nossos meninos
Estão vermelhos,
Por fora e por dentro.

Alvedrio!
A bandeira nunca para.

Não há desastre
Que anule o olhar
Faminto de horizonte,

Somos bichos
Puros
Essência daquilo
Que te adoça o café.

Toma
Essa vida minha
Que em troca
Na próxima esquina
Sua prisão
É Arrombada

Pela
Ampla e descoberta
Filha dos filhos
Alameda menina
Copo raso de vodka,

Poesia faminta.

(Toma)

By Camila Passatuto

sexta-feira, 28 de março de 2014

Aquela Paz

Aquela dor
De inserir

Atropelou
A cidade.

Foi um caos
Um mal,

Um bem tão grande
Que os cegos
Eram a aurora
Do fim,

As meninas
Acordaram mais cedo,

Tocaram.

Aquela dor
Que desenhei
Por capricho

Findou o mal
Dos homens

Acabou
Com a birra do poder.

(Morri
E eles notaram).

Era tanto sangue
Dentro de mim

Que ao pular
Vivi, escorri 
um carinho.

Ora,
De um jeito
Sutil.

Supremo
De esquina

Acabei
Com toda a lástima
Que durante
Tanto 
Atormentava.

Fui, e sem saber,
Levei comigo
O esquecimento
Torto
Que salva a alma.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 26 de março de 2014

Cena 01

Aterrissei com atraso.

O atraso das dívidas
De um corpo ferido.

Pouco não posso.
Corre.
O exército exige.

(A papelada na cama)

Resolve
Em mim
Uma liberdade,
Dessas de domingo.

Sem ponto
E pronto

Minha guerra.
Essa que o uniforme
É pele,

Suave
um tiro em nós.

Aterrissei
Com as dúvidas
Do corpo,

Matei quantos foram,
Ali nasciam meus fantasmas.


- Afasta a rima barata -


Roga em mim
Essa paz que não é

Bate e mistura,
Feito mobília velha
Dentro do caminhão,
E leva tua loucura.

(De tarde
Ao acabar um poema
Relembro...)

Irmandade
Não conta estrofes,
Não contesta
A lírica que explode

E que louca adentra
Venda
Rompe
O centro de nossa testa.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 19 de março de 2014

Brasilis

Acabou a comida
Meus pés, minha paz.

Ao fundo
Homens marcham
Ao som de tristeza,

Morreu mais um
Esmero em suma
Vicinal calada.

O dono da vida,
De ouro de pedra,
Mandou ter cautela

Ministrar o medo
Encolher as revoltas
Matar as crianças
Estuprar tuas pernas.

Acabou a comida
Meu Deus, minha vida.

Ao mundo
Dançamos
Sem colete e liberdade

Soldados
De mente medular.

Socorre o verbo

Para libertar,
espancada,
A Nacional Castidade.

By Camila Passatuto

terça-feira, 18 de março de 2014

L.A.

Nosso amor, se nosso for,
Foi feito por Deus
Apenas para aperitivo

(E lembra?)

De tempo em tempo
Eu podia entornar
Teu verde em mim.

Crianças a descobrir

Tocamos as gramas,
As grades...

Inventamos a vida
De um tiro tão alto

Cada um pro seu lado.

(Converge)

Um tanto de essência
No querer
De repelir me ver.

.

Teu corpo maior
Meus olhos tristes
Tua pupila maior
Minh’alma triste.

E por outras vidas,
Nossa vida.

Sem preocupações.

Sempre
Um dia, eu sei,
Hora ou outra

Minha alma
Louca
Corre a tua

Por capricho
Do acaso
Minha boca tropeça a sua

E sem lacre
Te amo

E sem amor,
Ferino que sou,
Te solto
Na vida

Para o sabor
Cítrico
Escorrer
No ciclo
Dessa epopeia
Mal regida.

By Camila Passatuto


segunda-feira, 10 de março de 2014

Carpintaria

O frio que te faz
Não salva o que
Em pedra me esculpe.

Escorre, de moça,
Olhar de gaveta
Que ao cruzar meus nós
Repele
E volta tua atenção
Para o qualquer que não
Seja em mim tangente.

Suave,
Das rupturas,
Teus pêlos ouriçam
Só de pensar
Que penso por entre.

Dos lábios rachados
Brotam Je vois la vie em rose

De moça,
Recebo a bênção
Do sorriso

E tolo que sou
Danço em curvetas
Por toda cobiça
Do ventre

E sigo

By Camila Passatuto