Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

domingo, 3 de maio de 2015

Testamento

Todas as sensações foram expostas

Guerreamos os absurdos
Até não sobrar
Até não dobrar mais um amor.

Todo o lixo
Que de tua boca se abençoa
Por rebeldia se faz ouro.
Some. Não revoa em teus ares.

(Pecado)

A corja mata todo bom senso
Tira de órbita uma ideologia.

E teus gritos não são ouvidos,
Pois não ouviste
As suplicas dos tantos condenados.

Teu vinho me azeda os lábios
E poeta frouxo que sou
Mato a cada linha
Um burguês.

(Condenado)

Teu trem passa mais cedo
Longe dos que penam
Às horas esclarecidas

E se me cega a linha
A alma avoa,
Despedaça
E sobre terra

Semeia.

(Pausa)

A corja me rodeia
Observa o silêncio

Questiona um verso
Prende um asno
Em análise.
  
E se ao fim desejar saber....

Fomos um prostíbulo
Onde todas as
Sensações foram
Expostas

(Verso livre)


By Camila Passatuto


Eu Adejo

Acena sem sentido
Dedos que dançam
No altar da despedida.

Eles levaram o pudor
A reza fraca
O filho que por muito
Doara a vida.

O cortejo é breve
Não há vala
Que caiba
Meu choro selvagem.

Acena sem ritmo
O corpo desajeitado
Em lotes de madeira
Pregadas em maus filetes.

Há tarde, Violeta!

Pois não foi tiro de canhão
Que levou nosso menino

(Pura cisma)

 - Foi olhar de descaso da polícia.

No acorde itinerário
Tende a tilintar o fim

- Je suis serein, chère.

Documentam,
rabiscam; e por análise:

"Cava mais fundo
a tristeza que sem pudor
brota em ti."

By Camila Passatuto