Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Aquela Paz

Aquela dor
De inserir

Atropelou
A cidade.

Foi um caos
Um mal,

Um bem tão grande
Que os cegos
Eram a aurora
Do fim,

As meninas
Acordaram mais cedo,

Tocaram.

Aquela dor
Que desenhei
Por capricho

Findou o mal
Dos homens

Acabou
Com a birra do poder.

(Morri
E eles notaram).

Era tanto sangue
Dentro de mim

Que ao pular
Vivi, escorri 
um carinho.

Ora,
De um jeito
Sutil.

Supremo
De esquina

Acabei
Com toda a lástima
Que durante
Tanto 
Atormentava.

Fui, e sem saber,
Levei comigo
O esquecimento
Torto
Que salva a alma.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 26 de março de 2014

Cena 01

Aterrissei com atraso.

O atraso das dívidas
De um corpo ferido.

Pouco não posso.
Corre.
O exército exige.

(A papelada na cama)

Resolve
Em mim
Uma liberdade,
Dessas de domingo.

Sem ponto
E pronto

Minha guerra.
Essa que o uniforme
É pele,

Suave
um tiro em nós.

Aterrissei
Com as dúvidas
Do corpo,

Matei quantos foram,
Ali nasciam meus fantasmas.


- Afasta a rima barata -


Roga em mim
Essa paz que não é

Bate e mistura,
Feito mobília velha
Dentro do caminhão,
E leva tua loucura.

(De tarde
Ao acabar um poema
Relembro...)

Irmandade
Não conta estrofes,
Não contesta
A lírica que explode

E que louca adentra
Venda
Rompe
O centro de nossa testa.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 19 de março de 2014

Brasilis

Acabou a comida
Meus pés, minha paz.

Ao fundo
Homens marcham
Ao som de tristeza,

Morreu mais um
Esmero em suma
Vicinal calada.

O dono da vida,
De ouro de pedra,
Mandou ter cautela

Ministrar o medo
Encolher as revoltas
Matar as crianças
Estuprar tuas pernas.

Acabou a comida
Meu Deus, minha vida.

Ao mundo
Dançamos
Sem colete e liberdade

Soldados
De mente medular.

Socorre o verbo

Para libertar,
espancada,
A Nacional Castidade.

By Camila Passatuto

terça-feira, 18 de março de 2014

L.A.

Nosso amor, se nosso for,
Foi feito por Deus
Apenas para aperitivo

(E lembra?)

De tempo em tempo
Eu podia entornar
Teu verde em mim.

Crianças a descobrir

Tocamos as gramas,
As grades...

Inventamos a vida
De um tiro tão alto

Cada um pro seu lado.

(Converge)

Um tanto de essência
No querer
De repelir me ver.

.

Teu corpo maior
Meus olhos tristes
Tua pupila maior
Minh’alma triste.

E por outras vidas,
Nossa vida.

Sem preocupações.

Sempre
Um dia, eu sei,
Hora ou outra

Minha alma
Louca
Corre a tua

Por capricho
Do acaso
Minha boca tropeça a sua

E sem lacre
Te amo

E sem amor,
Ferino que sou,
Te solto
Na vida

Para o sabor
Cítrico
Escorrer
No ciclo
Dessa epopeia
Mal regida.

By Camila Passatuto


segunda-feira, 10 de março de 2014

Carpintaria

O frio que te faz
Não salva o que
Em pedra me esculpe.

Escorre, de moça,
Olhar de gaveta
Que ao cruzar meus nós
Repele
E volta tua atenção
Para o qualquer que não
Seja em mim tangente.

Suave,
Das rupturas,
Teus pêlos ouriçam
Só de pensar
Que penso por entre.

Dos lábios rachados
Brotam Je vois la vie em rose

De moça,
Recebo a bênção
Do sorriso

E tolo que sou
Danço em curvetas
Por toda cobiça
Do ventre

E sigo

By Camila Passatuto