Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Das Guerras

Todo ensejo que orvalha da alma
Vem metralhar quem passa.

E olha...
Tua fé
Já não é.

Eu amiúdo
Versos
Para que não vá
Sem um doce (se quer).

Gritamos.

Sujo tua roupa
Com leite materno
Enrolo tua alma
À minha,

Nada por perto para se agarrar.

Filho,
O que sobra da coragem
São pequenas ervas daninhas,
Que nascem dos olhos
Dos que choram demais.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Morte na Orla

Vi a areia
Beijar teu dourado
De pele firme.

Desejei arames
Entre os nós
De tanta gente

Que faria
De mim
O teu outro lado
De mar.

Vi
Teu azul
Afogar
O pouco que sou

E quis,
Cheio de tom,
O grito de rasgar.

Vi
A onda levar.

Levar-te para longe,
Onde olhos sabem lágrimas
E sal
Lamenta a sede.

(Porejar
Não salva
Tua ida)

E o mar
(Sem doer muito)
Tomou-te por dentro,
Amor.

By Camila Passatuto

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Cartas

Paralelos,
A vida há de sangrar
Com a graça
Do fustigar em nós.

 - Já se pode
Cobrir a esteira
Com o corpo doente. -

(Vá).

“Leve a mensagem
Para além do perorar
E noite após noite
Esperaremos
O malquisto da vitória.”

Paralelos,
Tange a mim
A gula do entardecer
Atrasado

E com a alma canforada
Beijem meus lábios

Em pedidos
De dor à vida.


 By Camila Passatuto

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rebouças

Nossa cabeça é uma Avenida Rebouças inteira
E se ladra, não percebe,
Morde mesmo sem ver.

Nosso velório é sempre antecipado
Passa túnel
Não escurece

Planta
Que pé amanhece.

Um metro
tanta buzina.

Nossa base-branca
Aliados
Qualquer um

E de paz
É tanta tinta.

Chamem os governantes
Vandalizamos sem querer

Preparem as grades e algemas

(Nos banhe em coerções)
Latimos
E trepamos uma vida.

Na última noite
Nascemos
E olha
Somos uma Rebouças inteira,
Chora.


By Camila Passatuto