Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Dito Cru

Você se dá ao romper e acalma o éter que pulsa. Elas entram pelas portas de aço, realizam a punção poética e a cólica de ser contínua.
O copo com cerveja e os carros, todos secam uma hora, eu sequei e a platéia era multidão que ia e não via, e não sentia, e não secava comigo.
Eu, seca, burlei a hipocrisia.
Não há o aquietar. Os anos passam e o que Vida foi de ti?

Ela lambe com fervor a idolatria que compôs teu ser ao meu labor literário, abaixa as calças e ergue o sutiã. Eu só queria as almas latejantes ao ler os poemas surtados de mim, do sangue que sempre escorri, da guerra que travei com minhas bordas, do ódio ao óbvio do mundo, da liberdade que tudo larga e acolhe...

Levem tuas almas ao monte menos escarpado.
Não mais rubor
Nas poucas bocas

Vou e com a arma que tirou do mundo mais um, mais um de mim eu deixo por alívio.
E sigam. Pois vocês deveriam romper o querer, e assim estrangular teu líder.
Ao contrário... Insultos humanos.

Em suas fábricas, linha de montagem...
Os mestres moldados pelos pequenos, grande se faz, apequena os criadores e degola o pensar progressivo. (agressivo. apunhalou minha língua).

Noite e verão na cidade asfalto.
Não mais rubor; e ela lambe com fervor a idolatria que compôs teu ventre ao meu amor libertário.


Libertem-se. À.

By Camila PAssatuto

domingo, 21 de dezembro de 2014

Duelos

Estonteou-se
De si o tanto que era
(Escorreu)
E pela guia
Mapeou toda a cidade.

Perdeu-se
No trinco de alma
Que o esvaziava
(Latia)
E não mais homem.

Dos poucos
Que caminhavam
Os passos da criação
Importou a humanidade
Em sua obra.

Fraco
De muito
Doar

Morreu linha
No balanço
Rouco

Daquele
Que o jazia
No tiro poesia.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Caminhar/Discurso da Alma

Subo o mais rápido que posso
E a escadaria não sabe terminar.

Acabo-me...
É teu meio.

E cá, dentro,
Lembro de tempos
Sementes

Trago um alívio
Contínuo

Meu passado,
Tão bem, era
O melhor de mim.

Corro e não há corrimão

Um caos de leve
Acontece

Minhas meninas,
Subam comigo.

Rápido!
Pois a respiração falha
Os passos não dizem progresso

As ruas cada vez
Mais sujas

Sujam-me o rosto
A alma
O mau agouro.

No topo.
E agora,
Minha ida?

Desce
Desce rápido

Que no fim
Há o planar
Dos degraus

O dançar
Do teu nobre
Cinza.

By Camila Passatuto

sábado, 2 de agosto de 2014

Sobre Poemas

Nada contemporâneo
Há um arcaico olhar em mim
Que não sabe ficar de fora
Adentra qualquer alma que passa

Não há nada de moderno
Ainda amolo o poema
No fêmur
E descolo a métrica na mandíbula

E se a morte vem
Matuto que sou
Ofereço um café
Para a transa durante juventude

Nada de Andy Warhol
Tem Monet na minha testa

Nada de nada
E você vem
Prova e reprova

É que sou sujo e amargo
Velho em inédito

Nada contemporâneo
Há um poema, leitor,
Brotando no teu peito.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Reunião

Tua baixa tristeza não escora o olhar.

Ninguém pode agora.

Dias que invejam a noite
Fecham os poros e rezam
A reza não liberta.

/Os dedos não sabem.
O toque e a palma,
Não satisfaz
Tampouco alegra./

Tua baixa tristeza não escora mais.
E tomba, cai, estabaca
O sujo que sempre é

Chora por lágrimas.
Arrasta a injúria da vida
Animal-pasto

/Fechamos as cortinas/

(Grita)

"Muito de tudo
Até o último minuto
Não ser minuto escasso."

By Camila Passatuto

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bilhete terno.

A dobra no papel diz tanto
Que ao percorrer tua superfície
Caiu de não avoar.

O poeta morre.
Ora,
Qual linha o enforcou?

Não pense, poeta, vai
Corre e pronto.

Se tombo...
Melhor.

A dobra no papel,
Que lindo é,
Diz que há um depois

Guardou no bolso
Antes de pular

E se pulou

Revoada em ti
O poema propôs.

By Camila Passatuto

Gaza - Anotações

Em uma terra
De olhos nos pés
Crianças
Não correm

Estão frias
Intactas

Em uma guerra
De pouca ossatura
Meninas
Não adoçam

Estão pálidas
Estagnadas

Foto
Papel
TV

Os meninos
Não bola
Não pipa

(Passa um pássaro
Você mal assobia...

Bum!

É Israel
Que sem pena
Está a desarvorar
A já torta Palestina.):

By Camila Passatuto

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Inimigo

Imerso ao cheiro forte da cidade
Na espera do meu galope,

Desesperado.

Eu sei das luzes
depois das seis...

As meninas viram árvores,
As bebidas, em porcentagem,
Melhores.

Queria tua alma
Entre
As rodas da carroça

E você, malfadado,
Do outro lado da bainha,
Na espera
Do lance puro

Que esfola a dignidade
Da pouca poesia
Que me jorra
Da boca

Boca
De poeta
Basculante.

By Camila Passatuto

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Salvação

Deixa a letra cair
Que o verso,
De um sustento,
Grita a vida.

E quem sabe
De tanta labuta
Um dia
Nada mais
Tudo será poesia.

E deixa, General,
Minha utopia
Correr pela cidade,
Na boca
Daquele que insana
Nossa dor.

!E quem sabe
O céu escorrega
E o suor do pobre
Vira estrela de troca!

(Toca um verso
E deixa de lado
O desespero,
Que faço da língua
Nossa boa morada.)

-Apesar
Dos pensares

Em desvios

Deixo cá
Entre os loucos
A solução
Desse mundo sem estio.-

By Camila Passatuto

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Do sangue que escorre. Filhos dos Filhos.

Há uma lágrima a cair,
Porém
A conjuntura
Eleva a liberdade.

Meu corpo sofre
Os tapas e murros
Do medo oficial.

A pele grita,
Corpo fica,
Mas a ideia
Percorre o país...

(Sombrio.
Um fantasma levou
Minha perna)

(Escutem.
Abram as janelas
Que nosso canto
Irá morar).

.

Minhas crianças
Irão
Lutar o festim

Para qualquer
Cadeado que abale.

Nosso nó
Na ponta o estômago
No âmago
Do estopim

Gritos
E tiros.


Há mortos escondidos
Debaixo do gabinete.

Nossos meninos
Estão vermelhos,
Por fora e por dentro.

Alvedrio!
A bandeira nunca para.

Não há desastre
Que anule o olhar
Faminto de horizonte,

Somos bichos
Puros
Essência daquilo
Que te adoça o café.

Toma
Essa vida minha
Que em troca
Na próxima esquina
Sua prisão
É Arrombada

Pela
Ampla e descoberta
Filha dos filhos
Alameda menina
Copo raso de vodka,

Poesia faminta.

(Toma)

By Camila Passatuto

sexta-feira, 28 de março de 2014

Aquela Paz

Aquela dor
De inserir

Atropelou
A cidade.

Foi um caos
Um mal,

Um bem tão grande
Que os cegos
Eram a aurora
Do fim,

As meninas
Acordaram mais cedo,

Tocaram.

Aquela dor
Que desenhei
Por capricho

Findou o mal
Dos homens

Acabou
Com a birra do poder.

(Morri
E eles notaram).

Era tanto sangue
Dentro de mim

Que ao pular
Vivi, escorri 
um carinho.

Ora,
De um jeito
Sutil.

Supremo
De esquina

Acabei
Com toda a lástima
Que durante
Tanto 
Atormentava.

Fui, e sem saber,
Levei comigo
O esquecimento
Torto
Que salva a alma.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 26 de março de 2014

Cena 01

Aterrissei com atraso.

O atraso das dívidas
De um corpo ferido.

Pouco não posso.
Corre.
O exército exige.

(A papelada na cama)

Resolve
Em mim
Uma liberdade,
Dessas de domingo.

Sem ponto
E pronto

Minha guerra.
Essa que o uniforme
É pele,

Suave
um tiro em nós.

Aterrissei
Com as dúvidas
Do corpo,

Matei quantos foram,
Ali nasciam meus fantasmas.


- Afasta a rima barata -


Roga em mim
Essa paz que não é

Bate e mistura,
Feito mobília velha
Dentro do caminhão,
E leva tua loucura.

(De tarde
Ao acabar um poema
Relembro...)

Irmandade
Não conta estrofes,
Não contesta
A lírica que explode

E que louca adentra
Venda
Rompe
O centro de nossa testa.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 19 de março de 2014

Brasilis

Acabou a comida
Meus pés, minha paz.

Ao fundo
Homens marcham
Ao som de tristeza,

Morreu mais um
Esmero em suma
Vicinal calada.

O dono da vida,
De ouro de pedra,
Mandou ter cautela

Ministrar o medo
Encolher as revoltas
Matar as crianças
Estuprar tuas pernas.

Acabou a comida
Meu Deus, minha vida.

Ao mundo
Dançamos
Sem colete e liberdade

Soldados
De mente medular.

Socorre o verbo

Para libertar,
espancada,
A Nacional Castidade.

By Camila Passatuto

terça-feira, 18 de março de 2014

L.A.

Nosso amor, se nosso for,
Foi feito por Deus
Apenas para aperitivo

(E lembra?)

De tempo em tempo
Eu podia entornar
Teu verde em mim.

Crianças a descobrir

Tocamos as gramas,
As grades...

Inventamos a vida
De um tiro tão alto

Cada um pro seu lado.

(Converge)

Um tanto de essência
No querer
De repelir me ver.

.

Teu corpo maior
Meus olhos tristes
Tua pupila maior
Minh’alma triste.

E por outras vidas,
Nossa vida.

Sem preocupações.

Sempre
Um dia, eu sei,
Hora ou outra

Minha alma
Louca
Corre a tua

Por capricho
Do acaso
Minha boca tropeça a sua

E sem lacre
Te amo

E sem amor,
Ferino que sou,
Te solto
Na vida

Para o sabor
Cítrico
Escorrer
No ciclo
Dessa epopeia
Mal regida.

By Camila Passatuto


segunda-feira, 10 de março de 2014

Carpintaria

O frio que te faz
Não salva o que
Em pedra me esculpe.

Escorre, de moça,
Olhar de gaveta
Que ao cruzar meus nós
Repele
E volta tua atenção
Para o qualquer que não
Seja em mim tangente.

Suave,
Das rupturas,
Teus pêlos ouriçam
Só de pensar
Que penso por entre.

Dos lábios rachados
Brotam Je vois la vie em rose

De moça,
Recebo a bênção
Do sorriso

E tolo que sou
Danço em curvetas
Por toda cobiça
Do ventre

E sigo

By Camila Passatuto

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desamor

Há tempos não vejo teus olhos,

Não sei o chá que te levanta,
Nem tenho tempo para isso.

(Desculpa)

Eu tenho é apenas uma ideia na cabeça

E você corre para uma praia qualquer,
Sangra tão bonito quando chora...

E passa mais uma hora.

Faz tempo que não pulo uma canção
Daquelas que te enche a alma

É que, meu bem,
Machuquei o coração
Em uma dessas ruas asfaltadas.

É que murchei o amor
Nessa estufa de tanto faz.

Faz tempo que não te amo,
Mas é que a vida passa torta

E não tenho tempo para mais nada
A não ser regar minhas dores
Mortas.


By Camila Passatuto

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

12/07/1882

Na guia a cabeça repousa após o encontro bruto,
Daqui posso ver o ritmo da cidade, tão alucinado,
Os pés bem calçados e as rodas a brincar de ir e vir.

Os olhos vermelhos de tanta vida a escorrer pela testa.
Meus olhos de menino travesso, que a avenida já não atravessa.

A polícia avisa que o caos está no chão,
atrapalhando o doce.

Vozes embalam minha mente, que dói aos poucos
Preta fica e dói mais um pouco.
Não pensar e sentir, rói em mim, também.

O corpo descansa,
enquanto eles pensam em remover,

Canto baixinho
Um ninar para minha alma.

Logo acaba
É um sopro que vai chegar
Logo vem
Um para sempre a ficar.

E daqui tudo é tão grande
Um choro amiúda meu instante
Talvez uma fêmea, talvez uma mãe, um amigo
Um doente que sente demais...

E antes que pudesse o poder
Tão antes do querer
As coisas acontecem, de um jeito chato
Sem poética
Sem rima

Embola uma revolta
Sem métrica
Sem mestre

E dessa vida insone,
Como se fosse fácil dormir,
Vamos embora

Assim,
Deitados no meio fio,
corpo franzino,
No meio do dia,
Que assiste, tolo,
Nossa ida.

By Camila Passatuto

Dose

Tantos poemas em um só,
Foi bobo um verso.

Levanta, corre,
Escorre na vida
O quanto puder.

(Manchas em algum Niemeyer.
Deixe o menino pintar, seu doutor,
Mais tarde a gente vê no que dá.)

Entoa um clássico
Bem aqui
Abaixo do meu samba

E na hora do amor
Não deixe o cinza da cidade
Tossir em nós
Alguma culpa.

Coloca, meu bem,
Mais calmante na pele morena
E overdose em mim, assim,
O quanto puder...


By Camila Passatuto

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Guia 9

Quero comer Pagu,
Sem remorso.

Tragar um dia quente,
Injetar felicidade

De palavras ociosas,
Farei o trabalho escravo.

O suor na tez
Migalha o dia do rei

E estarei a conceber
O verso final

Sem amor,
Com a pele alva
De mulher calada

Versarei aos loucos
Um dia a voar

Serei inteira
Nesta minha metade
De vida

Farei versos,
Versos de fornilho...

Logo após Pagu.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Das Guerras

Todo ensejo que orvalha da alma
Vem metralhar quem passa.

E olha...
Tua fé
Já não é.

Eu amiúdo
Versos
Para que não vá
Sem um doce (se quer).

Gritamos.

Sujo tua roupa
Com leite materno
Enrolo tua alma
À minha,

Nada por perto para se agarrar.

Filho,
O que sobra da coragem
São pequenas ervas daninhas,
Que nascem dos olhos
Dos que choram demais.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Morte na Orla

Vi a areia
Beijar teu dourado
De pele firme.

Desejei arames
Entre os nós
De tanta gente

Que faria
De mim
O teu outro lado
De mar.

Vi
Teu azul
Afogar
O pouco que sou

E quis,
Cheio de tom,
O grito de rasgar.

Vi
A onda levar.

Levar-te para longe,
Onde olhos sabem lágrimas
E sal
Lamenta a sede.

(Porejar
Não salva
Tua ida)

E o mar
(Sem doer muito)
Tomou-te por dentro,
Amor.

By Camila Passatuto

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Cartas

Paralelos,
A vida há de sangrar
Com a graça
Do fustigar em nós.

 - Já se pode
Cobrir a esteira
Com o corpo doente. -

(Vá).

“Leve a mensagem
Para além do perorar
E noite após noite
Esperaremos
O malquisto da vitória.”

Paralelos,
Tange á mim
A gula do entardecer
Atrasado

E com a alma canforada
Beijem meus lábios

Em pedidos
De dor à vida.


 By Camila Passatuto

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rebouças

Nossa cabeça é uma Avenida Rebouças inteira
E se ladra, não percebe,
Morde mesmo sem ver.

Nosso velório é sempre antecipado
Passa túnel
Não escurece

Planta
Que pé amanhece.

Um metro
tanta buzina.

Nossa base-branca
Aliados
Qualquer um

E de paz
É tanta tinta.

Chamem os governantes
Vandalizamos sem querer

Preparem as grades e algemas

(Nos banhe em coerções)
Latimos
E trepamos uma vida.

Na última noite
Nascemos
E olha
Somos uma Rebouças inteira,
Chora.


By Camila Passatuto