Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Existência Terna

Eu nasci em uma manhã tranquila. Longe dos gritos de parto de minha mãe, longe das roupas brancas e das águas límpidas da torneira de inox.

Talvez não houvesse feto nem fato. Mas estava ali, intruso na natureza constante de estar. Impassível ao vento, à fumaça, ao barulho de gente na gente da cidade.

Já passeava pelas tintas de Jackson Pollock e tinha como herança na alma os caminhos de Rimbaud. Por certo recebi uma conjugação e não a respeitei. Sou verbo tolo, rústico demais para regras oratórias e bobagens gramaticais.

Sertanejei antes de engatinhar. As certezas eu vi em armas que de grito calavam, foi um susto primeiro, depois me acostumei a nadar entre homens em decomposição. Pendulei em cores, ouvi o bom som. Lambi as línguas boas e vomitei em papéis desprezíveis.

Nasci distante de mim e voltei a tempo, em tempo de prisão em corpo, de dores e missões. Sento no topo da primeira montanha que avisto em primeira hora do dia e combato mais um disparo. Somos, por acaso, a tangente dos deuses em terra, sem hoje sem ontem e em gozo com a plena forma do ar que um dia envelopou nossa alma por séculos de liberdade.

Nasci tão antes que só restava saber. Quando soube a vida me pariu por entre pernas de quem um dia eu fui apenas brisa.

By Camila Passatuto

2 comentários:

karine Ferreira disse...

fantástico, muito bem escrito!

Manuel Pintor disse...

talvez a tangente dos deuses
se parta de esquecimentos...