Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Escambo

Você murchou tão cedo
Tão doce

Abreviou nossa estadia
Um querer
Que mal queria

Eu pude tocar
A clave dos dias.

Hoje é só terra
O que teu azul
Mira

Debaixo de mim
No rubro de cama
Naquilo que me
Esvazia

Tocas e troca
O verbo
Que em ti
Hoje é partida.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Da vida

A vida proporciona prejuízos necessários. E sento nessa cadeira, com o despertar em súplica; grito com os neurônios e ouço debater alojados-sentimentos.
Nasci sem o controle da alma, mas tudo bem. Sou de falta tão grande, de tão tudo, que corro até sangrar os pé... só para preencher o que parece um atolado de nada. A vida nos joga em déficit no mundo. E ainda trago o queimar de versos entre os dentes, pois bem, salva algum instante. Não sei por onde e nunca pude saber, mas o adentrar nas almas seria o crédito que meus lábios sussurram em desejo. A vida já nos caloteia no ventre, tirando nossa paz, nosso silêncio, nossa mãe, nossa doce Ilíada do não existir...

By Camila Passatuto

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vidinha

Fala misturado
Esquece
Pontua achados.

Samba se é ritmo
Rima pele e água
Versa

Bate corpo
Língua e atrito

Gosta
Faz poesia
Rebela a morte
E no final
Excita a vida.

By Camila Passatuto

terça-feira, 2 de julho de 2013

Canção de guerra

Sou
O que boca
Escapa

Espada
De quem tem medo.

Urro
Murro
Me abafo
Te bato.

Somos
Teu suspiro.
Medo e sacrifício.

Vem.
Nua
Que me cobre
O corpo torto.

Sou teu pertence
Em campos
Aos prantos
Sem balas alojadas.

Foice,
Quem falou
Tomou.

Sou um frio
O que te espera
Na pressa de um assobio bobo.

Calafrios
São teus seios
A tocar meus lábios.

Abram as portas
Fugitivo
Adentra sua família
Deslumbra teus motivos.

Sou
O que do sangue chora
Bom de beber
Ruim de lembrar
Lá 
Na boa aurora.

By Camila Passatuto