Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Afogar e Guardar


Eu não me sinto bem,
Mas quem consegue
Com água até as sobrancelhas?

(grito)

Quero um colo quente,

E mãe não escuta
Sua pequena cria
Chorar por dentro.

Eu acredito em fantasmas

Nos arcanjos
Que rondam
(cegos)
Minha cama.

Afogo um roncar
Em lacunas
de breve solidão

Respiro.

Findo
Na última
Esperança farta
De boiar a vida
...

By Camila Passatuto

Mais uma carta


Rabiscamos demais as leis
(olhe)
Nosso autor favorito
Acabou de morrer

Na história
retardada 
da tv.

Nessas calibradas do tempo
Tanta batalha
Que não compreendi.

Precisei falar sério
Expor a verdade.

Fumamos na calçada
E rimos de nossos cabelos,
Enquanto
Os prédios ao lado pediam silêncio.

Eu posso aquarelar
Quando quero

(eu quero)

Diga que vou passar as férias em cima dos cabos de alta tensão
Recitando
Nossa liberdade de sentir.

By Camila Passatuto


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Observação



Um tempo sem sair do ninho, sentir o asfalto rasgar a sola do meu sapato; e qualquer olhar me leva na viajem dos cílios longos - uma curvatura imprecisa de mulher.

Os muros da cidade esqueceram as tintas, os jovens não mais LSD, não mais viola elétrica no quintal de terra batida, das batidas mulatas do meu sonho.

E eles não servem mais cervejas apenas pelo amor de estontear a alma... Querem o meu dinheiro que sobra nos impostos desonestos.

O relógio sempre para dentro de casa, incutido na mente, sempre corre o desespero. Pois a cidade cinza minha oportunidade e só a noite brilha as luzes do corpo pouco vestido e minuta os minutos de palavras ditas a justificar meu atraso de algum período eu bem queria.

Um tempo sem sair e olhe a vitalidade desse suor que me espalha, leva em mar de mim o sal que sou... e vem brisa do leste a secar tudo que possa marcar a roupa larga de linho.

By Camila Passatuto

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

De proclamar.


Na sala ao lado
Urge esplendor
Não importa
Se há sangue
Não ligamos
Se o pobre
Sente a dor.

O uniforme condena
Daquilo que dizem
Amor já passou
Hoje apenas
Restam os pontos
Da profundidade
Do metal
Em pele.

Corre e pegue panos
Pois irá parir aqui mesmo
Um futuro sem cinza
Com acordes medonhos

Senta e se acalma
Pois tudo
Pertence.

Já houve morte aparente
Mas não importamos

Nasceu o distúrbio
Senhor dos vidros
Transparente
Na mentira que julgamos.

E de perto é nada
Esse poema
Da maleficência.

Olhe de longe.

Os sentidos não rimam
Nada mais
Nada
Cais
Barco
Glote

Morremos na praia

E na sala ao lado
Uma tortura
Suportável
Em nós.

By Camila Passatuto

sábado, 5 de janeiro de 2013

Pedofilia


Você me levou ao playground e acabou com a brincadeira.
Passou em minha pele os doces que eu não queria provar. Foi ali, sob o nascer de nuvens tristes, que entendi a tragédia em seu olhar.
Você se tornou o meu monstro do armário, aprumado em praça publica sem a consciência do viver e outros verbos.
Ao fundo do dia escutava, quem percebia na brisa parada os instantes que eram para sempre, The Faces melodiando nosso drama particular.
Eu estava sujo em um mundo intocável e você apareceu para banhar meu pequeno corpo com a lama mais densa que sua mente pudera produzir.

E ficamos no balanço da cumplicidade.

Nem eu e nem você poderíamos adivinhar que apenas meu espírito sedia espaço para sua carne... E comecei a avoar sem limites para nosso nulo que em dias normais em mim nunca existia.

By Camila Passatuto

Diálogo com a porta.


(Abram as portas)

Esqueci no asfalto a falta
Que a terra me faz.

Em órbita, lunático que sou,
Descobri os costumes do ar.

E você pergunta sobre
Minhas cavernas...

Hoje será o dia em que as
Sombras, vadias, dançarão.

Em cabeça oca.

(diz o filósofo em mim)

Procurei nos corredores
Algo que faça de mim algum
Sentido
Que figurado me desfigure
Da pouca loucura que
Caminha em saltos.

Esqueci-me das políticas que
Alienaram (afirmou)
Mas quem lembrou?

Gritos das maquinas humanas...

Hoje a fome
Lembrou
do estômago.

E penso em partir
Para o entendível dos tolos
(Quem sobe, quem sabe)
E serei estrume-alimento
Para boca sem pudor.

Nossas crianças em caixas.

E lançaram meus dejetos
Poéticos
Ao ar que ninguém suporta
Respirar;

Sigo manco
(tóxico) a poetar.

By Camila Passatuto

Musa-te


Banhou-me com teu sangue.
Os gritos abafados
Gemiam, agora,
Baixos.

Nua, vestida de ação.
Um rio pelos seios,
Crateras no crânio.

Só queria brincar.

Relutou, relutei.
Assustou, espanquei.

Precisava...
Inspirar-me.

(era preciso
um verso que apunhalasse.)

Musa, tu és para isso.
Paraíso e poesia.

Por capricho, em feitiçaria
Quando poeta quer
Te finda.

By Camila Passatuto