Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Três Acidentes Poéticos


Coloquei minha paz na janela.
Acreditei.

Voar sem as mariposas,
Era sensação a sentir
A partir.

E caiu dos passos de andar qualquer...
Era ela
           Tão rápida e ávida de escuridão.

[Os guardas noturnos
Nunca foram amigos.

Levaram os meus
Mataram os nossos.

Nunca mais pude ser;
E eles azuis em fardas
Adormeciam os garotos
Em vermelhos silenciosos.]

Eu, já, nunca mais...
Nunca mais abranqueava.

Os vasos na varanda
Um cheiro de verde
Um equilíbrio de planta.

De um esbarro
Distraído
Inocente
Lá se foi
Minha paz
Pela janela
A matar na calçada
A mais bela das belas.

Voar sem as mariposas
Esse foi um pecado
Oh pecado
De verso cidadão
E lá se foi minha liberdade
Presa em papel
De grades finas.

Amargo de espelhar

Então
Sentei miúdo
Do meu outro lado
E pude em mim
A mim mesmo
O meu eu
Cativar. 

By Camila Passatuto

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Do mundo absurdo. Da vida absurda


Deixe-me rolar só um pouquinho,
Encaixar holocausto em pernas.

Meus versos crescem tão breves.
Percebe o delírio que escapa?

Deixe-me repetir a primeira estrofe
Lembrar nossos lírios
Nossos cílios molhados
Mar que te levava aos poucos
E te retornava chuva ao final da tarde.

Minhas rimas estão frouxas.
Percebe o delírio que escapa?

Fico pelo espaço
Na espera do nosso amanhã
No querer justo do andar
Da pátria azul que sonhávamos.

Os desejos andam puros demais
Resultado de nadas em guerras.

Na guerra do mundo absurdo.

Deixe-me ciranda
No quintal de terra batida
No fim de uma saudade que provoco.

Deixe-me livre
Deixe-me branco
Deixe-me decassílabo.

Assopra minha existência
Entre teus lábios firmes.

Deixe-me ser poesia
Nesse caos
de vida.

Nesse caco de vida absurda.

By Camila Passatuto

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ato 1


Andei até a esquina; apenas flores mortas na vitrine amarelada... prontas para alegrar moças inseguras. Passo a passo até a autoestrada e carros corriam cegos para lugares que eu sabia - não estava o que queria minha rasgada alma.

O espelho sempre foi o melhor lugar. Olhei e não vi.

Talvez acabasse a procura e o objeto procurado. Acabou sem saber, sem saber-se... Sem eu saber o que era aquela minha jornada maluca.

Perceba... As luzes casadas com os pingos de chuva, o som do outro lado do bar e olha lá... Não. Não era ela - a felicidade que me desejava.

Deitei na cama. Desprovido de sussurros e forças. Lembrei e vi flores ao redor, senti os pneus ainda quentes em mim, pude ver minha face amarga e branca demais... Deitei em mim e isso não mais adiantava. 
Era  madeira morna e senhoras aos prantos. Olha lá... Era eu a comemorar. Era a morte falando baixinho e meu espírito a escutar.

Vamos, deixe o corpo esmagado para os vermes, venha que é hora de chá na academia. Venha que as ninfas de ilha qualquer estão a dormir e a sonhar. Venha que andar até a esquina com os olhos fechados foi perigoso demais.

By Camila Passatuto

sábado, 8 de dezembro de 2012

Insatisfação


Indo ainda lá no longe
O maltrato da vida
Rompe nas guias vazias
A amante poesia.

O branco da página chora,
Grita a dor das ideias absurdas.

Tenho medo, tens também.

E fico calmo.
Ora sim e ora não.

Chega o som da campainha,
Passos soldados a amedrontar...

Percebo que  poesia cansou
Deitou menina em meu colo.
Chorou.

E espaço.

Confusa me fez confessar.

Quero de ti abrigo,
Os porquês dos inaptos,
Vazios alados, meio vida.
Certa lâmina do saber.

Tirou do colo aquilo que me deitava a mente.

E fico calmo,
Vejo
Escrevo.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Luto

The Doors na gafieira
E minha nega está éter na parede branca

Todos deixam de observar as tonalidades
E empurram o prazer para dentro.

Eram pés e braços
Em um ritmo que assustava.

Pensamos que somos
E acabamos quase nada.

Eram pés e braços
Em um carnaval sem mulatas.

Queria a luz
Possuir a matéria.
Queria eu
Conservar em plano superior
A mesmice de sempre.

Pois,

Gritou que doeu
E eram pés e braços,
Minha nega, a esmagar.

By Camila Passatuto

Non


Não sei amores
Do pouco que amei
Fiz folhear
As mãos
Em mim.

By Camila Passatuto

Hoje, agora, minuto, apavora.


Será que o tempo passou
Comeu o que era
E se foi com os papéis?

Diga e acorde em seguida.

Um, dois, três...
Mais burros desconstruindo
Or mais limpos entendendo?

Será que tempo passou
E levou de mim
O pouco de paixão
Que herdei...

E sem ponteiros 
Time comes...
Tempo devora
 E acalanta o agora.

By Camila Passatuto

Poema para as tardes


Todos na calmaria de seus ninhos
E passo, ao chamar calada, o que procuro,
 – Você ficou tempo demais em mim –
Eu te amo, Eu te amo e oras! Perdi...

Sinto que poderíamos,
Mas a humanidade
Deixou de percorrer
O caminho dos olhos

(Alguém derramou vermelho demais)

Escalamos as montanhas
E lá, em alto voar,
– não agradamos o superior –
Não agradamos a própria excitação.

(O que seria poesia? – Perguntou em gemidos)

Inutilidades!
Estamos aqui,
Presos na liberdade que cederam.

Todos na calmaria de seus ninhos...
E eu descalça
Das palavras simples
Das frases compostas
Dos adjuntos que corrompem.

Só desejo o cru daquela
Tinta pouca
Esquecida no alto-calante
(Calante)
De algum desorientado.

Morremos e em luto
Passamos por ela:
Viela Adoniran Barbosa.

(Por que grande avenida
Se as almas que salvou
Eram nobres
De suas malocadas paulistas?)

Obs.:
Deixei de rimar e fazer
Sentido, amor,

Nessa tarde de ninhos.

By Camila Passatuto

sábado, 1 de dezembro de 2012

Das Brisas ( O que não pude salvar na alma dos que ficavam)

Passou e não pude raptá-la.
Pus-me a observar
Como calango sofredor.

Isso - assim - me confortara.

Quebravam as dores
No expoente de praia
- Apenas as sombras me eram -
Quem a ti em ti surfara?

E os olhos rubros de idas
Eram de mim o que em mim
Mais bonito o tempo estagnava.

Passou a fome de filha?

Fiz anotá-la,
Em paranoia de poeta.

Ela em mim (assim)
Pra sempre ficara.

By Camila Passatuto