Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 8 de setembro de 2012

Relato Rápido do Condenado


Eu apertei forte a vontade de escapar.

Derreti as possibilidades de entender o júri que ria, consumia... Arrepiava minha pele com o terror mais suave que já pude saborear.
Não havia nada que poderia haver. Um jeito estranho de afastar a condenação.
A morte que colocaram em minhas mãos... eu nunca pude cometer. Jamais engoli os órgãos, retirei os ossos e beijei a pele solta do corpo infantil, pequeno e tímido de vida.

Eu quis chorar as lagrimas dos fortes, dizer que jamais.
Poderia o homem perdoar o inexistente? Os cães ladravam dentro dos ternos e eu injetava a falsa calma em cada um de meus poros. Eu gemia por dentro e a vontade exorbitante de vomitar não passava. Pensei que não iria aguentar nem mais uma vírgula, nem mais uma interrogação.

Eu estava nu diante aquelas pessoas. Todas com uma foice na mão, com o ódio a dominar o sentir. Eu estava sozinho, garoto pequeno e sem cobertor.

Consumado.

A morte me levou à morte.

Os passos que dava eram tão pesados, fartos do fado de crime. Eu caí. Debati. Rompi todas as dores em um grito que rasgou minha alma ao meio.
Apunhalaram meu respeito pela nuca e segui tonto. Tonto daquela justiça estranha, cega, surda e burra.

Senti as agulhas, a cadeira, os tiros e as mordidas. Os pregos de minha cruz eram grossos demais. Deixaram meu corpo  aos leões de Judá. Israel quis matar Al Capone. Hitler foi assaltado por Collor e o mundo rodava ao contrario.

Vi a dor daquela mãe partir. Partir junto a minha alma desesperada - e perdida a cada alteração de brisa. Eu vi os jornais alegrarem os cristãos com a ida daquele que nunca quis endoidecer em homicídio oculto aos olhos que ali não estavam em sangue.

E já estavam todos livres enquanto eu apertava forte a vontade desvairada de ficar.

By Camila Passatuto

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