Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O ensaio da queda dos Hipócritas (Parte I)


O chão propõe
E cavamos...
Procura de gente
Inútil por fim.

Os livros
Que te são
Sofrem
De poucas palavras.

Deixemos aos cuidados.
O gargalho liso
Overdose
Prévia de paraíso.

Subiu um tom
Recitou soluços
Aplausos
E foi-se sem verbo.

O chão dispõe
A noite fria
Virgulas famintas
Deita, poeta, deita.

Então,
O coro :
Fastidieux
Fastidieux, ami.

Télévisé
Télévisé
Cego, puto
Pobre em tudo.

Os livros
Que não te são
Sofrem
De roucas palavras.

Vibro
Pela rã
Sã de criar.

Cuspa o estilo
Deméter
Saberá (comerá)...

“Caros, amigos,
Começa hoje
O espetáculo
De falar.”

E deixam
Poeta
Fora (de fora)
Dentro de suas palavras.

Teatro cai.
Morre,
Naqueles,
O que podia ser.

O chão propõe...
E cavamos
Procura de gente,
Inútil, por fim.

By Camila Passatuto

Morte

Entre pelos trejeitos mais femininos e absorva a concordância de suas crias, pois estarei longe demais para salvar o que seja. Entre pelos trejeitos e absorva até sair cheio de saudade do que permaneceu. Filho, incesto será... sempre, cada vez que nasce você - em minha pobre-sucumbida mente - para romper (talvez) a virgindade do triste.
Saía (saia) pela filosofia mais descabida de paletó e tema as que u
sam ervas como deuses. Filho, entre pelos trejeitos femininos e dos meus conselhos... fuga atemporal de papéis. Foda as mulheres mais inteligentes e coma, sem dó, a carne dos homens tímidos. Não padeça por não ser. Seja pantano ou quase nada. Deixe de entender a vida no momento certo e cale a boca apenas quando a bala entrar pelos trejeitos mais feminos que pude acariciar.
By Camila Passatuto

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Carta ao Inimigo

Não adiante. Não creio em ruína acelerada de rancor. O pensamento garoa diagnósticos contrários ao governo que te lambe as pernas. Encontre a arma mais próxima e lute por vida sem tirar as possibilidades de seu inimigo cair em poço de vitória. Não adiante minha morte, pois o pó se vai ao vento; fidalgo de mistos homens, não adiante meu vício à minha alma, o combate é ideológico e psicótico? Só não atrasse nossa hora em batalha, o público chegou cedo e nos observou nus de guerra. Não adiante a espada que não uso a foice do entender. Não matemos antes do sino dançar, antes as mulheres se molharem e os velhos penetrarem a caverna de Hades. Por fim, ladainho. Por começo, não adiante - mais uma vez - não adiante o rancor. 


By Camila Passatuto

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ao meu filho: poesia

Meu menino de olhos claros e alma negra.
Ao dizer cerra os dentes...  Sussurra tímido
"Salve em mim alguma poesia”.

Menino de olhos pedintes e mente canina,
Para ti apenas breve prosa de observar.

Enquanto acaricia suas melodias sujas,
Estarei do outro lado
Em afago de ternura e fuga.

Quando romper madrugada
Sem inspiração de universo,
Lá estarei para o reencontro
De verbetes não-poéticos,

loucos e risonhos
por alguma percepção aflorada
Seremos o dedilhar de mistério maior.

Meu menino que se mata toda noite...
Descansa seu suicídio nos versos.
... Eu nunca poderei ceder aos fatos...

Descalça minhas palavras e cante
Canto qualquer no inferno...

Saudade e útero
Resto, filho,
Em meu desejo-nobre,
Assexuado e materno.

By Camila Passatuto