Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 28 de abril de 2012

A Carta dos Cinco Autores


Desculpe por hoje, pelo o “eu te amo” em prantos, pela tormenta que só em mim surgiu. Desculpe pelo piano maluco, sem notas de nós, pobre o bastante para acordes e acordos, meninas e amores... É de desculpa minha carta final, ao lado do livro e da página marcada com bilhete em recado, com a proposta de outras vidas. Perdão ao pecado que não pude cometer. Matar. Quem sabe... Morrer.

Apanho alguma ladeira que ficou para depois, aconteço em folha de papel e olha só... Veias dilatadas por remédios planejados em salas brancas, dizem que curam o meu escuro. Ah! Qual estilo vai perder a razão entre linhas? E me desculpa por falar sem poesia naquele que era o melhor olhar de promessas.

Encontro desmotivado o poder de adiantar, ora menino, ora mulher. Um dia poema, no outro... Nem rima, em sacola plástica daquele odor, nem isso, oh, mãe, nem isso, mulher.

Desculpe pela literatura perdida em mentes vadias, que conta pequenas histórias ao versar de mim. Não. Não me chame poeta, pois sou a desculpa tímida de Deus, sou a máquina de escrever do diabo e a salvação de almas sonhadoras. Não sei de anjos, mas permaneço em pulo ensolarado da menina-ouro, filha de mãe-raio e desejo que futuro prometeu.

Sem mais estender meu falso lamento, peço que não arranje predador nenhum para tua carne. Leia os livros amarelados e dê muita atenção aos bilhetes, à poesia que te foge e ao poeta que mira, toda noite, sua doce e robusta morte.

By Camila Passatuto