Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pasquim Invertido

Permanece como uma parte de corpo cansado; e eu acrescento sabores ideológicos sobre o ar fraco que me sustenta ao leste de algum pensamento.
A platéia com lanças de borracha, grossa ao seu modo fino, lê minha alma de forma errada e aplaude o que não entende e critica o que não prova. 
Eu subo sem ceia na barriga, com a cabeça em espelho de coração... No final é o resto de cidade que consola colo vazio.
E estamos longe do prazer de ser sinceridade avoando. Beijo na testa e um riso triste demais e uma pele além demais e um licor cheio de ais.
Permanece uma parte do começo no fim... E os que querem poesia; faz de palavras cruas a janta de hipócritas exibicionistas, pois bem, amados pontilhados de literatura, cá estou do outro lado da porta, dando adeus à sala de vozes falhas de querelas contra as pautas, cá me vou, com a gramática sem pé na cabeça e o sexo-cachoeira; pois sou a parte ruim do verso da vida, amargo que te abusa a careta... Eu sou a nuvem que foge do deserto e se esquece algodão em boca de pequeno.
A platéia vai sorrir e olhar... Cá estamos nus e debochados, verdadeiros e anões de moedas de ouro. Estamos na forma descritiva de vida submersa a Deus.
Estamos poesia-puta, conto-sonso, crônica-paulista e romance-sertão. E eu estou, meio sem assim e a desmerecer do insolente breve descansar de atenção.

By Camila Passatuto

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sonhador, amém.

Você aposta o último gole em despencar de quasares, liberta a angústia de sorrir e delira diante, ignora logo após, enfeita sua criança com o pior laço de festa... Você é profundeza rasa e sem pedidos concede e sem palavras (vírgula) versa o inabitável vale das almas comprimidas pelos fatos modernos (ponto)

Você se torna o fósforo que projetou ao tudo de espaço... E as mãos descrevem do jeito que querem o desejar de suas pernas. Já não mais dono da tinta que conta (ponto e vírgula) e corre pelas pernas das secundárias, se esconde medroso, sem pontos e subordinações quânticas, estupra uma por uma... Você perde no jogo do sozinho e atrás do porrete inflamado de poder, você relembra o escritório úmido, a meia luz, os óculos mancos, as fotos nuas, as poesias suas, os animais soltos... A justiça masturbada pela mão de seu filho mais novo e o fecundo dia que se abre com o cheiro de fumaça ruim e cabeça boa (três pontos)

Você aposta o último gole em despencar de quasares... Sonhador maldito (tiro).

By Camila Passatuto

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dicionário 1945

Faz de ti a leitura nula
Que para o alvo:
Vapor em passo curto.

Escuta a não-natureza
Que finge
Por entre gente, entre, mente.

Desobedece o primeiro
O segundo
O terceiro poeta.

Deixe de gozar.
Deixa assim...
Sem vida o nosso querer.

E do império de grades
Desenhe na janela
A revoada necessária de moça morta.

Faz de ti música surda
E queira por risco:
O eterno que some.

By Camila Passatuto

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A busca

Ele espiou o receio e afastou a alma
Delicado que era, seduziu liberdade.
Sem permanecer, ficou, dos raros
Rompeu-se de governo... Alumiou.

Das estantes unidas pelo falso ar
Equilibrou seu destino nos livros
Era hora, era tempo e minuto.
Esqueceu perigo e de seda foi.

Das grades que impôs o mestre
Era denso apenas o mínimo
Pois ele voou
Por entre...
E se acabou.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Assassino 562


A saliva sob os olhos da vítima
É inverso destino oprimido
Enquadrado em feixes...
Alvo sorrateiro.

Descarna
Distante do nojo.
Abre-te prensado
Na vastidão de sorrir.

A infância decodificada
No romper de luz
Entre graves e agudos
Dos meios penitenciais.

Sistema de manco pensar
Liberta o demente
De olhos vendados
Em apostos de adjetivos cálidos.

Resta no começo
O fim de algum feitiço
Pranto eterno de mãe
E cego de paz no divã.

By Camila Passatuto