Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

domingo, 31 de julho de 2011

Existência 2.3 – Chegada ao cais.

Chego ao dia de hoje com o cansaço de uma vida montanhosa, a trilha são as portas que deixei de perceber; então toque em minhas maçanetas com carinho, desamor.
Chego ao dia de hoje com a respiração falha, com o coração sem potência, com a mente em torre de babel, os olhares sem foco no objeto que navalha-te... Estou cansado, minha menina... Estou cansado dos dias após dias... Embora jovem, o peso dos versos envelheceram-me e me apoio nas bengalas continentais do querer...  
Escondo sob os panos íntimos algumas verdades de folhas, adquiri um sorriso amarelado no canto da boca, talvez cigarro ou apenas uma força da tristeza querendo brincar de satisfação.
Ganhei algum poder místico, durante o que não tive... Nada especial para mim, mas aos desesperados um pouco de magia ao tocar em minhas mãos... Salvam-se e me perdem em loucura que mergulho de fobia e morro nos sonhos alheios da covardia do inimigo, eu peço calado que a confusão literária te acoberte, minha alma.
E chego ao dia de hoje, quase não chegando... Fico no passado como prova de contentamento, que um dia fui sorriso e medo pequeno. Chego ao hoje sem boa parte de mim, um terço nas mãos dos santos, um terço no batismo do regalo e o que sobra ficará no que é... Algum dia chego sem nada de mim, talvez o dia mais feliz, ou apenas o meu esquecido fim.

By Camila Passatuto

terça-feira, 26 de julho de 2011

Outrora amor.

Desaba entre nós
Certo incesto
O pai passado
O filho futuro.

Vejo-te, menina
Tão exausta
Depois, aos pés,
De ser minha.

Pai futuro,
Canta
Mar
Fino e aguado, amor.

Sentimos a batida.
Um romance
Réptil, demais,
Flamejante.

Filho do passado que sou
Vejo acalantar o desejo,
Olho-te sem motivos
Tento você em luz
Mas
É a outra
Que sempre vejo.


By Camila Passatuto

domingo, 24 de julho de 2011

Bang

Penso palavras luas
Escrevo palavras trevas.

Sinto pelamores e súplicas
Faço reza ao avesso e vejo.

Reviro os livros antigos,
Releio minhas utopias.

Poeta desde cedo
Agora literato com medo.

Preso ao dever de ser
Compram-me sonhos.

Não mais feliz, hoje
Escravo sem senhores.

Críticos cospem
Doces sabores.

Poema, sua poesia
não rima. (Dizem os porcos)

Calibro sentimentos
Um gole de relento.
...........................
Bang-Bang!
Na cabeça de poeta;
Pronto, poesia liberta.

By Camila Passatuto

A casa de vinhos desabou

A dor insurge e eleva.
Chega tão cedo ao abismo...
A casa de vinhos desabou;
Loucura patológica.

Nunca te quis na vitrola,
Esse soul, esse jazz...
Preferia solos progressivos
E tua beleza inicial rompendo meus prazeres.

Baby, a dor não limita.
O silêncio não gritou
E foi só mais um gole
Trago que te estragou.

Apagou-se o verde...
A vida prega peças
E seu ato final estreou.



“O jogo te levou”


E durante a solidão de si
Não entendeu
Nem estendeu.

Não levantou.

Amy não chorava,
Mas a música,
Mãe órfã,
Chorou...

By Camila Passatuto

terça-feira, 5 de julho de 2011

hoje e outros dias

Hoje me peguei feliz, com planos só para mim.
E essa coisa de liberdade? Talvez seja estar só de quem bem nos quer ou poder correr sem receio de deixar alguém para trás. Talvez eu esteja estrada nessa minha vida, talvez eu esteja passagem... Mas só de ida.
Hoje eu me notei mais forte, mãos ousadas para socar o vento, para acariciar a brisa... Hoje eu nem lembrei que por trás do meu sorriso há tantas feridas e que diante dos olhos turvos há outras vidas.
Hoje eu estava egoísta, escrevendo meus desejos na pele e rindo de quem passasse assustado olhando o desaparecer de um falso artista.
Hoje, tempo que chamo eterno, eu estava vida, vida depois de tanta morte minha...

By Camila Passatuto