Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

domingo, 26 de junho de 2011

Breve história

Eu saí por aí. Vi muitos homens sem futuro de estrada, vi algumas crianças morrerem por falta de leito no rio de homens brancos.
Eu andei rua deserta com tanta gente na cabeça... de Hitler até o padre da paróquia onde eu me refugiava em todas as folgas de meu pai. Tanta gente na cabeça, mas eu andei leve. Eu pulei armadilhas de inimigos, dancei ao ritmo do escape elegante.
Eu vivi em várias camas, fiquei algum tempo em algumas, onde serviam o café da tolerância que sempre amargava algo em minha boca.
Eu vivi várias heranças, aproveitei dos que me aproveitavam. Gastei em alegria cada centavo.
Eu chorei amor perdido, amei como um cão louco, como um rapaz moço, como um ancião cauteloso; eu amei como todos e como nenhum.
Eu vi partir amigos, eu vi chegar mulheres fáceis que difícil na vida só tinha o sonho da minha conquista.
Eu esperei meus filhos saírem do sangue que derramei, ali... Tão rubro no chão, e me continuarem por esse vasto mundão.
Eu finalizei todas as histórias com esperança, pisei firme os vermes e transei breve com quem mais pudesse.
Eu fui e hoje não cais e hoje não porto.
Eu fluí e hoje sou simples mar morto, sem peixes, sem vida... Sou aonde desemboca seu esgoto.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Vida Poeta

Era um feto qualquer
Sem destino
Sem possibilidades
Aos traços
Traçou.

Levantou
Andou primeiro
Do que falou
Feto nulo de futuro.

Passa o tempo
Olhares
Desacreditados
Alma limpa e sonhadora
Sonha aos risos dos incrédulos em ti.

Sobe degrau de atenção
A cada fase
Uma vitória sem querer
Resultado
Das batalhas sangrentas
Vencidas em pleno ardor
Infantil.

Silêncio em grito
Papel geme baixinho
Queria salvar
Pessoas
Vidas sem cores
Poesias e amores.

Escreveu certa vez
Um verso
Que pedia aborto
De sua alma.

Lembrou quando ainda era feto
Pequeno e sem pensamento.

Olhou o verso
Viu-se estragado
Tinta
Formas
Aquilo era poesia?

Quem além lia?

Amassou-se ao papel
Feto por feto
Enrolado num canto de lixo
Ali embolado
Poeta de agora
Venceu o cansaço
Rimou o esperado.

Holofotes aos montes.

Chega de hoje
Chega de ontem.

Quis renovar sua obra
Um tiro
Sem queimar roupa
Varou
O varal das idéias.

E o fim chegou
Não tão tarde
Não tão cedo
Para vida breve
Atemporal de seu tempo.

By Camila Passatuto