Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Em dois atos

Voa, passarinho.
Não se importe,
Já me acostumei a ser só ninho.

Viaja, lua.
O outro extremo te chama.
E fico miséria, sem tua prata queimando minhas escamas.

Corre, ar.
Só não vá muito longe,
Apesar de tudo... Não sei se preciso de ti para pairar...

.......................................................................

Movimento avesso
Dos elementos sem rima.
Caí, gramática.
Pisa, arrogância.

E por aí vão-se morrendo
Asfixiados, enrolados nos reposteiros
Consonantais
Sem nenhum valor literário
Lá... Postergando eternamente:

Poetas sozinhos
E miúdos carinhos.

By Camila Passatuto

sábado, 9 de abril de 2011

Jovem

Sou um bicho sozinho,
Sou da mata virgem.
Virgem de alguém.

Sou um Y
No meio de tanto X.
Sou um só.

Meu amor é sozinho.
Sente e não alcança,
Ama e não recebe.

Sou um pássaro.
Bato asas
Nas meninas brisas.

Solidão a minha
Que me prende
Aos versos sem redondilha.
......................................................
Bicho esquisito
Extinção ao certo.

Abre-se o bico
Morre-se de deserto.

(By Camila Passatuto)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sangue Tipo AB

Voltou a sangrar
Por si só.
Levantamos a voz
Pedimos ajuda
Mas alguém abaixou nosso volume.

Permanecemos os mesmos
Fracos...
E com mais medo,
Por si... só.

E volto a sangrar
Sem medo do medo.

Atormentam cá dentro,
Expulso com o que cheiro.
Repelente
Das dores inexplicáveis.

Sem ser
Ela me abraça, dor arcaica.

E os olhos chamam
Ambulância nega a socorrer
Mas quem cura isso?

Maldade esse silêncio permanecer.

Voltou a sangrar
O que não respira.
Voltei a cheirar
O pólen, conseqüente daquilo que florescia.

Voltou a ser dia
A noite que me adormecia.

Escava
e
Crava.

Pois,

Voltou a chorar
O ser que ontem sorria.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Fere Fera

Movimenta os lábios, navalha-se
E no beijo apunhala pela frente.
Ao calar é carrasco do próprio cortar. 
Sem machado,
Sem escapatória, 
Então 
Morto pelo próprio punhal, 
O desejo...


( By Camila Passatuto e Flávia Braun