Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Maestria

Leia em artigos escuros as novidades.
Entenda, meu filho, o não e o talvez,
Pois de sim apenas o que de ti é, apenas.

Caminhe um pouco em cada lado da calçada
E manche os buracos dos fracos de preencher.
Assim entenderá um quase tudo daquilo que se pode.

Aproveite para observar o que resta na inexistência
Não siga  nem guie, não ouça... Gritar, inventar
Polemizar, desorganizar, gozar, poetar.

E coma o concreto, o moderno, o arcaico e o clássico.
Vomite o que é seu
E os faça tomar.

Amém.

By Camila Passatuto

Encarnações Primárias

Plantação de café,
Sempre foi muito pouco.
A terra em tudo que toco,
Entre o verde, tudo prende.

A cidade grande,
Sempre grande demais.
A alma que intimista vai
Volta expansão de vácuo, menina.

Minha pele se salga
É o mar, maresia
É falta
E nado em nadas de ti, de mim.

Imensidão e simplicidade
É ar
Dizem que fim
Mas morte e liberdade, esse lugar, esse sim.

By Camila Passatuto

A análise de três séculos e meio

Ordem que inexiste em momento
Nasce como esperança milenar, garota.
Em olhos azuis que açoitam o quintal,
Cascas de frutas na mente, atemporal.

Se pele em modernidade longe arrepia,
O sorriso de trabalhador atrapalha
Talvez
O ruim do triste de sua mentira.

Momento em ordem que existe
Em sós de correntes, és maluco.
E literatura mancará
Sem entender a prece de eunuco.

Torres que choram fumaça; evolui.
Volto ao início de algum século.
O ferro faz cidade de amores
O carvão incinera destinos ou rumores.

E marchamos sobre os versos, jour.
Esperando gerundismo futuro
Em analise-pomar do passado
Em poesia finalizada, assustada em regalo.

By Camila Passatuto 

domingo, 20 de novembro de 2011

Minha nossa, vida.


Vivo para o adeus das mãos quentes
Das crianças redondas, dos dentes
Das moças fáceis, dos vestidos
Das praças em fumaças, dos peixes.

Vivo para o esquecimento global
Dos meus versos, dos seus restos
Dos antigos, dos que não nascem
Dos maus vistos, dos decassílabos.

Vivo para a morte precoce que ronda
De noite com frio, de medo infantil
De poeira em espirro, de ar em suspiro
De rima torta, de segurança em escolta.

Vivo para a literatura da verdade atual
Espero no alto da sacada o carteiro,
Com as verdades capitalistas sem receio,
Descanso ao rasgar a vitalidade da mentira.

E só assim, com liberdade ou não,
Vivo meio poeta
Morro inteiro poesia.

By Camila Passatuto

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Academia esquizofrênica das letras


Estamos xaropes, nesse mundo doente,
Breves ao extremo; nuances permanentes.

Umbigo especial para o império sem métrica,
Luz que emana por Brasília em toda América.

Na academia das letras só esperam por ti,
Imortal qualquer um, das muitas folhas que perdi.

Se rimo é rebeldia e repressão
Que masturbo em frente ao anfitrião.

Estamos apneia, nesse mundo fumante;
De cacos e mentiras, sem poetas nem amantes.

Finalizo a brincadeira com a pergunta infantil
Qual valor da escrita desse pobre escritor bêbado e vadio?

By Camila Passatuto

sábado, 29 de outubro de 2011

XV

A camisa sufoca meu peito
Que nu respeita e espreita
E firme tomba a sobra
Dos ladrões atrasados.

Sol nasce expoente ao sul
E marchamos rumo à paz.
Eles estão sob pescoços...
Rolaram as jacas e os rivais

Nossas mulheres irão parir dor
E filhos de anciões corruptos.
As três bases serão apunhaladas;
Correremos livres - oportunos.

E a água clara que banha mente
Batizará a linhagem de guerreiros
Postos aos pés de suas virgens
Abençoados por licores faceiros.

Amansarei os perdidos, como poeta;
E todo sangue que embebeda
Será sanidade pela terra
E não mais ódio e nunca mais guerra.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dezenove e meia geração

Assumo qualquer esquina,
Buzinas e passagens.

Velhos em sotaque de nós,
Olhares iluminados por telas.

Sementes por falta de páginas...
Os poetas estão marginais rasteiros.

Assumo os entulhos modernos
E penso no caminho falho.

Crianças sem adjetivos
Libertam em vos o futuro
Dos bê-a-bas matinais, amém.

By Camila Passatuto

domingo, 16 de outubro de 2011

Milênio de letras

Tudo está a princípio do fim.
Os versos miúdos morreram,
Tenho cansaço-respeito por ti...

Você pode sentir o eco que faço,
Brisa em tijolos literários.
E não iremos delirar em finitude, amor.

A poesia moderna passou
Apressada como puta em minha cama...
E sobra aqui o gozo esvanecido de poeira.

E tudo em nossa mente está
Em princípio do fim restaurado...
Da sobra de um gozo assustado de gramática por acaso.


By Camila Passatuto

domingo, 11 de setembro de 2011

Da boa

Poesia boa é a que fica no rascunho
Tem sabor e suor
Tem saliva e frescor
Boa é a poesia ejaculada no punho.


Poesia boa é a que começa sem querer
Sem pudor e mentira
Sem calma e esquiva
Boa é poesia que em ti nunca finda.


Poesia boa é aquela que me tropeça
Machuca o dedão
Sangra de alegria...


Boa mesmo é aquela que te eterniza.


By Camila Passatuto

domingo, 31 de julho de 2011

Existência 2.3 – Chegada ao cais.

Chego ao dia de hoje com o cansaço de uma vida montanhosa, a trilha são as portas que deixei de perceber; então toque em minhas maçanetas com carinho, desamor.
Chego ao dia de hoje com a respiração falha, com o coração sem potência, com a mente em torre de babel, os olhares sem foco no objeto que navalha-te... Estou cansado, minha menina... Estou cansado dos dias após dias... Embora jovem, o peso dos versos envelheceram-me e me apoio nas bengalas continentais do querer...  
Escondo sob os panos íntimos algumas verdades de folhas, adquiri um sorriso amarelado no canto da boca, talvez cigarro ou apenas uma força da tristeza querendo brincar de satisfação.
Ganhei algum poder místico, durante o que não tive... Nada especial para mim, mas aos desesperados um pouco de magia ao tocar em minhas mãos... Salvam-se e me perdem em loucura que mergulho de fobia e morro nos sonhos alheios da covardia do inimigo, eu peço calado que a confusão literária te acoberte, minha alma.
E chego ao dia de hoje, quase não chegando... Fico no passado como prova de contentamento, que um dia fui sorriso e medo pequeno. Chego ao hoje sem boa parte de mim, um terço nas mãos dos santos, um terço no batismo do regalo e o que sobra ficará no que é... Algum dia chego sem nada de mim, talvez o dia mais feliz, ou apenas o meu esquecido fim.

By Camila Passatuto

terça-feira, 26 de julho de 2011

Outrora amor.

Desaba entre nós
Certo incesto
O pai passado
O filho futuro.

Vejo-te, menina
Tão exausta
Depois, aos pés,
De ser minha.

Pai futuro,
Canta
Mar
Fino e aguado, amor.

Sentimos a batida.
Um romance
Réptil, demais,
Flamejante.

Filho do passado que sou
Vejo acalantar o desejo,
Olho-te sem motivos
Tento você em luz
Mas
É a outra
Que sempre vejo.


By Camila Passatuto

domingo, 24 de julho de 2011

Bang

Penso palavras luas
Escrevo palavras trevas.

Sinto pelamores e súplicas
Faço reza ao avesso e vejo.

Reviro os livros antigos,
Releio minhas utopias.

Poeta desde cedo
Agora literato com medo.

Preso ao dever de ser
Compram-me sonhos.

Não mais feliz, hoje
Escravo sem senhores.

Críticos cospem
Doces sabores.

Poema, sua poesia
não rima. (Dizem os porcos)

Calibro sentimentos
Um gole de relento.
...........................
Bang-Bang!
Na cabeça de poeta;
Pronto, poesia liberta.

By Camila Passatuto

A casa de vinhos desabou

A dor insurge e eleva.
Chega tão cedo ao abismo...
A casa de vinhos desabou;
Loucura patológica.

Nunca te quis na vitrola,
Esse soul, esse jazz...
Preferia solos progressivos
E tua beleza inicial rompendo meus prazeres.

Baby, a dor não limita.
O silêncio não gritou
E foi só mais um gole
Trago que te estragou.

Apagou-se o verde...
A vida prega peças
E seu ato final estreou.



“O jogo te levou”


E durante a solidão de si
Não entendeu
Nem estendeu.

Não levantou.

Amy não chorava,
Mas a música,
Mãe órfã,
Chorou...

By Camila Passatuto

terça-feira, 5 de julho de 2011

hoje e outros dias

Hoje me peguei feliz, com planos só para mim.
E essa coisa de liberdade? Talvez seja estar só de quem bem nos quer ou poder correr sem receio de deixar alguém para trás. Talvez eu esteja estrada nessa minha vida, talvez eu esteja passagem... Mas só de ida.
Hoje eu me notei mais forte, mãos ousadas para socar o vento, para acariciar a brisa... Hoje eu nem lembrei que por trás do meu sorriso há tantas feridas e que diante dos olhos turvos há outras vidas.
Hoje eu estava egoísta, escrevendo meus desejos na pele e rindo de quem passasse assustado olhando o desaparecer de um falso artista.
Hoje, tempo que chamo eterno, eu estava vida, vida depois de tanta morte minha...

By Camila Passatuto

domingo, 26 de junho de 2011

Breve história

Eu saí por aí. Vi muitos homens sem futuro de estrada, vi algumas crianças morrerem por falta de leito no rio de homens brancos.
Eu andei rua deserta com tanta gente na cabeça... de Hitler até o padre da paróquia onde eu me refugiava em todas as folgas de meu pai. Tanta gente na cabeça, mas eu andei leve. Eu pulei armadilhas de inimigos, dancei ao ritmo do escape elegante.
Eu vivi em várias camas, fiquei algum tempo em algumas, onde serviam o café da tolerância que sempre amargava algo em minha boca.
Eu vivi várias heranças, aproveitei dos que me aproveitavam. Gastei em alegria cada centavo.
Eu chorei amor perdido, amei como um cão louco, como um rapaz moço, como um ancião cauteloso; eu amei como todos e como nenhum.
Eu vi partir amigos, eu vi chegar mulheres fáceis que difícil na vida só tinha o sonho da minha conquista.
Eu esperei meus filhos saírem do sangue que derramei, ali... Tão rubro no chão, e me continuarem por esse vasto mundão.
Eu finalizei todas as histórias com esperança, pisei firme os vermes e transei breve com quem mais pudesse.
Eu fui e hoje não cais e hoje não porto.
Eu fluí e hoje sou simples mar morto, sem peixes, sem vida... Sou aonde desemboca seu esgoto.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Vida Poeta

Era um feto qualquer
Sem destino
Sem possibilidades
Aos traços
Traçou.

Levantou
Andou primeiro
Do que falou
Feto nulo de futuro.

Passa o tempo
Olhares
Desacreditados
Alma limpa e sonhadora
Sonha aos risos dos incrédulos em ti.

Sobe degrau de atenção
A cada fase
Uma vitória sem querer
Resultado
Das batalhas sangrentas
Vencidas em pleno ardor
Infantil.

Silêncio em grito
Papel geme baixinho
Queria salvar
Pessoas
Vidas sem cores
Poesias e amores.

Escreveu certa vez
Um verso
Que pedia aborto
De sua alma.

Lembrou quando ainda era feto
Pequeno e sem pensamento.

Olhou o verso
Viu-se estragado
Tinta
Formas
Aquilo era poesia?

Quem além lia?

Amassou-se ao papel
Feto por feto
Enrolado num canto de lixo
Ali embolado
Poeta de agora
Venceu o cansaço
Rimou o esperado.

Holofotes aos montes.

Chega de hoje
Chega de ontem.

Quis renovar sua obra
Um tiro
Sem queimar roupa
Varou
O varal das idéias.

E o fim chegou
Não tão tarde
Não tão cedo
Para vida breve
Atemporal de seu tempo.

By Camila Passatuto

domingo, 15 de maio de 2011

Passagem

Se perguntarem..., eu passei por aqui só por curiosidade, quis saber o que de mais bonito havia no mundo e sem perceber encontrei Poesia. Encantei-me em versar, estudei suas curvas e sálivas; não sei se cheguei a ser poeta. 
Mas uma coisa lhe digo, meu amigo, se perguntarem diga que fui feliz por cada letra que contornei... e se alguma vez me viram com lágrimas; essas... com poesia, curei. 


By Camila Passatuto

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Em dois atos

Voa, passarinho.
Não se importe,
Já me acostumei a ser só ninho.

Viaja, lua.
O outro extremo te chama.
E fico miséria, sem tua prata queimando minhas escamas.

Corre, ar.
Só não vá muito longe,
Apesar de tudo... Não sei se preciso de ti para pairar...

.......................................................................

Movimento avesso
Dos elementos sem rima.
Caí, gramática.
Pisa, arrogância.

E por aí vão-se morrendo
Asfixiados, enrolados nos reposteiros
Consonantais
Sem nenhum valor literário
Lá... Postergando eternamente:

Poetas sozinhos
E miúdos carinhos.

By Camila Passatuto

sábado, 9 de abril de 2011

Jovem

Sou um bicho sozinho,
Sou da mata virgem.
Virgem de alguém.

Sou um Y
No meio de tanto X.
Sou um só.

Meu amor é sozinho.
Sente e não alcança,
Ama e não recebe.

Sou um pássaro.
Bato asas
Nas meninas brisas.

Solidão a minha
Que me prende
Aos versos sem redondilha.
......................................................
Bicho esquisito
Extinção ao certo.

Abre-se o bico
Morre-se de deserto.

(By Camila Passatuto)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sangue Tipo AB

Voltou a sangrar
Por si só.
Levantamos a voz
Pedimos ajuda
Mas alguém abaixou nosso volume.

Permanecemos os mesmos
Fracos...
E com mais medo,
Por si... só.

E volto a sangrar
Sem medo do medo.

Atormentam cá dentro,
Expulso com o que cheiro.
Repelente
Das dores inexplicáveis.

Sem ser
Ela me abraça, dor arcaica.

E os olhos chamam
Ambulância nega a socorrer
Mas quem cura isso?

Maldade esse silêncio permanecer.

Voltou a sangrar
O que não respira.
Voltei a cheirar
O pólen, conseqüente daquilo que florescia.

Voltou a ser dia
A noite que me adormecia.

Escava
e
Crava.

Pois,

Voltou a chorar
O ser que ontem sorria.

By Camila Passatuto

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Fere Fera

Movimenta os lábios, navalha-se
E no beijo apunhala pela frente.
Ao calar é carrasco do próprio cortar. 
Sem machado,
Sem escapatória, 
Então 
Morto pelo próprio punhal, 
O desejo...


( By Camila Passatuto e Flávia Braun

quinta-feira, 24 de março de 2011

Relato.

Em C me acomodo num canto pequeno da pequena cama de casal. O dia não foi bom, mas não foi de todo mal. Eu senti febre, eu senti o corpo cair e não pude intervir; eu já não sinto mais nada depois de muito tombo ao tentar subir a escada.
Hoje eu permaneci sem vida por alguns segundos, ninguém percebeu. Melhor assim, velório precipitado é muito ruim.
O corpo queimou, o braço adormeceu e o mundo que sempre parecia tão parado, girou apressado quebrando os espelhos do meu equilíbrio.
Hoje eu me senti só. Sem pessoas e sem um Deus que me falasse que hora, que tempo, que vida me pertencia diante daquele desespero de se tornar etéreo.
Eu não liguei para quem eu tinha que ligar, eu não abracei quem eu tinha que abraçar, eu não falei e não gritei o que tinha que libertar. Eu não tive tempo, hoje tudo estava escasso...  Minhas coisas e eu começamos a querer nos travestir de nada, e numa nota de jornal, virar importante relato.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 16 de março de 2011

Save 2011

Entorpecido que não cala
Não fala e não nada.
Modernos,
Retrocederam-se os verbos.

Humanos e suas psiques,
Eros e sua Psiquê.
Um caso de amor...
Sempre à espera do errado.

Integraram o que comunica,
Lavaram o dinheiro,
Esqueceram...
Não importa a pobre rima.

E o homem atropela os motores
Piou um ser vivo. Silêncio.
Mas era só
Passarinho.

Entorpecido não vive
Não vê, não.
Não rime.

Deixe isso aos loucos.

Humanóides,
Cópia que copia
A razão
Falsa de uma livre e utópica... Salvação.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 2 de março de 2011

Inapetência Nervosa

Fraco dos olhos,

A pele vai sobrando.

Carne, só no prato...

Não mastiga vida.


Fraco dos ossos,

O sorriso vai sumindo.

Tosse, escape das ânsias.

Não há mais estima.


A garoa da velha cidade

Guarda sua chuva

Na alma...

Egoísta que é não divide; dor.


Os carros dançam em linha reta...

Alguém para observar sua queda?

Fraco dos pedidos

Perdeu-se ao pedir ajuda...


E a vida vai...

Vai caminhando devagar

Para longe do corpo

Corpo meio assim... Sem jeito...

Meio assim

Sem dono...


By Camila Passatuto

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sobre o que a alma soube quando sob tudo estava.

Sim, eu amo escrever. Sim, eu amo sentir medo e superar. Sim, eu sei que a vitória chega quando a paz reina na alma. Sim, o futuro começou lá no passado. Sim, eu não falo mais: não. Sim... eu acho que mais uma vez eu entendi um pouquinho sobre ser feliz.

by Camila Passatuto

sábado, 12 de fevereiro de 2011

distorção emblemática

Toda mente precisa de som dissonante
que faça pensar
que faça reagir um dom.
E o rei se associa a diamantes
associação em quem
associação além
Criticantes passivos, olhe o que sou...
olha onde estou
olha onde vou
e vou além a quem.
sou eu que faço isso girar
sou eu o escândalo a te agravar
sou eu que estou por aí
sou eu o dono dos 'psiu'
sou eu que dou o tom
que sou o som
sou eu, sou eu.
sou eu que faço poesia.
atiro na rima
material para suas críticas.
sou eu que bagunço o cabelo
não uso espelho. sou eu
as roupas, as falas...
sou eu que movimento as madrugadas.
Olha aí, sou eu o dono da calçada.
cerveja quente derramada
e na alma a vontade de espalhar o que salva.
sou eu que ando pela rua
que faço as cores
que sinto as dores de todos os jovens.
sou eu que os ollho... nos olhos
e vejo o brilho de um maior propósito.
sou eu a realidade de suas estatísticas, covardes.
Xamã das camas
peixe sem escamas
urbano, caipira
da Paraíba ou de Brasília.
Sou eu o bicho solto
sem rede, sem gaiola.
sou eu a juventude, meu velho,
que já não toca em vitrola.
Vem; explica um pouco
mais desses prazeres
um pouco
mais desse poder
Vem, descobre em nós
a realidade dessa época.
Porque eu sou etéreo,
solo de algum instrumento.
existo no momento
sonoro
quando passa sou memória,
no silêncio.
Porque eu sou o agora
o índice do que virá.
eu sou milênios escavados
Sou poeta eslavo
pequeno
livre
ex-cravo.
Por quê?
sou voz
bateria
guitarra
e baixo.

(by Camila Passatuto)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vida...

Chego ao monte
Sou rei
Vejo seus desertos
Daqui..


Quem segue
Meus versos
Não vê
A tristeza residir.


Chego ao mar
Sou Poseidon.
tridente na mão
Inferno-me de ti.


Quem se procura
em meus passos
Na estrada
Nada, pois nado.


Chego em mim
Sou velho
deito
findo e fim.


Quem me quer;
Esperança,
essa sim
rima, vive e não cansa.


Não cansa
como esse
poeta
que morre
vira matéria em livro didático
e no túmulo
escreve
como quem
repele
a força
poeta
que
o faz
coisa
eterna.


 (by Camila Passatuto)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cidadão. Pe(r)dido.

devolva as voltas, os caminhos e giros.. devolva as revoltas, os moinhos, os gritos... devolva as escoltas, os olhares, as nossas manobras... devolva as notas, as guitarras, os ritmos... devolva sem forma concreta, sem massa, sem respingos...  Resolva os choros, as máculas em mim, os sentimentos sozinhos...Volta!

(by Camila Passatuto)