Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Na caixinha de sapato.

Hoje acordei alguém
Não importa quem
Eu sei que olho abriu.

Saiu daqui, da alma,
Foi no grito que rugiu.
Libertei alguém
Talvez eu, você... Ninguém.

Uma fêmea no canto
Disse, sem medo,
Que no meu peito
Havia padrões fuleiros.

Hoje eu acordei
Não me preocupei
Liberdade é isso
Eu não resmunguei. (ei ei ei)

Estamos sós
É madrugada
Não há dinheiro
Nem os tais padrões mandingueiros.

Voa quitanda
Sabores poluídos
Lambe
Pode-se entulho.

Rompe que é
Não mais, é.
Largue-me
Solte-a.

Hoje reviro alguém
Que não (re) passou.
Juventude nova (nossa),
Liberdade aprende.

E finda poesia,
Interpreta como leve.
E hoje acordei mais urbano,
Mais fuleiro... mais alegre!

By Camila Passatuto

domingo, 7 de novembro de 2010

Conversa Sem Beira.

Com o passar dos anos, que não foram tantos, o universo moldou essa mente que aqui dedilha palavras que talvez não possam ser tão importantes quanto qualquer outra coisa.
Venho para murmurar que aprendi.
Aprendi comigo, com os outros, com o nada... Com o desaprender.
Tornei-me também. Mudei-me, mudaram-me e se mudaram de mim.
Com o passar de pesares, que não foram poucos, o universo chorou e sorriu comigo. Foi meu único e confiável, escudeiro e implacável amigo.
Ontem eu não sabia, hoje sei e disso mais dúvidas... Sei menos.
No passado a alma não era tão exilada e de hoje para o amanhã será mais alva.
Aprendi.
Os inimigos são os melhores para te crescer, para te vencer... As guerras nos tornam e contornam, cria e destrói trincheiras; no final o que era seu, mesmo em posse do imperialismo inimigo, sempre será seu... Se assim quiser.
Aprendi que somos todos bárbaros.
Sou feito de barbaridades; pequenos e médios desastres.
Aprendi que sorrir salva, lava e desmorona barreiras.
Foi com o passar de gente que eu descobri que todos passam para ir e para voltar. Vai e volta, tão depressa, tão devagar que quando o tempo vai ver... Goza. Desfruta da oportunidade de ser passageiro, oh, Tempo!
Hoje eu vejo pessoas se mesquinhando, já me mesquinhei um dia, hoje não mais. Prefiro aqui no meu canto, sem quase nada, contudo... Sem nada de penar depois.
Aprendi a não ter medo. Mesmo com muito receio, aprendi. Mesmo sofrendo, não sofri.
Aprendi que odiar é tão difícil. Gostar é tão amável. Aprendi que amar é sagrado.
Para o Amor um altar separado. Longe de tudo que por mim for profanado.
Com o passar dos anos, não tenho certeza se serão tantos, terei que aprender sem querer, caso for necessário. Terei que engolir saliva quente e escrever o que aqui na alma me repreende, ou não, ou talvez... Só sei que terei.
Talvez eu tenha que ensinar, mas que isso nunca seja necessário. Quero viver solto, preso, filho ou estrangeiro. Eu quero.
Caso eu tenha que ensinar, mesmo que seja um só conselho, aqui eu o deixo: Debaixo da cama que conforta seu mais belo sonho, há um sonho melhor, enfie sua cabeça no escuro e o viva, pobre mortal, entenda... Aprenda
By Camila Passatuto

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ode à Ode

Diga-me
Quais são minhas verdades
Não conheço uma, diga.

Verdade exterior existe.
A que mora em mim,
Duvido.

Choro só
Acho que não
Deve ser mais dó.

Necessidade
Palavra grande
Qual verdade a sua?

Diga, menina linda,
Será minha mentira?
Pura, serena, cativa.

Algum trocado
Esmolo garotos
Nada: é sua verdade.

Fico em dúvida
Não me sei
Quem me sabe?

Hoje sem trabalho
Amanhã em retalho
Depois me despacho.

Qual a verdade
Do mundo?
É a economia.

A verdade
Do povo
Deve ser esquizofrenia

A mentira
Do poeta
É sua ladainha.

Da musa
As pernas...
Essas verdades são minhas.

Diga-me
A real tristeza
A falsa nobreza

Calo-te
Sem moedas
E sem verdades...

Não te sei
Não me sabe

Acho que sou mentira
E tu és, supostamente,
Minha verdade.

By Camila Passatuto