Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 22 de maio de 2010

Fome, poeta.


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Pela calçada quebrada, são meus passos,
Na cabeça do matador, são meus rastros.
Os doentes que esperam não me leem, não.
E famintos que esperam não te condenam, são.

Pela mesma situação, eu escrevo e você lamenta.
Quais atos valem e rege qualquer rima, poema...?
Que a escrita seja liberdade, mas para quem?
Que seu calibre seja vida, mas para quê?

Venham, pobres, poetas,
Pensadores de desconhecidas razões.
Abram alas para esse povo
Que de grande só tem o coração.

Pela calçada quebrada, são meus passos,
Pelo folhear de páginas, olhos descalços
Que sentem na alma o poder de cada verso.
E famintos que me esperam não me condenam.

Venham, pobres poetas!
Venham, assassinos!
Venha quem tem fome de saber se tem arroz,
Poesia e prosa. Comam, sonham e digiram só depois...

By Camila Passatuto

8 comentários:

Antonoly disse...

Um poema de protesto, bem escrito e atual!

joão victor borges disse...

ótima maneira de expressar esse sentimento 'e qual é o objetivo?', texto realmente muito bem escrito e levíssimo de se ler.

http://anpulheta.blogspot.com

Fernando disse...

Eu, um pobre poeta, digo que a riqueza de sua obra é o que há.

Parabéns!

abs,
seuanonimo.blogspot.com

Victor Faria disse...

Parabéns pelo poema!

Strider disse...

Ótima maneira de protestar. Fome, miséria, censura, concentração de renda, tudo em 20 linhas. Gostei.

Pedro disse...

Desculpe-me pela demora.

Bela relação entre a poesia e a fome.
Nós, os poetas, nos alimentamos de tudo o que ocorre e depois transformamos isso em versos, não importa qual seja a situação.

Gostei mesmo.

=)

samuelvigiano disse...

Bem aventurado seja os poetas, que deles serão as loucuras, o amor, a morte e a dor.

Bem aventurado...
Bem aventurado...
Aventurada...

Parabéns, parabéns...
(adorei)

Nilton Terceiro disse...

E essa vida que anda tão seca, tão carente de uma sopa bem quente e de um cobertor. Devoremos, pois, a poesia.