Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Comédia de Vida (Deus foi bom comigo)

Deus foi bom comigo,
Poderia me jogar em qualquer parte do mundo,
Mas por capricho me largou aqui...
Sonhador e arquiteto dos sentimentos.

Deus foi bom comigo,
Poderia me ceder o brilho da beleza na juventude,
Mas por safadeza me deixou assim
Mais belo a cada dia que envelheço.

Deus foi bom comigo,
Ele bem que poderia dar-me o poder de cura,
Mas por estratégia divina
Fez de meu olhar bálsamo e de minha voz poder.

Deus até que foi rígido comigo
Tirou minhas esperanças,
Mas colocou em cada esquina uma garrafa
E em cada garrafa uma esquina.

Deus foi bom comigo,
Deixou tanta gente para trás,
Mas comigo ele fez diferente...
Lançou-me à frente, mesmo eu sem saber como comandar tropas

Deus foi bom comigo,
Mas por capricho...
Quis ver alguém sofrer por amor.
Colocou-te do outro lado do inferno.
.....................................................................................
Tirou minhas esperanças
Colocou-te do outro lado do inferno
Mas por capricho me largou aqui...
Lançou-me à frente, mesmo eu sem saber como te encontrar.

Fez de meu olhar bálsamo, de minha voz poder
Então pude te achar por estratégia divina
E te dar o amor...
Amor que se torna mais belo a cada dia que envelheço.

By Camila Passatuto

domingo, 25 de abril de 2010

Desliga a Verdade


Meu filho, olhe a verdade pelo vão da porta.

Sua humanidade descobriu como ser falsa,

Agora grite enquanto tem tempo, amanhece.

Os papéis e a juventude não se combinam.


Repare nas mãos trêmulas do escritor,

Ele tenta se libertar artesanalmente

E as garotas fumam do lado de fora.

Agora corra enquanto é homem, chore.


Os prédios, as pessoas, os sons, o dia,

Sua humanidade esqueceu como respirar

E você correu atrás de falsa liberdade,

Repare no cinza da sua alma, ame.


Os papéis e os espertos se combinam.

Meu filho, suporte a dor e se liberte,

Pois os temas serão sempre os mesmos.

Agora desliga a verdade e vá dormir...



By Camila Passatuto

sábado, 17 de abril de 2010

Poema doente


Não consigo escrever

Existe um vazio em mim

Um susto, um estado de choque

Não consigo

Desculpe-me

As palavras não têm vontade de moldar

Na cadeira

Com o lápis e papel

Possuídos

Mãos que não conseguem parar de tremer


Não consigo escrever


Pensamentos morreram

O som não inspira

Ácido demais

Tudo isso

Dá queimação


Um estado de choque bateu em mim

Desculpe-me


Criança assustada

Chora

Abraça um trauma por toda vida


Poeta assustado

Pára

Beija um desespero a cada minuto

Na cadeira

Com o lápis e papel


E se você passar

Por perto de mim

Descalça e sem sentido

Saiba que não consigo


Beije-me os lábios

E se você quiser salvar

Coloque-se em meu colo

Tire meu susto


Não consigo escrever


Olhos não vão estreitos

E sim largos, (ou lagos)

De lágrimas

Sou poeta assustado


Sozinho

Sem bar

Sem mar

Sem tudo isso que dá queimação


Não consigo escrever


Peça insensata incutida

Nos moldes simples

Da minha fé

E não consigo, meu amor...


Eu simplesmente não consigo escrever.


By Camila Passatuto

quinta-feira, 15 de abril de 2010

douleur

Não existe ação, não existe mais nada agora. Por onde posso andar se não tem sua mão para guiar. Não existe vida em minha vida, é essa tristeza... Tristeza de ser assim como sou. Certa demais, leal ao extremo, sonhadora sem escrúpulos. Isso deve assustar, incomodar... O tom firme para até nas horas que mais dói, para além da dor que por dentro não só corrói... Mata. E os inimigos me atacam, amor. Foram tantas flechas injustas sobre meu corpo, e por onde vai você nessas horas, eu tenho medo... Eu tenho dor.

Vou me cegando de tanto trabalhar, alienando-me de mim, da minha dor... As horas não podem passar limpas, tenho que me ocupar, não mais pensar... Solução essa de não mais sofrer. E o quanto isso é difícil, rimas, só eu posso dizer.

O frio volta e não quero proteger meu corpo, deixa assim... Secando e abrindo fendas em mim. Não ligo não me sou importante se tenho que viver só para mim. Deixa assim, mesmo que eu não queira, vou me sumindo... Aos poucos e quando a fraqueza consumir minha carne eu vou... Vou voar livre de corpo, mas presa em tudo que me pertence...

Não existe ação, não existe mais nada agora. E os inimigos avançam, os amores recuam... E eu me encolho num canto qualquer, chorando baixinho, com a única coisa que me abriga...

a dor.


By Camila Passatuto

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