Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pra lá

Não faz sol e se aqui é sofrer, poeta gosta.
Goza das lágrimas e as palavras nascem...
Morre um pouquinho a cada segundo, mim.
Descalça os causos e olha as mentiras, sim.

Chorar é criança que nasce sem saber que é noite.
E dou a luz a cada descoberta, a cada frio, é noite.
Não acreditei quando no sonho me mostrou, noite.
Morre um pouquinho a cada segundo, morra, noite.

Desgosto de sangue na pele, então ela cai e chora.
Menina que cresceu e mulher que escreveu, chora.
Não faz sol e o sofrer intensificou um querer de dor,
Recebo com a força de quem quer vingança e choro.

Um poeta não escreve nada além do que sofre, do que ama ou odeia, do que tem medo ou desejo, do que é utopia ou amargo licor...queria fazer algo que fosse para lá de tudo isso, que não necessitasse do consumir da minha carne, mas para isso eu precisaria estar para lá da vida.

By Camila Passatuto

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Blá blá blá (?)


E de incertezas é feito cada passo de futuro. E isso me cai tão bem. Esse medo de não entender o que pode vir, ou até mesmo o que pode ir embora. A inquietação de alma é tão constante. Quando tudo se desprende e uma fina camada de angústia começa a rondar meu universo complicado. Hoje faz frio aqui dentro, hoje já fez muito calor.
Um sim e quanta esperança, mas dois minutos, depois, é um medo que dá tanto medo de sentir, de escrever, descrever. A segunda quadratura de saturno pode me levar à loucura plena do ser. Vamos ganhar uma gastrite, vamos ler mais um livro. E  sempre é mais um...as novidades não se fazem, tudo tão previsível. Lá fora os jovens lutando e se perdendo, os adolescentes sonhando e se enganando, os velhos sendo e revivendo... Sempre os mesmos idiomas de reclamações, sempre a mesma fuga desses que querem se fugir, se fugir.
E todos tão parecidos, uma alienação grupal, isso me espanta. Diferentes apenas na forma de se mostrarem fúteis, mas as futilidades são sempre as mesmas. Ninguém se torna autêntico diante do prazer de agradar. E de incertezas é feito cada passo de futuro.
E de futuro os incertos se consomem antes da hora, e vão para o banheiro mais cedo!
Então continuo aqui no meu canto cativo, entrelando entrelinhas, inventando palavras e não colocando vírgulas no que penso. É o que me faz feliz! Vou descobrindo como achar, vou escutando Legião e escrevendo, vou deixando os meus medos, o meu pânico do mundo, minha fobia moderna... Irritando-me, muitas vezes, com os textos,exigindo algo que ainda não sei se tenho a oferecer, colocando no papel coisas que nem sei se são tão importantes serem expostas. Mas o que se guarda apodrece; então vou ficar escrevendo, vivendo, bebendo, tecendo um pouco dessa humanidade.
Porque agora eu sei: É de incertezas que é feito cada passo de futuro.

By Camila Passatuto