Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

sábado, 28 de novembro de 2009

Precípuo (Amour Moderno Amour)

Vendedores ambulantes oferecem soluções,
Tem jornal, tem a alma de alguém circulando,
Tem música e tem dinheiro que não é seu, não.
Alguém joga uma pedra e de quebra acerta...

Tem sangue esperto escorrendo pela testa,
Pessoas curiosas com vozes de mosquitos,
Vendedores ambulantes oferecem soluções.
Alguém coloca uma meia suja e estanca, dói.

Os carros não param de passar, o sangue cai.
Meninos com pés negros conseguem moedas.
Tem alguém mexendo no meu bolso, é tarde.
E quem pode salvar, tem música e tem ar...

A cidade corre corre sem se importar comigo
E se você passar, e se você lembrar que agora
Ninguém tem tempo, seu minuto, minha hora.
E quem salva?
Tem sangue meu que escorre e a minha menina que para me salvar corre.

Corre e chega, olha e chora, beija e me ajeita.
Olha o céu como tudo está vermelho, eu vejo.
E seu olhar faz tudo parar, não tem carro, não.
Os mosquitos não foram embora, tem calma, tem alma...

E seu olhar fez tudo passar, vida minha agora vai acabar.
Alguém jogou uma pedra de incerteza e de sorte, é morte.
Menina minha chora sem querer continuar, me olha, me olha,
Coloca minha testa no lugar, seus seios se molham do meu sangrar.

Ah, e como escorre esse gozo de vida
Sua voz vai e vem, chamando-me
Mimando-me
Salvando-me


Corre e chega, olha e chora, beija e me ajeita.
É cidade, minha menina, perigosa demais...
E vou caindo de mansinho em seu colo, atirada no chão.
E vou me deixando morrer em seus braços e vou indo... Indo...

Quando escuto o seu clamar de milagre
Ah! Como eu queria ficar
Mas e hora de ir e deixar
Minha vida vai se indo


Vendedores ambulantes oferecem soluções
Meu corpo desfalece em seus braços
Um trovão de natureza anuncia a tal tristeza
Vou-me indo e te deixando, alma minha vai chorando

Teu abraço vem mais que apertado contra meu corpo
Corpo inexato
E não tem mais sangue
Apenas o crime infame


Tem jornal, tem a alma de alguém circulando,
Tem música e tem dinheiro que não é seu, não.
E tudo volta pro lugar, nada mais a se preocupar
Vozes de mosquitos voltam a falar, outro assunto...outro lugar.

Eu e você ficamos ali
Jogadas em um canto da cidade
Eu já sem a alma e você sendo apenas lágrimas.
E quem salva?


By Camila Passatuto

sábado, 21 de novembro de 2009

Poesia Matinal

Acordei com sua lembrança roçando minha pele, seu peso sobre os meus seios e seus lábios acariciando minha boca, e isso foi me despertando da mortificada noite.
De tão real, eu deixei escapar seu nome com o soar da minha voz matinal, pensei que estivesse realmente ao meu lado despertando minha sonolência de mim. Te chamei mais uma vez e sorri, sabia que estava velando por mim, não sabia que era delírio, só entendia a sua presença certa aqui em nós.
Te senti mais um pouco, recordei aquele cheiro, aquela textura e o nosso silêncio.
Seu corpo ainda vinha contra o meu quando abri os olhos e nada vi, mas tudo sentia.
E sentei na cama, delírio maior foi fechar os olhos e poder escutar sua voz que recitava algum texto que nunca pude ler. E nessa hora que começo a ter medo de mim. Medo das necessidades, mas quem não necessita?
E delírio maior foi tentar dormir novamente, e delírio maior foi o queimar de corpo, a procura por um pedaço de você...
E só de olhar uma fotografia, e sentei na cama, e me perguntei se a vontade de chorar era algo infantil ou apenas uma fortaleza arcaica de mulher.
De tão real, eu deixei escapar seu nome e minhas lágrimas.
E não consegui mais nada, levantei e como quem sempre ama, comecei a te procurar pela casa, porque para mim eu acordei com sua lembrança roçando minha pele e você deveria estar em alguma parte da casa, esperando eu te encontrar.


São duas árvores
Mas olhe
Por mais fundo
Eu vejo
Emaranha
E existe

Uma só
Só uma
Uma só raiz.

Água
Falta
Mata
Uma
Mata
Logo
As duas.












Marginal amor
Sempre correto
Nunca mais foi
Eu permaneço
Como sempre
E queima
Você entende?
É infantil
É tão maduro
É o que sinto
Para você
Simples
Fácil
Leve
Leve-me
Para você
Sou infantil
Sou tão maduro
Como sempre
Para você.

By Camila Passatuto

sábado, 7 de novembro de 2009

La Paix


Parem de atirar, eu não suporto
Tanto barulho para pouco sangue
Parem de atirar, é que eu não gosto
Tanto orgulho aqui para pouco acaso

Parem de tentar, eu sei que é não
Tanto sonho para uma linda agonia
Parem de fugir, eu quero mais perto
Tanto de vazio para um corpo cheio

Parem de ser assim, é que preciso ser eu
Tanto rumor de felicidade para uma tristeza
Parem de tirar, eu preciso de muito e agora
Tanto se pede para alguém que nada escuta.

Parem de me matar, é que dói
Tanto chorei ontem à noite...
Parem de mentir, é que fere
E tanto morri por hoje.

By Camila Passatuto