Biografia da Autora

Camila Passatuto nasceu em 1988, na cidade de São Paulo. Autora do livro "TW: Para ler com a cabeça entre o poste e a calçada" (Editora Penalux, 2017). Escreve desde os 11 anos e começou atuar nos meios digitais, com blogs e participações em revistas digitais, em 2007. Alguns trabalhos e participações: 2010, e-book “Apenas o Necessário”, co-autora da Antologia de micro contos reunidos pela Poesis, em parceria com a ETC Bienal, Fundação Volkswagen e Governo do Estado de São Paulo; 2012, Antologia “Nossa história, nossos autores (Editora Scortecci); 2013, escritora exposta na mostra de Twiteratura no Sesc Santo Amaro.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Escrevendo ao Mestre

No meio da bagunça estava lá o que restou de você, um dvd com alguns shows...Sem pensar no que ia me acontecer comecei a assistir, ao escutar Drain You, foi inevitável, comecei ensaiar um choro bobo e sem motivos, quantas vezes me apaixonei e como trilha sonora ela embalou minhas loucuras. Nunca escutei suas músicas para lembrar de ninguém mas para recordar o que eu sempre esquecia: que não são só as outras pessoas, por mais que elas estejam aos milhares, minhas emoções ainda tentem a ser o mais importante para mim, na teoria eu sempre me sai bem, mas no dia-a-dia apenas as suas músicas me colocavam em sintonia comigo mesma...

Minha infância eu cantarolava com alguns primos mais velhos, na minha pré-adolescência já se tornava essencial me fazer um anti-projeto de grunge girl, no apogeu da adolescência eu queria ser você, mas queria ser tanta coisa, queria ser um tudo mas bem pequeno e encolhido.
Mas o tempo passou...Algumas pessoas me usaram, eu usei umas pessoas, eu usei algumas drogas, algumas drogas me usaram e eu ganhei uma lasca de experiência...

Eu envelheci espiritualmente e deixei de achar graça nas coisas engraçadas...
O mundo me quis de cara limpa, dizem aqui que é assim que se vive realmente, então me afastei de algumas artes, de alguns conceitos e fui viver limpa de idéias e construir minhas próprias ideologias e segui-las como um cão cego.Novamente me usaram e usaram o meu potencial de ser uma garota dramática, apagaram o meu brilho por instantes que me pareceram tão eternos, eu precisei me machucar para voltar a minha antiga realidade, mas não se vive o antigo...Afastei-me do seu som por pura falta de tempo, esqueci as portas e as legiões...

Há pouco tempo destruí todos os seus cd’s, não lembro de ter feito isso, mas aos cacos estavam todas as canções...
Hoje eu quis escutar Polly então coloquei o dvd para rodar... Eu sei que nunca vou poder ouvir isso sem derramar uma lágrima...
Hoje eu não sigo nada... Nem sei do que gosto... Meu gosto sempre foi muito escasso... Sempre só gostei de Nirvana.










By Camila Passatuto

9 comentários:

simple_chi! disse...

bom texto, parabens! eu acho que todo mundo vai se identificar em alguma parte dele. . .

Reporter x disse...

concordo
um texto que causa impacto e identificação

Camyli Alessandra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camyli Alessandra disse...

bom texto,só nã me identifiquei com a banda

Fábio disse...

Pensei que só eu havia usado Drain You como trilha romântica.

Eurotica. disse...

obrigada pela dica querida... infelizmente, pro tema que escolhi não estou encontrando templates muito bons=/ o blog está sim no início, comecei hoje... e o rumo dele vai dar uma mudada, continuando o erotismo porém de uma maneira mais "amena" eu diria que mais hedonista. quanto aos seus blogs, estão de parabéns, mostrou ter conteúdo:)
continue assim

Vinni disse...

Você destruiu mesmo os cd's? Ow Girl!
Nice Blog!
Um abraço!

Polyana Amorim disse...

Um comentário meio atrasado, mas o texto chamou atenção:
eu curti Nirvana também lá nos meus 15/16 anos. tive, de verdade, só um disco deles que não sei por onde anda, ainda assim, mesmo sem ouvi-lo agora, ainda acho uma banda muito boa que fez história e deixou um legado instimável.

o importante é que qdo a música toca a alma, nõa importa qto tempo passe, o qto de outras coisas se ouça, sempre, em determinado momento, ela volta com toda carga emocional do primeiro dia em que se ouviu...música é algo anacrônico!

abçs

emsgomes disse...

Camila só posso dizer que só ouvi Nirvana quando Kurt já tinha se ido... Na época estava mergulhado na MPB. Mas quando ouvi o Unplugged... pirei! Interpretações fantásticas... sei que geradas pela imensa dor.. mas só quem tem talento põe pra fora um canto assim... como esse texto teu.. fantástico! Sabes bem o que sinto te lendo. Voa, voa alto! O céu é vasto e teu limite ainda mais. As asas estão em ti.
Adorei

Beijão